NOTA #4 [26/04/2016] (RJ I)

(…)

G: na hora que bate a angústia no coletivo é um salve-se quem puder né, todo mundo querendo dar sentido

alguém falou que ela estava sendo “maternal” (não “alguém”, um “analista”), ela achou que a pessoa estava tocando em algo “real” dela, etc etc.. e pronto, todo mundo pessoalmente sofrendo, só o espírito do coletivo é que se fode

 

G: pqp

 

G: não é a toa que vc ficou angustiado (e eu tb).. fica essa angústia correndo e ninguém assumindo né rs

 

G: Pois é, rs

Mas não deixa de mostrar que há um laço aí, não?

 

G: é, pois é – a parada é usar isso agora pra ver se ela fica é

*né

 

G: Acho que sim — mas de onde vem essa nossa insistência para que ela fique? Qual o sentido e fundamento dela? Ou é só uma aposta sempre tentar que as pessoas fiquem? Eu sei lá, essas coisas me levam em colocar em questão até isso.

 

G: cara, na real, eu acho que a única razão pra insistir é pq é do nosso interesse testar se o coletivo é capaz de absorver os incomodos da camarada e se transformar pra ser compossível com eles – esse princípio de que os problemas são o bem comum do ceii e as soluções é que são privadas, eu acho bem legal e é mt bom ver os efeitos de tratar os impasses – que normalmente quem tá incomodando trata como algo secreto ou íntimo – como algo que consideramos precioso… se a pessoa não quiser dividir, tudo bem, mas acho um bom exercício demonstrar sempre que possível que o valor tá mais nesses incomodos do que na hora que ta tudo bem – é essa postura que pode impedir que isso se repita

 

e mais tb né… a pessoa tem toda liberdade pra ir – até pq se entrar no ceii é difícil, sair é impossível, a pessoa pode até sair, mas é como se agora virasse um membro em potencial heheh

pode voltar “a qlq segundo”

G: O totalitarismo (potencial) do ceii está nessa interpretação da modalidade do possível…

A hipótese eu entendo e aposta no experimento também e tal, o laço pelo problema, etc. — mas tem horas que eu não desanimo de mim, saca, mas duvido do projeto msm… Em horas como essas, por ex.: mas sou levado a achar que é fraqueza, por outro lado: pois a própria Mayara se esforça no texto para afirmar e reafirmar a hipótese que sustenta o experimento do ceii. Ora, não será essa mesma hipótese o problema, e o funcionamento da coisa uma dimensão superegoica perversa mais ou menos explícita?

G: entendi nada, cara

 

G: Hahahaha

Nem eu sei se entendi

 

G: ué, mas q q tem de errado em duvidar do projeto?

tranquilo ué

G: E da hipótese de fundo?

G: agora, todo lugar onde a liberdade está em jogo, nesse buraco mesmo sem determinação, o superego sempre pode surgir – a diferença é se a gente conta com ele pra funcionar ou se a gente tem chance de dar um passo além de vez em quando

G: “ou se a gente tem…”: é aí que minha fé desespera, e corro para os braços do pai.

G: dizer que a nota pode ser sobre qualquer coisa é real, pode mesmo, mas todo mundo fica sob pressão – do mesmo lugar que não se cobra nada, pode vir uma cobrança infinita.. isso não tem como evitar a priori, o que a gente aposta é que diferentes formas de organizar vão fazer diferentes usos dessa dimensão superegóica -por exemplo, tem organizações que tentam se beneficiar do superego de cada um, sugerindo que essa cobrança vem dos seus ideais, de sua legitimidade, etc. conseguir tornar o superego um problema e não a solução, não é mole… e é isso mesmo, pode dar errado, e pode até mesmo ser um desafio que angustia tanto que era melhor ter um anteparo entre nós e essa indeterminação (um paizão pra mediar)

 

não temos uma hipótese de fundo

temos uma hipótese pra substituir o fundo – e nisso, bem, as vezes se afunda

 

G: Pois é. E tenho a impressão que sua fé e de alguns outros nessa aposta funciona como esse anteparo (para mim, muitas vezes, ao menos)

Eu acho isso bonito até.

Acho uma dimensão da política como amizade que falta explorar

Mas tem horas que a coisa vem que vem e é foda.

Pode ser fantasia, mas a impressão é: caracoles, não importa o problema, a fé do G. (ou do C., ou do R.) não vacila!

