NOTA #7 [19/05/2015] (RJ)

Em geral, o interessante do tema da corrupção é que ele aparece como a boa razão política para não se fazer política. Sua narrativa resguarda uma dignidade fundamental. O indivíduo que a afirma diferencia-se do puramente alienado. O que me parece semelhante à situação do fracasso amoroso, quando terminamos um relacionamento por “amar demais” alguém.

NOTA #6 [19/05/2015] (RJ)

Acredito que o diagnóstico sobre o desinteresse da população pela política está correto. Porém, a ideia de que entre as causas esteja a “corrupção” me parece fácil. Talvez apressada. Como num país em que o “jeitinho” é uma instituição cultural, a corrupção seria a causa de nossa repulsa pela política?

Nota #12 [12/05/2015] (RJ)

Sobre os encontros que participei
Entendo que seja quase impossível, mas seria interessante – já que é improvável dar “reset” simplesmente no capitalismo, que a gente [a sociedade? uma sociedade] pelo menos pare as disputas para uma avaliação se vale a pena continuar [a primeira questão é entender a dimensão do que é “a gente”].
Afinal, “continuar” é mais do que uma palavra e o significado do conjunto “a gente”, não deve ser reduzido a uma crítica ou uma indireta a qualquer grupo, núcleo definitivo [mas definidor, talvez]. A primeira é uma palavra e meia. No que já se ouve, pensa, escuta e/ou sente “continuar”, ela já traz junto a sequência, o movimento, mesmo que seja para continuar no mesmo lugar ou continuar, continuar e continuar. Já “a gente” pode ser a civilização, o CEII ou o indivíduo e seus homúnculos.

Portanto, fico muito satisfeito do quanto há dedicação para que a coisa continue.

NOTA #12 [21/04/2015] (RJ)

Do sujeito sem classe à participação social

 

As estruturas de comunismo tão sonhadas e quistas pelos movimentos sociais de fato é o que realmente é necessário ao coletivo e de fato vão gerar tal emancipação e derrubada dos muros entre classes, me pergunto. E a resposta que encontro em minhas indagações é que a utopia é linda no campo da ideia ideal, porém na arena prática creio que não, imagine o seguinte fato será que todas as pessoas do planeta querem estar diariamente militando escrevendo textos, fiscalizando as ações de governos e tudo mais, fica até um “saco” né? Pois bem o estudo da ideologia e qual vertente deve ser tomada para o caminho do comunismo dar certo pelo mundo passa pela reconstrução do que é a filosofia do comunismo, não na sua forma mais romântica mas sim na sua forma mais pragmática.

Nota #5 [19/05/2015] (RJ)

