Nota CEII SP [07/04/2016]

O recurso as palavras já ditas é acalentador quando nos sentimos esvaziados das nossas.

E então, que quereis?

Vladimir Mayakovski

 

Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

Nota CEII SP #4 14/04/2016

Se podemos afirmar que a crise desencadeada nas ruas após junho de 2013 proporcionou primeiramente uma ruptura da “realidade” com o nivel da representação política e depois uma própria crise do nível da representação devido a essa ruptura da política real, com a votação do impeachment em abril, podemos afirmar que a representação “cobrou” a condução da politica, atraves de sua mediação, de volta. E isso foi o que ocorreu.
Se o problema era que a política institucional havia demonstrado seu “furo” de representação, levando ao irrompimento da crise política. Agora, com as manobras pela votação do impeachment trouxeram a política de volta para Brasília.
O governo temer seria a primeira tentativa de um ponto final, ou se preferir,  de uma sutura no “furo” da representação que foi exposto.

Nota CEII SP #3 14/04/2016

A importância de CEII principalmente para o que estamos passando hoje em nosso país é essencial para quem quer aprender, discutir ou simplesmente expressar uma opinião sobre política. Por experiência própria, entrar neste coletivo me faz ver, entender e aprender a cada dia que sim, é muito importante e interessante discutir política. Não podemos deixar que tudo o que está acontecendo passe desapercebido pelas nossas vidas, vivemos neste país e temos o dever de ao menos tentar torná-lo um país mais justo, pensante e menos ignorante.

Nota CEII SP #2 14/04/2016

Fazer ou não eventos internos do CEII? Essa foi uma das questões apresentadas na reunião. Particularmente gostei da proposta por permitir a exposição de ideias em um ambiente familiar a todos ao mesmo tempo que nos familiarizamos com a estrutura dos eventos mais formais. Falta discutir vários aspectos ainda, mas a ideia é promissora. Outro ponto destacado, quase no final da reunião, na leitura de notas, foi sobre a identificação ou não dos autores das notas. No geral, acredito que o anonimato é importante para que as ideias fluam melhor, sem âncoras. Porém, se o próprio autor da nota se identificar, obviamente isso não é um problema. Só acho que devemos ter cuidado para a leitura de notas não virar uma espécie de “lista de chamada”, onde cada participante é citado antes da leitura da nota.

Nota CEII SP #1 14/04/2016

A questão do formulário de desistência suscita alguns debates interessantes, mas eu acho que por vezes a insistência em saber os motivos pelos quais alguém decidiu sair do coletivo pode não ser tão produtivo quanto parece.Afinal, se parte daquilo que mantém a participação é o desejo, também o é para quando se decide deixar de participa.

Por essa razão, acho também que muitas vezes nem o próprio participante que está deixando o grupo sabe muito bem porque está saindo do coletivo. Então acho mais justo deixar o preenchimento do formulário de saída como uma opção, já que este pode trazer ainda mais angústia para um momento que já pode não estar sendo tão fácil.

NOTA #4 [22/03/2016] (RJ I)

Só para organizar nossas cabeças, hoje o CEII está envolvido em:

– uma conferência internacional em 2017

– um colóquio na USP em Maio

– tradução de dois livros, um completo, outro em revisão

– negociação com a Boitempo para publicação de ambos

– criação de uma associação

– criação de um projeto de parceria com a academia para bolsas de estudo

– criação de uma linha de camisetas

– grupos de estudo de Hegel e Freud

– grupos de pesquisa em português e inglês

– atividade de escuta na feira da pavuna

– criação de célula em Cuiabá

– criação de célula em Porto Alegre

– formatação do projeto do CEII para alteração

Eu sinto falta de um lugar onde a gente possa visualizar tudo isso – reformular o site realmente seria uma mão na roda… 

NOTA #5 [19/04/2016] (RJ I)

“A esquerda não inventou ainda sua “racionalidade” governamental específica. Porque, nessas referêcias teóricas, governar todos somos. Autogovernamos e governamos os outros. Sempre conduz econtraconduz. É inevitável. Não tem como escapar disso. O problema é que sempre adaptamos, enxertamos, da teoria francesa ortodoxa. Nos enxertamos em governamentalidades dos outros. Social democrata, keynesiano, liberal, ou bolcheviques, se nós quisermos. Os boncheviques repetiram Saint Simon. Socialismo de caserna é isso.