E fé=, ou pode ser =uma certa dimensão de disciplina para fazer seja o que for, que segue seu rumo suspensa no abismo

 

G: cara, isso aí é de cada um – quem quiser estar no ceii acreditando que eu acredito, pra não precisar levar a coisa de frente, tranquilo. o ceii não é análise, pode ser como for – quando a pessoa sentir que ela pode ter prazer em fazer algo que realmente não sabe no que vai dar, o ceii vai estar lá pra ela se servir dessa dimensão. isso que vc tá sentindo eu sinto todo dia, eu e o R. já falamos em pular fora umas trocentas vezes. o ceii não precisa nem da fé, cara, precisa só que escrevam as notas mesmo rs. quem tem fé é o coletivo, nao as pessoas – parece místico, mas é bem verdade.

agora, isso que cê tá sentindo, essa angústia, é o cerne da coisa mesmo – saber o que fazer com ela é uma questão infinita, mas é também de onde muita coisa bacana e transformadora pode sair.

 

vale a pena pensar no que o post da M. te tocou – pq eu tenho a impressão de que é só na sua “fé oscilante” na coisa é dizer de menos – não é o “totalitarismo latente” do ceii, não é a possibilidade de que a hipótese esteja errada.. fala sério aqui, se fosse isso teria aparecido em quinhentos outros momentos pra vc, e não justamente na hora que uma camarada tá saindo sem questionar o ceii – dizendo, pelo contrário, que ela não tá aguentando lidar com algo que considera legal e correto

 

G: Por isso que identifiquei fé com disciplina, rs: acho que é nesse ponto que o “individual” toca no “coletivo”

Mas fico feliz de vc dividir essa do pular fora. Me sinto mais camarada de vcs agora.

G: po, vc só não sabia disso antes pq não queria mesmo

rs

 

G: hahahahaha

 

G: o que eu acho mais engraçado é isso, cara

 

G: só a distância do CEII é que preserva as ideias que costumam levar as pessoas a sair – seja não trazer as coisas pro coletivo, seja não querer saber o que se passa com as pessoas supostas estarem aguentando as pontas ou sabendo das coisas, etc – é um mecanismo maluco em que a retração produz a substância que justifica o distanciamento

 

o ceii relamente, sem sacanagem, é um treco muito vazio – você pode tanto se regozijar nessa ausência quanto usar de “cumbuca” para uma substância espectral

cada vez mais eu acho que a única coisa que a gente conquistou foi ter democratizado o acesso a esse gume, que pode ir pra um lado ou para o outro dependendo de cada um

 

G: O ceii é foda mesmo. Em todos os sentidos.

 

G: é uma merda isso mesmo rs

mas cara, eu acho que vc podia falar lá com a M., se bobear te faz bem tb ahha

 

G: É o que consigo dizer agora. Tô boladão, mas agora de entusiasmo. Badiou ficaria feliz.

 

G: Hahahaha

 

G: Hahahahaha

 

G: Badiou é um bom anteparo para a angústia <3

podia ser uma camiseta

 

G: Sim!

E tem sido: nos deslocamentos entre os trocentos compromissos, tenho ouvido o curso lá de São Paulo. Do caralho.

Cobre minha angústia de não estar conseguindo estudar também.

E se isso tudo aqui virasse uma nota, o que acha?

 

G: acho tudo bom ahahah

 

G: Hahahaha

 

G: a essa altura do campeonato eu não tenho ilusões: somos todos uns malucos, era mt mais fácil largar essa merda e ir fazer algo de útil. é que nem virar analista: se alguém me fala isso na clínica, eu trato como sintoma – que ideia de maluco…

 

G: “Em se plantando, tudo dá” ou “não tem tempo ruim”: essa é a impressão que tenho de vc e do ceii na maior parte do tempo.

(por falar em idéia de maluco abri logo a comporta)

G: ahahah, só se for que não tem tempo ruim pq tá sempre chovendo

 

G: Quem só tem o nada só tem a sua disciplina

Eu compraria essa camisa

 

G: hhaha

mas tá aí uma boa definição de disciplina

o que transforma não ter nada em ter nada

 

G: Exatamente o que pensei.

Vou transformar essa porra em nota. (…)

 

NOTA #3 [26/04/2016] (RJ I)

Qual é a diferença entre o Real, o Simbólico e o Imaginário?