Sobre a política, a corrupção e a revolta online
Em um país de fantasia, construiu-se pela mídia a ideia de um mal que assola e impede a felicidade de seu povo, mas que proporciona vantagens a indivíduos e grupos bem representados: a corrupção.
Nos anos 80 e 90, havia um partido que levava consigo o estandarte da moralização e da ética com o bem público. Enquanto oposição e oprimido, esse discurso acumulou simpatia e apoio aos seus membros e simbologia. Quando chegou ao poder (e este parece mais uma posição em si, do que possível de ser habitado por diferentes e posições ideologicamente contrárias), já com a experiência interna da busca pela institucionalidade (mais do que por uma revolução pelo comum), perdeu sua credibilidade por praticar aquilo que pensaram ser a manutenção econômica e política do poder, mas que em verdade, se tornou no espetáculo o contrário daquilo que pregava (uma questão amoral?). Os que acusavam, agora, eram acusados pelos mesmos crimes.
E chegamos a 2014 com uma polarização muito clara: de um lado, a antiga força carregada de 500 anos de histórias mal contadas e patrimonialismo – mesmo fora do poder institucional a partir de 2003, ainda possuía as rédeas econômicas e o sistema financeiro e midiático em suas mãos – dinheiro e ideias. A outra força é a antiga oposição, recém chegada ao poder majoritário e com um resquício de memória pelo comum em sua origem ou mesmo, nas esperanças de indivíduos e grupos sociais.
O maniqueísmo foi utilizado como retórica e mapeamento no ano passado. Entretanto, os opostos estão impressos de costas uns para os outros, mas na mesma moeda. A prática da busca da institucionalidade por ela mesma e o uso das posições de poder para o viés econômico, com acordos com o sistema financeiro, por exemplo, mudando apenas as bandeiras, configuram o meio-termo que não os polariza de fato, mas os liga, é a liga forte entre a cara e a coroa.
Apesar da similitude, um ficou reconhecido como direita e outro, esquerda. Os primeiros teriam como vigor alavancar o indivíduo. Já os segundos, a responsabilidade estava em dar oportunidade para um bem-estar generalizado. Ou seja, a oposição entre unidade e multiplicidade; indivíduo e coletividade; meu e nosso; propriedade e comum.
Como há uma campanha massiva da mídia desde a reabertura política em que a entidade subjetiva “corrupção” é o mal do Brasil, seu termo lexical se tornou ferramenta para a justificativa de nossas mazelas, mesmo que não se identificasse corruptores, mediadores ou se punisse de fato, o servidor público que utilizou de sua posição para favorecer a si e aos seus. E isso significou no discurso barato da mídia brasileira conseguir descaracterizar ainda mais o termo e a necessidade da política. Políticos se tornaram personagens mal-falados e generalizados de nossa cultura.
A TV diz que a revolta contra essa classe e prática (a política partidária, institucional) se alastrou desde os de pensamento individualista aos comunitários. E como vivemos sob a égide da mesma moeda capitalista, os que se sentem livres em suas escolhas sociais (nos dois lados), se dão o luxo de seguir com a vida e não fazer qualquer questão de se incomodar ou procurar aprofundar os meandros da política “não entendo nada”, “já faço minha parte”, “é tudo filho da puta”.
Como aparentemente aqueles que não são partidários, mas se colocam como de direita, liberais e alpinistas sociais, se apegam mais a certa superficialidade das coisas, acabaram se confundindo quase que de propósito para justificar práticas antidemocráticas. O pensamento ideológico de sua maioria se aproxima dos possíveis propósitos econômicos e sociais do partido que representa a ponta da tradição – os que nos ocuparam institucionalmente desde 1500 a 2002. Assim, apesar de odiarem a política, viram no novo grupo que nos ocupa há uma década, a decadência da própria corrupção. Viram porque a mídia assim o quis, assim o quer. E nessa visão se juntaram aos oportunistas do regime anterior. E o axioma se tornou racional:
O grupo de direita, apartidário, apoiou o partido que representa suas convicções sócio-econômicas, principalmente, pela tomada do poder político, mesmo que antidemocraticamente. Já o partido que representa o legado do estupro social, aceitou o apoio desses que, por sinal, sabiam gritar a superficialidade de seus achismos nas redes sociais se tornando conteúdo para muitos e os variados meios de comunicação.
Mais eis que o PSDB finalmente se encontrou com a política e preferiu sair fora da busca por impeachment da presidente Dilma, do PT. E, por isso, revoltou os revoltados, apartidários que agora forma um grupo. Mesmo que não acreditem na política e queiram fazer algo “novo”, se tornaram também uma força e quem sabe, no futuro, um partido. O link abaixo demonstra a indignação de determinados semi-celebridades (existem outros no canal Revoltados Online) com o posicionamento do PSDB e, principalmente, Aécio Neves, antiga vedete do movimento:

https://www.facebook.com/revoltadosonline/videos/1183461121680438/?fref=nf

 

NOTA #12 [28/04/2015] (RJ)

A chave

 

E qual a chave de abertura para o proletário de fato ser um vetor de mudança de contexto social no plano democrático, e não apenas um agente de quórum do democratismo plutocrata?  O embate começa na dialética entre o ser social revolucionário versus proletário, pelo menos uma dicotomia elevada em sua máxima pela mídia, literaturas e outras fontes de circulação de informação, porém esse falso axioma se desconstitui constantemente nas mazelas da sociedade quando ambos se deparam com os mesmo problemas dos mais diversos, então qual o porquê de ambos estarem tão separados? Aí vemos uma digressão antropológica, histórica, econômica e outras que no liquidificador do sistema social se tornam tão próxima e tão distantes ao mesmo tempo.

NOTA #11 [12/05/2015] (RJ)

A palavra Comunismo, significados e dialéticas.

 

Talvez o texto apresentado na reunião de 12/05 (Jean-Luc Nancy) sirva para mostrar quantas formas de se abordar tal palavra e tais possíveis entendimentos, enfim, ao se “ressuscitar defuntos” temos uma base que possivelmente tudo que sabemos a respeito desse termo não tem nada haver com aquilo que ele queria expressar ao seu ideal ou pelo menos ideia e de fato os intelectuais de nosso tempo ainda tentam adaptar o termo ao nosso contexto temporal.

