Nota CEII SP #3 [18/02/2016]

Na reunião regional que aconteceu no mês de fevereiro, foi levantado uma discussão importante referente ao modo de implicação dos membros dos ceii em suas atividades cotidianas. Sabemos que o ponto comum que nos coloca no mesmo horizonte é o lugar da nota de trabalho. No entanto, exercer outras atividades, como o de secretário geral e de mais-um, além de estar implicado em outras atividades, como a conferências, grupos de estudos etc, coloca o sujeito em sua série de tarefas a serem realizadas. É nesse sentido que o trabalho, no seu sentido mais geral (tanto em relação às notas, como em relação a esses outras atividades citadas) possibilita ao sujeito uma vivência dos próprios problemas da organização. É através do trabalho que o sujeito está engajado, num sentido subjetivo. No entanto, o fato de ser um trabalho que disputa com as outras atividades da vida corriqueira as vezes anula esse próprio modo de trabalhar. A questão levantada na reunião regional refere-se, assim, a um problema enfrentado nas recentes reuniões regionais: a participação dos secretários gerais. De forma recorrente nos últimos tempos, as reuniões regionais tem acontecido sem a presença de algum secretário geral de alguma célula (no caso da última reunião, apenas um secretário geral estava presente). Vejam que isso não é um problema apenas quanto à questão da informação, ou seja, o secretário geral não é essa instância responsável pela intermediação das informações e decisões que acontecem no ceii. Ele, na verdade, é o ponto comum de uma célula local com as outras células. É a possibilidade de não agirmos apenas de forma interna, mas que o coletivo de fato funcione de forma global. No entanto, outro problema se apresenta: pelo menos no que se refere à célula de sp, sabemos que há muito tempo esse trabalho está concentrado nas mãos de um camarada, que por sinal realiza essa função de forma excelente, de modo pontual e séria. Mas também fico pensando se justamente o fato de não circulação desse lugar, não possibilita que outras pessoas possam realizar esse trabalho, lugar tão fundamental no exercício do engajamento. Sabemos dos inúmeros detalhes que um secretário geral tem que exercer, pois ele, além de ter que garantir as condições para que uma reunião aconteça, também é esse elo entre células na qual citei acima. Desse modo, gostaria de colocar para o coletivo, se os participantes estão interessados em exercerem essa atividade tão nobre, e se é o momento de tentarmos garantir que outras pessoas possam trabalhar nesse lugar.

Nota CEII SP #2 [18/02/2016]

Pessoalmente, na última reunião me senti desconfortável e decepcionado com o posicionamento de um dos membros em nossa última reunião. Ao tomar a palavra para falar sobre uma reunião prévia que houve no meio virtual (sobre evento IoC) passou a expressar pontos pessoais de seu próprio ponto de vista, atropelando completamente assuntos que foram previamente discutidos na reunião virtual e assim, distorcendo a versão do que havia sido conversado previamente.

Acredito que haja a necessidade mínima de um pouco de cuidado em falar em nome do CEII mesmo que seja para o próprio CEII, especialmente quando se busca dar voz ao que o COLETIVO se posicionou. Ao meu ver, uma coisa é expressar as dúvidas e angústias para que o coletivo possa trabalhá-las em conjunto e outra coisa diferente, é tomar as suas próprias posições para coptar os eventos de uma reunião onde nem todos participaram. Essa fórmula “Project Mayhem” do filme “Clube da Luta” em que “você sabe (do coletivo) o quanto você participa dele” gera uma sensação de manipulação burocrática de maestria stalinista enorme. E é isso mesmo que queremos? Há uma diferença entre subjetivação, engajamento e descuido. De fato, não concordar faz parte, faz partido, faz coletivo… entretanto um posicionamento desta ordem não pode advir como tradução de uma reunião e sim, depois. Um pouco mais de bom-senso pode ser de bom tom.

Muito se falava de “rodar” as responsabilidades, de mudar as mãos do SG e do +1 e convenhamos, segue o resumo SP:

+1: Daniel F., Rodrigo Gonsalves, Daniel A, Mário S., Mayara P., Victor, Jofran (atual).
SG: Carol L., Mário S., Daniel (atual),

Penso ser sábio considerar que talvez não se trate mais da dificuldade de “girar” os lugares ou da tal pressuposta inibição de assumir os mesmos lugares. Há aqui um posicionamento já secundário, que diz do que tem sido feito com os posicionamentos dentro do coletivo. Certa vez, numa nota de trabalho passada, comentei sobre o apaixonamento de ouvir a si mesmo e da dificuldade de ouvir ao camarada ao lado e acho que essa autocrítica não fora feita na célula. Enfatizo novamente há um risco claro, que Freud já denunciou, de passar de oprimido, à opressor. O posicionamento dentro do coletivo precisa preservar um modo que não seja o do “jeitinho” eu suas práticas. A lógica de filial dentro do coletivo precisa ser revista! Pois seguimos agindo como se houvesse o Pai da horda e, nos esquecendo que isso é um COLETIVO. Olhar mais para o lado, poderia ser boa uma sugestão para mudarmos o tom.

