NOTA #1 [18/08/2015] (RJ I)

Na última reunião, em um momento foi falado sobre como consciencializar a pessoa sobre sua condição de explorado/oprimido, foi levantado que apontar essa situação seria algo que poderia tirar ainda mais a dignidade da pessoa. Consigo entender porque isso acontece, mas fica uma dúvida, como trazer a pessoa para a luta/militância? Como fazer que essa pessoa tenha conhecimento de que ela própria tem poder para mudar sua situação?

NOTA #4 [20/08/2015] (SP)

Muito dos debates efetuados na última reunião sobre uma ideia de tornar o “Projeto mais acessível” para mim se envolviam em torno de um certo Outro que é suposto não saber. 

 Não concordo com esses pontos de vista pois, além de talvez falar do ponto do saber (principalmente saber do que é o CEII, que na verdade, como o projeto diz, não existe e não envolve assim uma questão de saber), o que dizer quando a questão será enfrentar diretamente os texto de Badiou, Zizek ou Agamben?
Falar em mudanças no projeto agora me parece apressado e contrário ao que Badiou chama de fidelidade e procedimentos de investigação acerca de um possível ponto eventual

NOTA #3 [20/08/2015] (SP)

Reformular ou não o projeto? Eis a questão!

As ideias são díspares quanto a reescrita de alguns pontos do projeto. Para alguns participantes é no vazio da escrita do projeto que se instala o desejo de quem lê o documento e se inscreve no CEII como participante. Para outros há uma diferença entre o hermetismo do texto, o desejo de se inscrever e se engajar em uma causa. Logicamente, não há uma lado mais “correto” que o outro. O que parece ocorrer é um momento de debate de ideias, em que a célula de SP se apropria do projeto e discute o eixo fundamental do CEII. Parece-me um momento político precioso para que se reflita sobre o posicionamento do coletivo paulista. Consagrando um dos pilares do projeto, o CEII-SP começa a traçar um caminho construtivo de identidade, os seus membros parecem expor mais claramente o que há de incômodo e o que há de satisfação.  Que entre a escolha de reformular ou não, nesse momento, o projeto, façamos a escolha pela questão que se inscreve sobre a identidade da célula de São Paulo

NOTA #2 [20/08/2015] (SP)

Me parece, e coloco aqui como uma percepção minha, que ler o projeto foi tomado de certa maneira como uma experiência burocrática de revisionismo do projeto, quase que como um “vamos ler o projeto e ver o que nele nos cabe e que não nos cabe e propor alterações àquilo que nos causa incômodo”.

Dessa forma, distorcemos o que colocamos como propósito primeiro: alinhar, construir e nortear nossa caminho na célula de São Paulo ao projeto do CEII e não alinhar o projeto do CEII à forma com que tem se dado a experiência de São Paulo. Não é, ainda, o momento, para mim, de propormos alterações do projeto, o momento é anterior: tomar conhecimento do projeto e tentar segui-lo para então experimentar seus fracassos.

O ponto nodal da última reunião foi um debate à cerca da inexistência do CEII e de que sua existência dependia do desejo daqueles que assumem como tarefa inscrever o nome do Círculo no mundo. O que se problematizou é que tal frase estava obscura, deixava pontos cegos e se propôs reformulá-la de forma mais clara e objetiva. Inicialmente tal proposta se deu em referência ao um outro ponto fundamental do projeto, parafraseando: “se pode dizer qualquer coisa na reunião, desde que se certifique de que o que está sendo dito, está sendo acompanhado por todos”. Até aqui, acho a crítica relevante.

Mais adiante, com o decorrer da discussão, a proposta tomou a forma de uma tentativa de simplificar a linguagem do projeto para trazer “pessoas mais simples”, o “povo”, ou, nos termos utilizados, pessoas que estão para fora dos muros da academia. A crítica é, o projeto da forma que está tem apenas atraído pessoas envoltas com o mundo acadêmico.

Porém, o que apareceu em seguida foi ainda mais significativo. Alguns membros se disseram inibidos em estender seus convites de participação ao “povo”, ao que se chama de “militante clássico”, por acharem que estes não acompanhariam as discussões ou discordariam dos nossos métodos, ou seja, o que se revela para mim ai é que antes de se tratar do projeto é preciso tratar das fantasias de nossos membros em relação ao projeto, ao que fazemos ali. Tratar das fantasias do que vem a ser uma organização de esquerda e evitar um apaixonamento por nós mesmos que nos impeça de caminhar para além do que nos é confortável (como foi dito na reunião).

Posso estar enganado, mas penso como alternativa a esse fechamento em nós mesmo temos de trazer para a pauta novamente como realizar a aproximação com o partido, penso que não seja a toa que a esse tema faltem debates e sobrem narizes torcidos. Integrar uma organização partidária é sair do academicismo, que era uma das reivindicações de quem propôs mais clareza no projeto, porque então não reivindicar essa parte, o trabalho no partido, do projeto ao invés de cobrar mais objetividade na escrita do projeto? Até porque, por mais que tentemos transformar o projeto em um panfleto convidativo a quem lê, ele sempre continuará obscuro para alguns dos outros.

NOTA #5 [06/08/2015] (SP)

Uma questão que tem aparecido com relativa frequência na célula de São Paulo começa a preocupar: “como isto funciona no Rio?”. A problemática envolta dessa pergunta não é somente a pergunta em si, mas principalmente em qual momento ela é dirigida, a saber, sempre que estamos diante de um impasse, frente a uma decisão que toca no direcionamento do trabalho da célula.