Bom, sabendo que o governo é inevitável, devemos saber o que é uma condução e uma autocondução que ao mesmo tempo não seja um governo nesse sentido falido. Isso no Brasil é mais complicado. Porque nós inventamos um governo de esquerda. É esse que faliu agora. E faliu de forma ignominiosa.

(…)

Só que nossa tarefa de inventar um governo de esquerda. Não um governo no sentido trivial, administrativo. Não é disso que se esta falando. Mas de produção de novas subjetividades. Como se organiza? O que é um coletivo que vai para a rua? Como ele se autogoverna? Como ele se conduz? Como ele influi? Como ele contamina um conjunto de pessoas?

(…)

Como vamos nos governar agora?”

Paulo Arantes, Abertura democrática e razão neoliberal.
https://www.youtube.com/watch?v=6NfgYh9lafE

NOTA #4 [19/04/2016] (RJ I)

Fica se pensando na relação entre efetividade e causalidade. Como perceber esta relação na dimensão do real?

Haveria efetividade nas manifestações em si? Fala se que o golpe de 64 se sustentou mediante apoio da sociedade civil. Houve naquele tempo as manifestações e marchas por Deus e pela família, mas os militares se sustentaram no poder pelo apoio da população , ou o “milagre econômico” é que realmente [Real] sustentou materialmente, economicamente o regime?

De fato o poder aquisitivo era grande na época. Se tomarmos o momento econômico por base, podemos arriscar que manifestações de apoio ao golpe foram irrelevantes para a tomada de poder. Não só por conta de questões econômicas mas evidentemente por poder de dissuasão isto é, poderio bélico.

A época parcela da esquerda viu na guerrilha uma proposta para um contragolpe, apostou se então em uma ideia de efeito e causa? [Teria a guerrilha mais efetividade do que manifestações por exemplo?] No campo houve inclusive em nível mais amplo, um trabalho de militância e formação política no sentido de “conquista dos corações”, foi assim na guerrilha do Araguaia por exemplo e em nível maior anteriormente na coluna prestes, ou na marcha de Mao pela China.

Para o momento hoje, uma passeata nos centros das cidades direcionadas a órgãos de Estado, ou passeatas em favelas, possuem efetividade de causa?

NOTA #3 [19/04/2016] (RJ I)

USP Laboratório de Psicanálise e Sociedade

 

Introdução geral à filosofia de Alain Badiou

 

A filosofia de Badiou se difere das filosofias que propõe a própria inconsistencia do projeto como prova da validade dele. Trabalha com a sistematização e a consistência se opondo a doxa da filosofia atual e do pensamento emancipatório, de que a única porta de saída da liberdade é a inconsistência e o indizível.

 

O que a ontologia pode fazer? Quem faz a ontologia é a matemática, mas os matemáticos não  sabem disso.

 

Trata-se de uma proposta além de todo narcisismo?

 

Exposição de algum coisa cuja consistência racional está  condicionada ao engajamento de uma pessoa a algo inconsistente ontologicamente.

 

Sem participar da ideia a ideia não é uma ideia.

 

19’49

 

Pensamento político e comunismo

 

Experiência existencial da militância.  Processo em que o engajamento a uma coisa vaga, indeterminada e inconsistente, torna essa coisa consistente. A consistência vem depois do engajamento, e a consistência excede o engajamento.

 

Em Hegel (Freud), o pensamento é uma disjunção do ser, isso pensa e não o ser pensa. Não o Eu e nem o Outro, mas Isso (para Lacan, uma cisão, um divisão, onde você pensa, você não é, onde você é, você não pensa).

 

Ali onde meu ser participa da composição de um pensamento, não tenho acesso ao pensamento do qual faço parte, e lá onde você tem acesso ao pensamento, você não está engajado, compondo o pensamento. O engajamento torna consistente o ser de uma verdade. É preservada a cisão Lacaniana, introduzida na relação ser e pensar, sem o terceiro termo formalizado como Isso.