NOTA #2 [16/02/2016] (RJ I)

Em fala recente [1], o deputado Jean Wyllys do Psol fez uma declaração, no mínimo, apressada:

“Ao mesmo tempo, a crise na política refletida na sociedade é a exaustão do discurso Lula-Petista “ter carro e comer carne”, maneira pela qual a narrativa do PT crê como modelo de propaganda única. Entretanto, as práticas de consumo não são comparáveis com as lutas atuais contra as opressões, contra o machismo, homofobia, racismo e outras distinções que promovem desequilíbrios sérios em relação aos direitos humanos e matam pessoas cotidianamente.”

Apesar de querer demonstrar que “oferecer consumo” é menos decisivo que “oferecer direitos”, o que, em certo sentido, se justifica, a fala do deputado acaba por fazer uma confusão entre o real o imaginário da luta de classes. A oposição “consumo” x “direitos” é equivocada, é pseudodialética. Pois não se trata de uma oposição entre uma coisa real e outra coisa real. Trata-se de uma oposição entre uma coisa real (comida) versus uma coisa formal (leis que não necessariamente são seguidas) – e este é o engano básico desse argumento, e que se espalha por amplos setores da esquerda, principalmente psolista. A confusão desta fala não deixa de transparecer uma certa dificuldade que o partido como um todo tem de lidar com os problemas reais mais imediatos da classe trabalhadora.

Acesso não é direito. Acesso à carne é no real e o direito à liberdade sexual é no imaginário. Que a gente se desate um pouco do imaginário da luta de classe e se atenha ao seu real, sem cair em saídas assistencialistas, parece ser um dos nossos principais desafios.

Nota CEII SP #1 [18/02/2016]

Com a chegada e visita de novos membros, bem como a manifestação de alguns participantes, ponderei neste período um ponto sobre (não só) novos participantes.

Como um dos motivos que me levou ao CEII foi a proposta de um estudo sistemático, de Badiou, Zizek, etc, e já tinha algum estudo nestes autores, sempre tive a impressão de quem procurasse o CEII estaria mais ou menos na mesma situação, ou seja, com algum conhecimento prévio destes autores e com vontade de aprofundá-lo.

Entretanto, tomando mais conhecimento do que é o CEII e seu projeto, vejo que essa minha suposição era incorreta. Não só nem todos já possuem tal entendimento “básico” dos autores como também muitas vezes o interesse ou primeiro movimento que leva ao CEII nem de longe é o aprofundamento no estudo dos autores. Essas “intenções” que levam ao CEII são mais difusas, apesar de eu não achar que o direcionamento do CEII deva ser no sentido de determinar essas intenções, mas trabalhas em conjunto.

Minha questão seria: no caso daqueles que chegam sem conhecimento algum dos autores, seria possível trazermos algum material introdutório para facilitar suas inserções nos debates teóricos? Ou temos de aprender a melhor abordar os textos que lemos em conjunto? Acho uma questão importante de se pensar, ainda mais se o coletivo pretende crescer e também trabalhar com outros coletivos e outras formas de ação.

NOTA #1 [12/02/2016] (RJ II)

Andávamos meio que empacados na leitura do Badiou sem conseguir avançar no entendimento dos conceitos básicos do seu pensamento. Neste sentido, a presença do camarada 31 na reunião foi de grande ajuda, pois, a partir da sua explicação, pude dar um salto na compreensão destes conceitos, o que me levou a pensar que poderíamos estar fazendo um aproveitamento muito maior dos conhecimentos dos companheiros mais antigos, fosse pedindo uma ajuda quando estivéssemos nos sentindo “empacados’ em qualquer leitura ou ainda utilizando instrumentos como a enCEIIclopédia. Acredito que deveríamos nos comprometer mais com as leituras e levar a frente os textos, completar a tarefa que nos propusemos e extrair dela o máximo possível através dos instrumentos existentes no próprio círculo. Assim como acredito que deveríamos nos propor a conhecer um pouco melhor os autores do CEII antes de simplesmente pedir que se abra o projeto para outros autores.