 

Segundo Christian Dunker, o Imaginário é desenvolvido a partir da referencia que Lacan toma da Etologia, da consideração que o ser humano é um tipo de animal, portanto existem processos de nossa espécie que interfere a nossa relação com o outro, por exemplo um sorriso, a captação na imagem da face de um semelhante, a distância para face da mãe, uma série de automatismos que diz respeito a nossa relação com a imagem, caracteristica que tem o Homo Homo Sapiens na relação com a imagem. Depois Lacan evolui a noção de imaginário para o imaginário da linguagem, nossa ilusão, nossa alienação de que existe uma compreensão, de que o que eu falo vem da minha cabeça, passa pela minha linguagem e é decodificado pelo interlocutor, que entende ou não o que eu digo, em funçao de certos problemas de comunicação. Essa expectativa de entendimento, de completamento entre um e outro, compreende o campo do que Lacan chama de imaginário da linguagem. É o campo da alienação, é o campo das identificações, o campo que nós falamos a partir do nosso ego, instância de desconhecimento, paranoica, e de projeção. Antropólogos já descreveram nossa mania de imaginar que os outros são como agente, o mundo dos outros é o mundo da gente, e o que aquilo que agente entende por aquela palavra é também o que os outros entendem por aquela palavra, e essa assimetria, essa reciprocidade e essa semelhança, faz com que agente diante daquilo que é estanho, que não consegue reconhecer como idêntico ao nosso, agente reaja com agressividade, como ofensa ao nosso ser e ao nosso modo de viver. Esse é o plano das relações imaginárias.

 

Por usa vez, o Simbólico corta e atravessa esse plano e Lacan vai articular e ligar o inconsciente com o simbólico, e tirar essa noção de simbólico da Antropologia, de Claude Levy Strauss, e da Linguística de Ferdinand de Saussure, ou seja o simbólico é um sistema, e um conjunto de posições, de lugares onde nenhum elemento tem uma significação ou significado em si, tudo é inferido a partir das relações que aquele elemento tem com o conjunto, com a totalidade. Então, quando Lacan diz o inconsciente é estruturado como uma linguagem ele está dizendo é que o inconsciente corresponde as formas simbólicas, do parentesco, do édipo, dos mitos, das narrativas, das trocas econômicas, do discurso, das relações de gênero, da sexuação, e assim por diante. A teoria do Lacan vai desenvolvendo, expandido esse entendimento que vem a ser o simbólico.

 

E, o Real é a terceira dimensão que vai ocupando mais importância no final do ensino de Lacan e que tem uma distinção preliminar com a realidade. O Real não é a realidade, mas aquilo que se tem que tirar e subtrair da realidade, que é um compósito simbólico-imaginário que apresenta-se para nós como uma totalidade integrada, harmoniosa, unida, dotada de sentido, ou seja, o Real é aquilo que não tem sentido, aquilo que não se integra, aquilo que é abjeto, o heterônomo, o impensável, o que não pode ser nomeado, aquilo que resiste, e aparece para nós a partir de repetições, que tomam a vida de uma pessoa, e ela diz por que será que isso se repete e não há nenhum sentido nessa repetição, que não é nem para o bem nem para o mal, só que nos perturba. Então é chamado por Lacan de Real. O encontro com aquilo que é o impensável, o impossível, o impossível de representar, vai designar isso que escapa ao simbólico e ao imaginário. A clínica lacaniana se notabiliza nessa espécie de direção ou de orientação para uma experiência que reacomoda nossas relações simbólicas, comprime a dimensão imaginária, narcísica, e nos confronta com nossos limites, nosso impossível, nossa castração, que é o que Lacan chama de Real.

 

Referência: https://www.youtube.com/watch?v=aokkRvErfvM

 

NOTA #2 [26/04/2016] (RJ I)

No Stalinistão os operários são constantemente explorados e oprimidos. Após anos de exploração e meses tentando marcar reuniões com os representantes das fábricas, os operários decidem que vão entrar em greve e parar a produção.

FABRICAS

Os operários iniciaram a greve na primeira fábrica e duas semanas depois já são 14 fábricas em greve em todo o país, depois de 1 mês já são mais de 70.

Durante a greve os operários promovem atividades. Pessoas simpáticas a greve se voluntariavam para produzir essas atividades, essas atividades são tanto ligado ao trabalho na fábrica com o objetivo de preparar o operário para a fábrica quanto para outras atividades que não são requeridas na fábrica. 

Em consequência da greve as fábricas estão vazias, os operários se organizam em grupos para cuidar das fábricas, formam comissões, como limpeza e segurança.

