Nota CEII SP [20/09/2018]

A última “reunião” foi bem bacana. Achei legal cancelar a reunião e irmos para o lançamento do livro de um camarada. Como quase sempre, tudo terminou com ótimas conversas no bar. Como já foi proposto no Rio, acho válido experimentarmos formatos diversos de funcionamento. E ter uma reunião informal vez ou outra pode ser muito proveitoso.

Nota CEII SP [20/09/2018]

Gostaria de propor um subconjunto de prática teórica em Psicanálise para o CEII-SP. Este grupo poderia também dialogar com o projeto Oficina Acadêmica, em curso, mas que ainda não deslanchou.

Acho fundamental que não seja um grupo apenas de Psicanalistas, tampouco um grupo estritamente clínico, mas pensando a Psicanálise lacaniana também em suas contribuições para pensar a Política e a Sociedade contemporâneas, no rastro dos trabalhos de Žižek, Badiou e outros.

Nota CEII SP [20/09/2018]

Se a liberdade de um modo político revolucionário não exige um programa, ou um projeto, mas sim a implicação com um processo e se na Revolução Russa a não implicação transformou a própria revolução na sua tentativa de controle, não devemos então ter um programa que seja capaz de prever uma força contra o desejo de controlar a tormenta ou a onda revolucionária. Se isto não estiver formulado anteriormente o desejo de controlar os rumos revolucionários irão se transformar na própria força contra revolucionária. Por isso, é preciso formular uma força que seja contra a contra revolução dos próprios revolucionários. Nisto não precisamos de palavras de ordem para o povo, mas de acordos do próprio modo político que não ceda ao desejo de controle. Simbolizar o real dos acontecimentos futuros é nossa melhor oportunidade de nos implicarmos no processo e confiarmos numa liberdade diferente daquela que temos hoje.

Nota CEII SP [25/10/2018]

E além disto tudo, é também saber resistir à nós mesmo, não cairmos nos apaixonamentos narcísicos (e como as mídias sociais e os que saem “grandes” dessa eleição atestam por isto…), não tropeçarmos nos academicismos clássicos de sempre, buscarmos menos falar pelos outros e mais trocarmos ideia com outros. Uma enorme parte de pessoas estão perdidas agora e é importante estarmos juntos, nos organizarmos e organicamente pensarmos em formas locais diferentes. Talvez a prescrição do mote do “aprender, aprender, aprender” ainda seja a melhor resposta ao que fazer ou ao como resistir… e que melhor opção, senão esta de aprendermos juntos à resistirmos diante das causas dessa violência.

Nota CEII SP [11/10/2018]

Resistir! Resistir é acima de tudo não deixar que nos roubem a esperança. Muitos experimentam hoje o dessabor desse mal estar político e digo isto, também por conta da minha clínica, onde relatos de ódio, relatos de preconceitos, relatos de violências passam a se expressar em âmbito micro-físico num volume alarmante. Obviamente, será sempre condenável o enaltecimento de sofrimento e de violência expressos no cotidiano das pessoas sendo banalizados e normalizados. Mas resistir precisa ser mais do que consolo, cabe como um propósito – é perceber que há nessa resistência, uma luta necessária para subvertermos a realidade dada. E não por menos, ouvir essa resistência, é também conseguir fazer ouvir algo de subversivo dela. É não fazer caber tudo nesse resistir. Porque, foi também resistindo que normalizamos muitas violências simbólicas e materiais que hoje vemos sob o nome de realidade por aí. Foi resistindo que deixamos perder o que há de mais subversivo e radical numa democracia. Foi resistindo que vimos perder os propósitos mais equitativamente repartidos do sofrimento político.
Precisamos resistir para além disto, pararmos de resistir diante do irresistível do comum, e buscarmos novas coordenadas simbólicas para falar com os excluídos. É conseguir resistir, ouvindo o que mano brown disse em seu discurso. É ver que são muitos que não coadunam com o discurso bozonarista e que também, não topam cegamente as coordenadas anteriores no fazer político. E é preciso encarar isto! Uma resistência hoje precisa se dar conta dessa auto-crítica fundamental em nome de novos operadores contra a barbárie.