Isso implica que, nos momentos em que pensamos como manejar determinadas situações internas à célula de São Paulo, ao invés de nos remetermos ao projeto – que é de fato o que deve dar norte, direção à experiência de uma célula do CEII – nós fazemos referência à experiência carioca. Problematizar este mal hábito da célula paulistana não é mero preciosismo em relação ao projeto, de forma alguma. O que temos visto acontecer é que o CEII SP, no intuito de evitar certos equívocos da experiência carioca, temos recaído nos mesmo erros que o CEII RJ, não sem um agravante: não temos constituído nosso trajeto de maneira autônoma, mas como mera reprodução de uma experiência já existente. Pode-se até levantar a hipótese de que colocamos o CEII RJ em uma posição de mestria – a sede que dita o que as filias devem fazer.

Por isso uma leitura atenta do projeto é tarefa tão importante para o CEII SP nesse momento, é necessário ganhar intimidade com o projeto, para que possamos voltar a trilhar um caminho próprio, com experiências de êxitos e fracassos próprias ao CEII SP, podendo assim de fato contribuir nas investigações que nos propusermos fazer quando engajamos nosso de desejo em fazer o CEII SP existir.

NOTA #3 [23/07/2015] (SP)

Negri parece apostar todas suas fichas na rebelião das massas, é certo que para mim o pensamento do autor não fica claro nessa fala que teve na conferência. Ele reivindica que uma nova subjetividade será criada a partir do processo revolucionário e que tal processo só pode ter seu ponto de partida na revolta da multitude apenas ela tem o poder constituinte de criar uma nova subjetividade e propor uma alternativa para além do que está posto. Porém como seria esse processo, parece não ter sido abordado pelo autor no texto.

NOTA #1 [20/08/2015] (SP)

Se posicionar a favor de uma ética da clareza não precisa ser, necessariamente, uma oposição as possibilidades de um sujeito se vincular pelo desejo através de um texto em uma determinada proposta. O estilo, na escrita, pressupõe falta. Vazios onde o outro leitor pode se vincular e fazer série. Assim se dá a transmissão do saber que é inconsciente. Apostar nas tentativas de deixar um texto mais claro não é ignorar a opacidade da linguagem. Existe sempre um ponto de “basta” na compreensão e nas interpretações possíveis da letra. Esse barramento se dá independentemente da clareza ou do hermetismo com o qual um texto foi escrito. Considerando esta questão que é fundamental, compreendo que a maneira como o projeto é escrito tem relações com uma posição ético-politica. Parece-me superficial apoiar a atual forma de escrita na alegação de que o sujeito se vincula pelo desejo. Antes do desejo e do sujeito existe o mundo, a linguagem e sua faceta concreta. Não é possível desconsiderar. Desconsiderar é fazer psicanálise e política no vácuo e entendo que essa não é definitivamente a intenção de um coletivo que se propõe a militancia e o engajamento como um de seus pilares de sustentação e existência.

NOTA #4 [06/08/2015] (SP)

Atividades “projetuais”

A última reunião foi marcada pela chagada de dois novos membros e a efetivação de outro. Ficou decido que, além da volta da leitura dos textos “temáticos” e a continuação da tradução coletiva, uma análise e leitura mais aprofundada do “projeto” do círculo seria bastante apropriada. Talvez a palavra “apropriada” tenha sido intencional, pois a intenção da leitura é nos “apropriarmos” do que está realmente sendo dito no projeto.

Inúmeros debates estavam sendo feitos em nome do que alguns pressupunham, ou lembravam, estar no projeto e sobre coisas que, a principio, não estavam claras para os membros da célula. Uma das principais inquietações giravam em torno da real intenção do CEII e qual a relação que este realmente teria com partidos e por que este partido “teria de ser” o PSOL.

 Algumas observações foram levantadas também. Na verdade foram retomadas, pois ja haviam sido questionadas em reuniões anteriores: a influência da psicanálise nas leituras e algumas passagem, implícitas, do projeto que pressupõem um conhecimento prévio sobre o entendimento dessas passagens, mas que de modo algum inviabiliza o entendimento dele. Mesmo que há, por exemplo, uma “ética do desejo” por detrás de algumas passagens, o projeto continua sólido e ainda é, de certa maneira, a porta de entrada para os futuros membros.

NOTA #6 [30/04/2015] (SP)

Como manter uma instituição unificada mantendo as especifidades locais?

Talvez uma das questões em que está inserido o CEII é como formalizar uma organização que nem siga uma orientação a partir de um totalitarismo instituicional (ou de uma disciplina constrangedora), e nem de uma instituição sem formalização. O CEII, de fato, tenta criar uma terceira via para esse impasse: uma instituição marcada por uma positividade não-toda. Desse modo, ao mesmo tempo que esse modo de organização do círculo coloca uma questão para o modo de organização da esquerda do século XX, a partir de seu caráter facista de organizar uma instituição. No entanto, parece haver um eterno medo da esquerda cair novamente nessa espécie de totalitarismo, produzindo instituições desconexas, sem nenhuma unidade. A tentativa do CEII, então, é produzir uma instituição que tenha identidade (o projeto ocupa esse papel), mas que a indeterminação seja o seu principal fundamento.