 

A diferença entre o ideal e a ideia, a relação do Isso com o ideal é de disrrupção da identificação, e ali onde o ser pensa, o que interrompe o ideal não é um corte, mas uma ideia, a possibilidade de uma outra coisa, diferente de outra coisa sem conteúdo, o desejo.

 

O pensamento daquilo que é tornado consistente com nosso engajamento, não é o pensamento do qual dispomos, mas o pensamento que compomos. Você compõe o pensamento, se incorpora um corpo suporte do pensamento. E, o ponto onde você pode dispor do pensamento, não é a consciência.

 

O suporte do pensamento que eu posso apreender, não é o suporte do pensamento que eu componho. Uma teoria do pensamento sem pensador e a tentativa da filosofia de introduzir um pensador a altura desses pensamentos, sempre a posteriori.

 

A unidade da teoria e da prática, conceito mais simples de práxis, pressupõe uma teoria de pensamento, onde tem uma teoria e se aplica a teoria, disposição do pensamento e a pratica onde voce compõe pensamento. E estes dois lados tem que estar atrelados.

 

O pensamento está ligado a produção de uma indiferença, de uma coisa que é comum, não porque é positivamente comum, mas indiferente a todos os múltiplos de uma situação, tornando legível o que é indiferente a todos detalhes daquela situação, e portanto concerne a todo mundo, essa produção de indiferença é uma espécie de unidade negativa da teoria e prática.

 

Pensamento como unidade não dialética ou inseparável da teoria e da pratica. A circulação é o movimento que o pensamento une.

 

Forma relacionada a certas abstrações, tornar-se indiferente a certos elementos. A forma produz indiferença, descolamento localizado das particularidades daquele mundo, estar engajando numa coisa dessa é não pertencer a situação, então, se numa outra realidade e num outro momento histórico, alguém também não pertence a uma situação, vai estar ocupando o mesmo lugar que estava sendo ocupado na outra época. Deste modo, preserva-se a ideia de eternidade. Há uma separação das particularidades, sem conteúdo. Não possuem uma particularidade que você pode negar, e dizer que ela são diferentes, pois elas estão juntas por indiferença, e não juntas por uma diferença específica. Uma equivalência feita pela indiferença, nunca vai produzir uma diferença que vai separa-las. Uma espécie de eternidade negativa. Como um principio que você afirma e tira as consequências, não vai aparecer uma contradição.

 

Um materialismo transcendental.

 

Estar juntos por uma diferença específica ou estar juntos por indiferença, como estar junto sem identificação a algo, ou como se identificar a indiferença, de tal modo que se faça uma unidade?

NOTA #2 [19/04/2016] (RJ I)

Parece que depois do espanto, o que sobrou do domingo do impeachment foi o niilismo. No entanto, observando com mais cuidado, o que aconteceu na votação do impeachment não foi nenhuma novidade. A única novidade foi a classe média de esquerda ter se reconhecido no lugar de ignorância em relação ao país. Por exemplo: há não muitos quilômetros da ZS do Rio, há uma baixada fluminense ainda comandada por matadores, tipo Zito, Ozias Mocotó, Washingotn Reis e cia.E advinha quem tem muitos votos por lá? Sim! Ele, Eduardo Cunha.
Curiosamente, coxinhas e petralhas se igualaram no espanto diante da bestialidade do congresso.
Mais uma vez, surge a nossa famosa pergunta: o que fazer? Para mim, continua o mesmo de antes: organização, organização e organização. A organização diante de um governo Temer pode ficar pior? Pode. Mas não muda em nada o objetivo.
Sem perder tempo, tomemos o instrumento que temos em mãos (ou que ele nos tem…):
Acho que seria bom o CEII fazer uma autoavaliação dos últimos meses. Nós estamos tendo muitos eventos, mas estamos aproveitando pouca eles para o crescimento da organização. Também precisamos pensar em projetos de sustenção financeira do CEII. O AssociaCEII está para sair e já podemos começar a formulação de projetos. E na célula I do Rio de Janeiro retomar o trabalho teórico, voltando a leitura de nossos autores.