A relação de ser propriedade, comum e próprio é o maior percalço para se exprimir um conceito norte da temática é principal desafio para de fato usar esse signo linguístico como uma ferramenta de emancipação, luta de classes e etc.

Nota #11 [28/04/2015] (RJ)

A repetição…

Quanto ao texto do Zizek discutido no Círculo – Começar do começo, de novo – a questão que trago aqui é a Repetição. Parece que há um interesse central nessa categoria visto a sua variabilidade, ou seja, a repetição para ser um tipo de operação apenas que conjuga as mais variadas formas e maneiras de lidar com objetos, sujeitos e fluxos. Gostaria de deixar alguns pontos:
a. Repetir Lênin aqui não seria afirmá-lo assim como o Zizek trata da afirmação do neoliberalismo de Tatcher por Blair?
b. O tempo lógico utilizado aqui se aproxima dos contos de Alice de Carroll em que é muito difícil distinguir o criador da criatura, ou, a repetição daquilo que foi repetido. Parece que há uma “retroatividade futura”, assim, como diz Zizek, o culpado do stalinismo é o próprio Marx sendo que também o culpado do marxismo é Stálin;
c. A partir dessas novas demandas dos commons, fazer o produto de b desembocaria em quê? Repetir o novo? Comunizar os commons no sentido de afirmá-los realmente como res comune?
Deixo essas questõezinhas simples abertas para um futuro debate. Até lá, agradeço por terem lido essa nota.

Nota #4 [19/05/2015] (RJ)

Sobre a questão do partido-movimento, é preciso considerar algumas tendências nesta nova estratégia política:

1)    Se insere num contexto de profunda crise econômica em que se inserem as regiões/estados que passam;

2)    Representa o impacto numérico do voto da juventude, parcela da população sempre mais afetada em contextos de crise;

3)    Manifesta sempre a adesão a uma estratégia político-comunicional voltada para o uso da Internet como ferramenta de construção de esfera pública oposicional (Negt e Kluge, 1993).

 

É o que podemos observar na recente vitória do que a imprensa chama de “partidos alternativos” na Espanha.
BBC Brasil – 25/05/2015
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150525_eleicoes_espanha_bipartidarismo_rm.shtml?ocid=socialflow_twitter

Partidos alternativos colocam em xeque bipartidarismo na Espanha

Com a Espanha afundada em uma crise econômica que já dura seis anos e quase um quarto da população vivendo no desemprego e indignada com uma série de escândalos de corrupção, parte do eleitorado espanhol resolveu romper com o bipartidarismo que dominava o país há décadas.
Apesar de continuarem sendo as siglas mais votadas, os conservadores do PP e os socialistas do PSOE perderam mais de 3 milhões de votos e viram sua fatia do eleitorado cair de 65% a 51% em apenas quatro anos.
A grande beneficiada da mudança foi a alternativa de esquerda ligada a movimentos sociais e de protesto contra a austeridade, vencedora em Barcelona e que depende apenas de uma provável coalizão com o PSOE para assumir também a prefeitura da capital, Madri.

Nota #11 [21/04/2015] (RJ)

De acordo com o que nós viemos discutindo desde o final do ano passado até agora, inúmeras são as tarefas que tomamos para conosco. É fato que elas demandam e exigem de nós um tempo e um esforço “além” do que seria o ritmo normal do CEII. Mas será que isso é realmente algo que tenha que ser levado em consideração? O tempo do CEII? Qual é o tempo do CEII?  Acredito mais do que nunca (cada vez mais) que o CEII tem um tempo que é tão mutável que sua identificação ou qualquer tentativa de inseri-lá no num quadro estático prejudica a análise (algo semelhante ao princípio da indeterminação de Heisenberg). Ao analisar os ritmos não conseguimos chegar a um padrão que seja útil para a identificação. Ora o CEII ferve, ora acalma… Esse seria talvez o ponto mais positivo do CEII no sentido de auto-criação, caminhando entre uma inércia e um ritmo liberal, caminhando entre as obrigações e o sujeito suposto fazer, caminhando entre arrecadações e organizações. Talvez, de fato, o que tiramos disso tudo é que vivemos num novo tempo, e o Círculo aparece como um verdadeiro sintoma. Caminhemos!