NOTA #3 [11/12/2015] (RJ II)

Sobre o conceito de verdade em Badiou, fiquei curiosa para saber mais da sua aplicabilidade às artes. Se seria algo que dialoga ou se foge à ideologia do gênio. E em que medida isso se dá, pois entendo que a nossa forma de conceber o trabalho artístico e o papel social do artista está impregnada por esta construção do século XIX.

NOTA #2 [11/12/2015] (RJ II)

Sobre a função do SG, me parece que a nossa célula vem caminhando numa direção que aponta para um desejo de se pensar maneiras de diluir algo desta função entre os participantes, muito embora ainda não esteja claro como faríamos isso sem ferir os pressupostos do projeto. Particularmente, penso que dividir as funções que estão ligadas a sustentação material mais básica e à nossa organização dentro do CEII seria uma forma de engajar os participantes na própria concretude do projeto. Talvez algo que se some ao trabalho das notas. Acho importante insistirmos nesta reflexão.

Sobre o “abandono” do Rancière, eu faria algumas considerações:

1) Acho que foi bom para a célula. O Badiou está mais conectado com o projeto da convenção e cativou mais o grupo como um todo. Acredito que foi um acerto, ainda que este acerto tenha se dado de uma maneira totalmente “atabalhoada”.

2) Em um primeiro momento fiquei triste em deixar o Mestre Ignorante pois estava realmente gostando. Mas… em um segundo instante, isso meio que me “liberou” para dar continuidade à leitura por minha própria conta. E isso foi maravilhoso. Este livro tem sido uma baita inspiração! Um dia pretendo escrever algo sobre isso. A reflexão que ele propõe é bastante capciosa, fica difícil embarcar lendo apenas trechos, é preciso acompanhar todo o raciocínio. Fiquei pensando numa maneira de tentar colocar essa reflexão de outras formas que não somente pela leitura… mas ainda não consegui formular nada. Só sei que é preciso fazer uma aposta alta naquilo que lá está escrito. É muito precioso pra ser descartado.

3) Curiosamente, justo neste momento em que a célula está por um fio e que optamos por mudar a leitura de forma meio abrupta, sinto que nas últimas reuniões (especialmente nesta última) passamos a vivenciar a proposta do Jacotot. Noto que, na ausência dos membros mais antigos, mais experientes e mais conhecedores dos autores do CEII (embora  esta ausência tenha sido realmente muuuuuito sentida por todos), de certa forma abriu-se um espaço diferente entre nós, que eu não sei muito bem ainda como definir. Estamos meio “cego guiando cego”… e, surpreendentemente, isso me pareceu bom. Agora é ver no que vai dar.

NOTA #5 [10/12/2015] (SP)

Inicialmente, quero agradecer a acolhida.

Deixando um pouco de lado a motivação ideológica que me move até esse grupo, gostaria de comentar algumas questões práticas que pautaram a última reunião – praticamente todo o tempo.

Partindo do princípio que o grupo deve ser “autogestionado”, o levantamento das questões referentes ao gerenciamento financeiro e administrativo, passando inclusive pela possibilidade de mudança de local das reuniões evidenciou que o grupo passa por um processo de amadurecimento – o que é muito positivo – na medida em que os membros se permitem discutir questões relativamente complexas e nada relacionadas com qualquer ideia revolucionária.

Do conhecimento das teorias de grupos, oriundas da psicologia, sabemos que “amadurecer” implica tomada de posições eventualmente conflitantes com o próprio grupo e/ou membros específicos.

NOTA #4 [10/12/2015] (SP)

A chegada de alguém novo é sempre interessante, por nos colocar em uma posição de suposto saber. Quer dizer, a chegada de um novo participante em um coletivo nos leva a agir como quem conhece tudo do coletivo, suas práticas, regras, objetivos, etc, ou ao menos a ser demandado por esse outro por este suposto saber.
O interessante – que pode também ser desconfortável – é que não há um “claro” saber convencionado sobre as práticas, regras e objetivos, sobretudo no CEII. Isto muitas vezes é algo “inconsciente”, que passa a margem da consciência. Sim, temos um projeto, com regras, etc, mas nem por isso sabemos para onde estamos indo, o que deve ser feito, as razões de cada regra e prática, etc.
Isso nos questiona, e nos faz pensar, é importante. Mas ao mesmo tempo nos subtraí do “conforto” da prática cotidiana, onde as pessoas já se conhecem, com suas opiniões, acordos, histórias, que é onde há um fluxo “natural’ do grupo