A greve tem pautas, uma pauta coletiva e pautas individuais, que variam de acordo com as necessidades especificas de cada fábrica. Para criar as pautas os operários intensificam o diálogo entre as comissões de greve de cada fábrica, assim criam uma comissão unificada de greve.

PROBLEMAS DA GREVE

Durante a greve aparecem problemas internos e externos. Problemas internos como a falta de organização, a confusão e a imaturidade de muitos grevistas. Entre os problemas externos o pior é a apropriação e imposição de movimentos políticos no movimento.

MOVIMENTOS CONTRA A GREVE

Outro grande problema da greve são os movimentos contra a greve, esses movimentos são formados pelos gerentes das fábricas, alguns(uma minoria) de supervisores, o ministério das fábricas e até mesmo alguns operários que discordavam da greve. Assim alguns operários contra a greve criam um movimento para acabar a greve e voltarem ao trabalho.

O movimento anti-greve se baseia em ideias de uma direita conservadora e reacionária, que tem dificuldade de sair do senso comum e teme tudo que é novo, alguns tratam o movimento de greve como um movimento de “vagabundos” pois eles não estão trabalhando(nota na nota – alguns desses seriam parecidos com eleitores do Bolsonaro). Dizem que preferem produzir em condições ruins do que deixar de produzir, pois consideram uma luta perdida e um “modo errado de lutar”.

Outro problema que causa os anti-greve é a falta de consulta, durante as assembleias de greve, alguns operários não foram nem mesmo consultados se aceitariam a greve, isso criou um tipo de rivalidade pessoal entre os operários que iniciaram o movimento e operários contrários ao movimento.

ATAQUE DOS ANTI-GREVE

O movimento anti-greve resolve atacar os operários em greve para liberar as fábricas. Então resolvem fazer pressão direta, essa pressão inicia por conversas que viram discussões e com o tempo acaba virando enfrentamento físico. O ministério das fábricas apoia o movimento anti-greve e o divulga. Mas durante os atos violentos o ministério se cala e além dos operários anti-greve outras pessoas que não são das fábricas participam para receberem dinheiro por essa participação. 

Nota CEII SP #6 [12/05/2016]

Gostaria de escrever um pouco sobre o evento que tivemos. Acho muito importante o CEII como coletivo, realizar eventos como o que acabamos de realizar. Tanto para o próprio coletivo e a interação entre os membros, quanto para a divulgação e a exploração de nossas ideias e interesses. Parabenizo todos os camaradas pela pratica de coletividade que tivemos, e venho mais uma vez através desta nota, propor que seja criado um grupo de marketing e propaganda dentro do coletivo. Acredito que ajudará bastante não somente nos eventos, mas em todas as atividades que o coletivo possa participar ao longo do ano.

Nota CEII SP #5 [12/05/2016]

Achei ótima a organização do colóquio,  e a posteriori, percebo que houve a materialização dos projetos e ideias naquela sexta feira treze incrível!
Foi muito bom mesmo. E no contexto de greve, o evento foi respeitoso para com a mesma.
Se a última reunião girou em torno da organização, na próxima seria interessante o balanço e troca de impressões sobre o evento.

Nota CEII SP #4 [12/05/2016]

O evento na USP foi realmente muito legal. Parabéns a todos! Penso somente como poderíamos fazer para pensar em algo com um formato diferente, mais parecido com um debate, que envolva mais as pessoas da “plateia”. Acho que pensar nisso da forma do evento é uma maneira de tentamos buscar o que seria uma relação do CEII com outras instituições e organizações com base no projeto que nos orienta.

Nota CEII SP [05/05/2016]

Participei neste dia via internet e foi muito interessante. A ideia de começarmos a reunião pela leitura vai fazer muita diferença. Acho que tem duas reuniões que isso vem sendo feito e parece estar funcionando muito bem. Como várias notas sempre apontaram para isso que estávamos falhando, talvez a gente tenha conseguido encontrar um caminho para que algo fundamental no CEII seja posto em prática de fato. A ver como segue.

Nota CEII SP #3 [12/05/2016]

Nesta reunião que antecedeu o Colóquio Psicanálise e a Hipótese Comunista, nos reunimos com todos os camaradas que já estavam na área para nos organizarmos para o dia seguinte. Além do clima de confraternização, o que me impressionou foi que no dia do evento as pessoas que se comprometeram com cada coisa foram incansáveis (apesar de exaustas!). Foi muito bacana ver todo mundo trabalhando – na tarefa fundamental dos bastidores e nas mesas – fazendo acontecer o evento e, no fim, ter dado tudo certo. Eu quis salientar isso em uma nota, porque acho que é algo que foi decidido coletivamente neste dia e que vimos acontecer no dia seguinte do jeito que organizamos. Valeu demais, camaradas!