Nota CEII SP [27/09/2018]

E, finalmente, para legitimar os ‘fake thinkers’ (Dunker, 2018) por seus anos de “batalha” (praticamente sem inimigos…) no campo ideológico e por sua exaustiva doutrinação, vem agora o tempo das coroações. Saiu hoje uma matéria acenando para as intenções do dito ‘filósofo’ (Carvalho) em sua defesa ao Bolsonaro: “Carvalho disse ainda que, como embaixador, teria “autoridade total” sobre brasileiros locais e poderia “mandar embora qualquer um, pode mandar prender qualquer um”. “É um reizinho”, completou.” O sonho de virar ‘reizinho’, de tornar-se ‘autoridade total’ em Washington e de lá poder ‘reinar’. O sonho de Olavo é ser o sindico ideológico de Bolsonaro e finalmente, conseguiria seu cafofo nesse império do atraso. Algo que me lembrou a discussão de Žižek, de uma famosa passagem de Lacan e a loucura dos que se crêem reis:

“Ser rei” é um efeito da rede de relações sociais entre um “rei” e seus “súditos”; mas – e aí está o desconhecimento fetichista -, para os participantes desse vínculo social, a relação aparece necessariamente de forma inversa: eles acham que são súditos, dando ao rei um tratamento real, porque o rei já é rei em si mesmo, fora da relação com seus súditos, como se a determinação “ser rei” fosse uma propriedade “natural” da pessoa de um rei. Como não recordar aqui a famosa afirmação lacaniana de que um louco que se acredita rei não é mais louco que um rei que se acredita rei – ou seja, que se identifica imediatamente com o mandato de “rei”? (Žižek, p.309)

E como num jogo, esses aí são os 4 mini-chefões aos quais precisamos estar atentos e combatermos na jornada contra o embrutecimento ideológico do bolsonarismo. E claro, sem perder de foco os que se colocam enquanto seus súditos (professores, autores, deputados, estudantes…), porque saber ouvir o que essas falas organizam para estes seguidores é tão crucial quanto saber como criticar esses desfavores intelectuais.

Dunker, https://blogdaboitempo.com.br/…/olavo-de-carvalho-o-ideolo…/

Dunker https://blogdaboitempo.com.br/…/a-palavra-perdida-contra-a…/

Nota CEII SP [20/09/2018]

Dunker recentemente dissecou o ‘ideólogo do Bolsonaro’, em um artigo pela Boitempo, assim como anos atrás denunciou abertamente as fragilidades do pensamento de Constantino. Esse caminho é crucial: conhecer o outro lado do muro do campo ideológico para conseguir debatê-lo. E já que estamos neste momento de autocrítica no catastrofismo, cabe mais este ponto: o combate argumentativo e franco aos 4 patetas da ideologia direitista (Carvalho, Azevedo, Constantino e Villas).

Curiosamente, falamos dos muros, das bolhas, dos clusters e daí, nos pegamos nos segurando no pressuposto conforto dos nossos próprios cantos quando nos isentamos de discutir os desfavores intelectuais destes ideólogos. Academicamente, pode ser tranquilo descartar esses nomes próprios do campo do pensamento, seja por considerá-los indignos de nota ou justamente pelas suas fragilidades acadêmicas, entretanto, se dar ao luxo de não debatê-los é também, abrir mão da discussão daquilo que embasa e guia esses que os levam muito a sério.

Lembro que uns anos atrás, um camarada chistosamente provocava: “Mas quem será que são esses tais leitores da Veja?” E dando fast forward para os tempos de hoje, conseguimos encontrar tranquilamente por aí esses leitores e ouvintes matinais da JovemPan. Assim como notamos que a direita estava mais preparada para se organizar diante das manifestações de 2013, e mais essa vez, ela teve maior aptidão em tomar as coordenadas da inquietação social em uma narrativa ufanista e fazer vinga-las nas últimas eleições. E não por menos, a disseminação ideológica que retroalimenta essa narrativa de ódio que notamos hoje, do embrutecimento do momento, já vinha sendo construída há muito tempo – e, justamente por esses ideólogos. Muito em linha com o que disse Fisher (2014) a luta de classes está acontecendo, entretanto parece só estar sendo travada por um dos seus lados. Talvez por excesso de arrogância acadêmica em denunciar seriamente esses senhores ou por falta de conversa com os que os levam a sério, hoje temos esse desserviço ideológico para ser desmontado.

https://www1.folha.uol.com.br/…/olavo-de-carvalho-diz-que-a…