NOTA #3 [10/12/2015] (SP)

Como está é a última reunião do ano, gostaria de relatar minha experiência no CEII e dizer o que eu espero para o próximo ano.
O que eu pude notar é que foi um ano de grandes mudanças na célula de São Paulo. Acredito que foram mudanças positivas e agregadoras para o objetivo de coletividade. Nunca pensei que eu poderia discutir sobre política sem algum dos lados perder as “estribeiras”, aprendi que a maioria das pessoas não fazem a menor ideia sobre o que estão falando quando este assunto é tema da roda. Fico feliz por ter esta oportunidade de conhecer e entender não só  política de fato, mas também estes filósofos e pensadores no qual eu nunca tinha tido contato. Para o ano que vem eu espero introduzir um pouco do meu conhecimento na área de arquitetura e design e quem sabe, desenvolver alguns projetos sociais com a ajuda do coletivo. Que este ano ano venha com muitas expectativas quanto à situação do nosso país e que o CEII possa ser cada vez mais ser reconhecido, usado e abusado por nós e por muitos outros camaradas que escolherem fazer parte do nosso coletivo.

NOTA #2 [10/12/2015] (SP)

Por ter ocupado a posição do +1 durante duas reuniões, me sinto um pouco capaz de falar desse lugar. De um modo geral, tudo se passou como se eu fosse algum coordenador da reunião e que era esperado de mim trazer questões para conduzir a discussão do coletivo. Achei tão complicado que me peguei falando sem pensar direito nas minhas afirmações e quando fui interpelado pela falta de sentido do meu discurso, foi produzido em mim uma atmosfera meio paranoica, achando talvez que o fato da incompreensão do que eu estava dizendo tinha a ver com a tentativa de por à prova o que eu havia dito anteriormente. Evidente que isso não é um endereçamento específico, nem pessoal, mas talvez o que ficou claro pra mim foi poder pensar alguns motivos que justificam a dificuldade em rotacionar a função. Isso porque o lugar do +1 parece pressupor uma compreensão teórica suficientemente robusta a ponto de indicar na reunião o que vai ser discutido. A partilha desses afetos e dessas impressões no interior da função do +1 de maneira nenhuma tem a finalidade de produzir um mal estar ou culpa em alguém, mas somente em apostar que se isso se produz em um, talvez outros também enfrentem a mesma situação. Na verdade, uma das questões que trouxemos nas ultimas reuniões que estive em são paulo, foi o interesse em pensar uma certa universalidade do modo de produção de certas subjetividades no interior do grupo e me senti no dever de expressar essas dificuldades. Não gostaria novamente de estar em um lugar em que eu seja desafiado a saber de alguma coisa em função das demandas grupais. No mais, me parece que houve de minha parte uma identificação enorme da função do +1, mas ao mesmo tempo, a impossibilidade de lidar com os afetos produzidos por essas identificações. Foi uma experiência pesada, em uma palavra. Inibidora a tal ponto a fazer com que eu ainda nao tenha sido capaz de subir as referências das reuniões em que participei ocupando a função, tanto, inicialmente, por não conhecer o processo, mas mesmo após as orientações do SG, ainda não fui capaz de fazer o que me foi pedido. No mais, eu acho que posso dizer que essa identificação foi inteiramente improdutiva e não acho que , ao menos na função que exerci, a minha tarefa tenha sido interessante para o grupo.

NOTA #1 [10/12/2015] (SP)

 “Chega mais”

A reunião passada foi marcada pela chegada de um novo integrante. Como de praxe, sentimos falta de algum material que introduza e informe, para além da curiosidade e interesse de cada um, sobre a rotina das reuniões semanais.

Entretanto, conforme foi observado em reuniões passadas, parte dos grupos de um subconjunto apresentou a proposta para a produção destes “kits”. Apesar das informações que estarão presentes nele darem conta do recado, acredito que ainda será necessário um certo “aprofundamento” nessa questão para que possamos produzir um material adequado.

Talvez um breve estudo ou levantamento sobre as “motivações” que levam as pessoas à participarem das nossas reuniões nos ajude a administrar e pensar melhor essa questão. Obtendo esses dados, ficará mais fácil criar uma abordagem mais “pessoal” para os interessados.