Nota CEII SP #2 [12/05/2016]

Confraternizaceii:

A última reunião foi uma espécie de confraternização do CEII, que se prolongou até o colóquio na USP. Um misto de coisas que se apresentaram por lá, mas acho que ainda há um ranço de academia do CEII que a gente ainda não aprendeu a lidar. Acho que é importante mesmo a gente saber ouvir isso do “chá das 5” que o Paulo Arantes, menciona em sua fala. Pois sim, o CEII tem algo de diferente, mas ele não pode se esquecer que é um coletivo, não pode também deixar de lado uma série de coisas que hoje estão ficando para trás enquanto a gente mergulha nos estudos, se envereda pelas tortuosas avenidas do saber academicista de nossas discussões e esse nosso apaixonamento teórico. O CEII não é só isso, e mais do que isso, não sei se o CEII sabe disso, mas o CEII também não é para ser só isso. Não é dito espirituoso, fanfarronice dialética, a gente dizer que não é um grupo de estudos e acho que a gente tem mesmo que parar para justamente colocar isso mais perto da realidade do CEII em nossos debates e fundamentalmente, em nossa prática; fazer isso passar por outras conversas e sei lá, saber meio que entender se a gente consegue responder isso de ser “chá das 5” ou se temos como dizer que “chá das 5” é de fato, o que há de mais revolucionário diante da nossa hipótese. A hipótese do comunismo e o pensamento da disjunção política do voto “numérico” do voto “investigativo” do qual versa o nosso projeto, dentro da nossa prática e de nossa disciplina, consegue coisas interessantíssimas, de fato, mas há um saldo que precisamos saber fazer e também, uma possibilidade de discutirmos o que está se passando agora em outros termos.

Nota CEII SP #1[12/05/2016]

Mando conversa que tive hoje com Fred. Acho que é a elaboração mais fidedigna sobre o que venho pensando.

Fred

e ae?

que tal o colóqui?

 

Leojorge

Salve, senhor. Foi bem legal. Acabo rolando tudo certo.

Mas confesso que senti falta de alguma realpolitik

 

Fred

ehehehe

tipo o que?

 

Leojorge

Não sei bem ao certo… acho que é mais um coisa da minha situação. To desempregado há um tempo já. E ando muito indignado com a ausência de ataque ao peleguismo do PT e essa falta de responsabilização dos pelegos por essa situação calamitosa.

Ando muito interessado em bater nessa crítica moralista contra o ódio. To lendo o livro do Rancière “Ódio á democracia” e acho que falta ali um entendimento da sensatez do ódio. Acho o entendimento do “facismo” é muito razo e isso contribui pra a gente se manter refém dessa “política de gestão da catástrofe” (como falaram o Paulo, a Sílvia e Joelton).

 

Fred

cara,

mas tem espaço no CEII para isso!

vide Sílvia e Joelton, e até mesmo eu acho que tenho me interessado mais por isso também

até por que, tem muito de uma aplicação política de Adorno, e tem o lance de Agamben também, mas não sei, não tenho conseguido pensar esses dias, é agir e escrever coisas acadêmicas

mas e dos trabalhos? e dos debates ontem? que achasse?

 

Leojorge

Cara… acho que minha capacidade de entender o que tava sendo discutido ali fico bem comprometida por esse meu incomodo. Confesso que teve horas que eu pensava “mas isso aqui server pra que?”.

Por mais que eu reconheça que pensar é fundamental. Por mais que concorde que, em certa medida, a gente que tenha resistir à urgência de “fazer alguma coisa”, fico com a impressão de que algo da urgência não necessariamente impele a uma ação irrefletida, a uma repetição.

Mas pra não deixar de falar do colóquio te diria que a fala do Paulo Arantes foi o que mais me marcou. Ele falou do filme “Branco sai preto fica” pra falar dessa paralisia da esquerda que ta presa no passado, só pensando em reparação, enquanto a classe trabalhadora superexplorada quer mais é explodir a porra toda.

Fred, tu se importa se eu mandar essa nossa conversa como minha nota?

 

Fred

uê, claro que não!