Nota CEII SP #8 [11/02/2016}

Duas palavras ficaram na minha cabeça relativas à última reunião. Niilismo e cinismo. Estas palavras simples e aparentemente ingênuas, têm, como quase toda palavra ligada à filosofia, um conceito complexo. É aquele tipo de palavra que você já ouviu e leu em algum lugar, porém nunca parou para tentar compreender seu conceito em sua plenitude. Fui pesquisar o conceito de ambas palavras na internet.
 
ni·i·lis·mo 
(latim nihil, nada + -ismo)
substantivo masculino
1. Redução a nada.
2. Negação de todo o princípio religioso, político e social.
 
“niilismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/niilismo [consultado em 18-02-2016].
 
ci·nis·mo 
substantivo masculino
1. Filosofia dos cínicos.
2. [Figurado]  Descaro; impudência.
 
“cinismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/cinismo [consultado em 18-02-2016].
 
Em outro sítio1, encontrei as seguintes definições,
Niilismo é uma doutrina filosófica que indica um pessimismo e ceticismo extremos perante qualquer situação ou realidade possível. Consiste na negação de todos os princípios religiosos, políticos e sociais.
[…] Este conceito foi abordado mais tarde por Nietzsche, que o descreveu como falta de convicção em que se encontra o ser humano após a desvalorização de qualquer crença. Essa desvalorização acaba por culminar na consciência do absurdo e do nada. 
 
Cinismo, palavra com origem no termo grego kynismós, é um sistema e doutrina filosófica dos cínicos. Em sentido figurado o cinismo tem uma conotação pejorativa, sendo que designa um homem agudo e mordaz que não respeita os sentimentos e valores estabelecidos nem as convenções sociais. […]
A maior virtude para eles era a autarcia, o que se basta a si mesmo, e renunciar os bens e prazeres terrenos até conseguir uma total independência das necessidades vitais e sociais. […]
O ideal do sábio era a indiferença perante o mundo.
O contexto em que estas palavras foram usadas, referia-se a possíveis saídas que muitos expressam para lidar com o momento pelo qual a esquerda passa em nosso país. Ou seja, muitos têm expressado sua decepção com a esquerda em nosso país com uma falta de convicção com relação aos atuais partidos da esquerda e à atividade política como um todo ou uma indiferença com relação ao tema, como se suas vidas não dependessem dos rumos da discussão política. Não sei se era essa a reflexão que a discussão original pretendia incitar, nem se os conceitos foram apreendidos de forma adequada, mas é inegável que muitas pessoas, principalmente as que se dizem “ex-petistas” têm demonstrado um comportamento parecido com os descritos acima. Será que os rumos da esquerda realmente merecem tal reação?

Nota CEII SP #7 [11/02/2016]

A minha nota de hoje é sobre a dificuldade em se fazer uma nota. Eu queria falar um pouco da leitura do texto do Badiou na última reunião, especialmente por achar que ele traz coisas importantes, como a aproximação de maio de 1968 e o momento atual, viver com ideia x viver sem ideia e a coragem enquanto ‘principal virtude política’, insistindo em sua defesa e prática, etc.. Acontece que não consegui me decidir sobre qual dos pontos gostaria de escrever uma nota, esbocei alguns parágrafos e apaguei, fiquei querendo ler mais, pensando sobre a ideia de Ideia e, no fim das contas, a nota virou isso aqui. Eu não consegui sentar e escrever e ainda sonhei com isso.!

 

REFERÊNCIAS 16/02/2016 (RJ I)

CEII logo

Sobre o Esquerdismo:

Lenin, V. (1921). Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo.

Zedong, M. (1937). Sobre a Prática.

Cohn-Bendit, D., & Cohn-Bendit, G. (1961). Comunismo obsoleto : la alternativa de la izquierda.

Guattari, F., & Negri, T. (1985). Communists like us.

Bosteels, B.  A Hipótese Esquerdista. Link

 

Audio: https://soundcloud.com/ideiaeideologia/ceii-16-02-2016-rj-i
Ata: https://app.worklife.com/56c35e29f7d3d34450469c83

Nota CEII SP #6 11/02/2016

Na minha opinião, a questão financeira poderia sofreu uma reviravolta bastante grande com a aquisição de uma sala sem custos. Efetivamente, muitos de nossas conversas eram motivadas pela necessidade de pagar pelos nossos encontros. Neste momento, podemos então repensar como direcionaremos os valores adquiridos pelo CEII.

Em um primeiro momento, penso que o dinheiro juntado deveria ser gasto em projetos para o CEII, como atividades para o público em geral e em eventos que formos promover.