Cada um sente-se atraído por algum coletivo. Sempre pertencemos ou somos “arrastados” para um grupo, é natural agirmos dessa forma. No entanto, quando somos nós que buscamos os participantes, fica mais difícil saber o que os seduz. É desse “fator motivacional”, meio pessoal, meio universal, que precisamos.

NOTA #7 [29/10/2015] (SP)

Minha nota está limitada à primeira reunião que ocorreu depois de eu ter entrado no Círculo. Participarei à distância, portanto acho que as minhas contribuições sobre a reunião do dia 20 têm que ser vistas levando em conta o fato de minha frequência não ser na maioria das vezes o espaço físico da reunião, ao mesmo tempo em que a ocorrência do encontro importa a mim também, afinal, se todos apenas ouvirmos a reunião, não há reunião.

Sobre a questão financeira, acho importante fecharmos o valor atual de custo de funcionamento mensal – parece que R$ 700 seria a meta para criarmos eventualmente um fundo de reserva -, e discutirmos um mecanismo para levantar esse dinheiro. Isso enquanto não temos informações sobre preços e possibilidades de outros locais, inclusive as sedes de partidos, pois depois precisaremos novamente reavaliar o valor de funcionamento mensal. Eu me disponho a receber os dados de local e valor de novas possíveis sedes e organizar em tabela. Poderíamos ver também uma forma semelhante para organizar cotas para financiar a continuidade das reuniões imediatamente. Podíamos, além disso, discutir eventuais fontes alternativas de financiamento.

Achei interessante a criação de subgrupo para formular o manual do Mais Um e do SG, talvez com isso possamos inclinar a discussão para a leitura e debate de textos. Descentralizar as funções administrativas a cargo do SG também parece ser um caminho no mesmo sentido, embora eu ache que a criação de cargos específicos para isso não seja a melhor saída. Acho que podíamos levantar coletivamente questões a serem resolvidas e distribuí-las entre nós conforme surjam.

Saudações a todas e todos camaradas e espero conhecer vocês em breve.

NOTA #10 [15/10/2015] (SP)

  Não CEII de nada

As proporções na qual a nova configuração da célula está tomando são surpreendentes. É difícil listar os motivos que trouxeram essas mudanças, mas acredito que a filiação de novos membros e o aumento na atuação “político-acadêmica” (eventos) do círculo nos últimos meses, sejam alguns dos responsáveis pelas mudanças.

Está cada vez mais difícil nos organizarmos diante de tantas demandas. Elas estão atreladas às transformações em que todo coletivo enfrenta quando começa, de certa maneira, a “crescer demais”. Uma das mudanças que considero importante, por já ter participado dessa maneira, é a criação de uma célula virtual do CEII. Uma das vantagens que ela contempla é a possibilidade de abrir a participação a nível nacional e/ou internacional (por que não?). Muitos ficam impossibilitados de participar devido ao deslocamento, distância, e/ou falta de tempo.

O espaço reservado às notas permite qualquer tipo de reflexão. Mesmo as que tenham sido originadas por um “estranhamento”, não necessariamente filosófico, existencial, mas uma inquietação, pode-se dizer. É provável que a partir de 2016, as demandas por este “formato” de participação aumente. Espero que estejamos à altura para atuarmos nesta nova modalidade, que cresce cada vez mais, não para suprimir a presencial, mas para complementá-la, já que possibilita participar em tempo real também.

NOTA #4 [03/12/2015] (SP)

O processo de impedimento da presidenta Dilma é um daqueles fatos perigosos segundo o velho alerta de Hegel, de que se algo acontece duas vezes, é provavel que estejamos diante de um fato histórico.
 
Quem não conhece o processo de impedimento de Collor, a “tragedia” do congelamento da poupança popular. E quem não teme a “farsa” que esta se instalando hoje, no processo “vingança” de Cunha, na farsa das pedaladas fiscais, etc.
 
Longe de defender o indefensável segundo governo Dilma, governo neoliberal, austero, de ataque frontal aos direitos trabalhistas e a parca riqueza recentemente distribuida; o que se pretende é alertar o perigo da repetição na história. O perigo de estarmos diante de “tempos interessantes”, lembrando a velha maldição chinesa.
 
E lembrando Marx, Hegel se esqueceu nesta celebre passagem, de dizer que quando da repetição, a primeira surge como tragédia, a segunda como farsa.