NOTA #3 [29/04/16] (RJ II)

Gostaria de saber o que os membros da célula pensam sobre a possibilidade do engajamento surgir por si só por força de um fator causal exógeno.
É possível conduzir alguém ao engajamento na teoria e na prática militante? Pois me parece que esse é um grande problema do movimento militante em geral, o aspecto que toca sobre o comprometimento.
Dependemos sempre de um “despertar” do sujeito, totalmente contingente e nunca garantido? Ou uma ação militante sobre as pessoas, por si só, tem toda a força necessária para engajar o outro?

NOTA #3 [17/06/16] (RJ II)

Zoé é a vida propriamente biológica. Bíos são formas de vida constituídas por um indivíduo ou uma comunidade. Forma-de-vida é algo que não se resume nem à zoé, nem à bíos.

Uma diferença, portanto, na escrita: bíos não pode ser confundida com forma-de-vida. Bíos é forma de vida. Forma-de-vida é forma-de-vida –  isto é, um hífen altera todo o nosso horizonte de Ideia!

NOTA #2 [17/06/16] (RJ II)

A noção de vida que a esquerda precisa incluir na sua forma de militar não teria de estar apartada da “ideia de humano”? Que é isto – o humano?

Há talvez três críticas interessantes quanto a isto: 1) a crítica foucaultiana em quase toda a sua obra quanto aquilo que a modernidade precisou chamar de humano e como que essa categoria (“humano”) é jurídica e, portanto, refere-se aos mecanismos de punição e manutenção do poder estatal (que, consensualmente, é definido pela sociologia como “monopólio da violência”); 2) a crítica marxiana, n'”A questão judaica” à contradição entre um ideal de direito humano (que a modernidade estampa como bandeira, o homem portador de direitos universais) e sua real materialidade; isto é, por mais que a modernidade postule um ideal de humano, ela não consegue materialmente dar garantias de realização desse ideal de humano. As relações propriamente materiais travadas no capitalismo seriam a condição de im-possibilidade, para dizer em termos deleuzianos (de um proto-kantismo), do ideal de homem; 3) a crítica badiouana que enxerga o humano como “animal humano”: isto é, a realização de grandes feitos não depende do que concebemos como humano, visto que este é um mero animal em busca de sua sobrevivência; caberia então à política despertar aquilo que é para-além-do-humano no humano: seu desejo de Ideia.

Nota CEII SP [09/06/2016]

A partir da fala de Mao de que a burguesia  (e junto com a esta a própria luta de classes) se restabeleceu no interior do partido comunista chinês, juntamente com o comentário de um camarada sobre o etapismo de stalin (de achar que o camponês haveria de se tornar um proletário de fato para formar uma consciência de classe), me fazem pensar na importância de repensarmos o que seria propriamente “classe” num marxismo atual , ou talvez, num conceito de classe mais amplo, simples, e que pudesse facilitar a articulação do maior número de pessoas, que poderiam se identificar entre si e se articular com mais facilidade. Já que me parece que o binarismo burguesia x proletariado, à primeira vista não soa fiel, para muitos, à nossa realidade, diferente por exemplo, da definição de Deleuze no vídeo “o que é ser de esquerda”, que define essa posição de duas maneiras bem amplas e simples, onde o que é tido em consideração, por exemplo, seria algo como uma maneira de pensar, o que ajudaria as mais diversas pessoas se engajarem em uma luta anti-capitalista ou comunista, independentemente de seu ofício.

E falar sobre a china me fez lembrar de um post no facebook de uma camarada que não é do ceii e que tava no colóquio que comentou no aniversario da queda do muro de Berlim: “o muro caiu para o lado errado”, o q me fez pensar na questão : apesar da china me parecer muitíssimo distante do que nós a a esquerda em geral tem por idéia comunista, valeria ainda valorizá-lo, no intuito, de recuperá-lo? A queda desse comunismo chinês atual seria pior q a manutenção dele ? Ou é um imperialismo como qualquer outro, e não resta mais nada de Mao ali ?

E achei muito legal a gente dividir sala com o povo do conexões e outros coletivos. Principalmente a mídia ninja, seria muito legal. Estaríamos super informados além da maior aproximação com outros grupos, fora as próximas divulgações, e a questão do marketing e publicidade q entraram em pauta recentemente.

Nota CEII SP #8 [16/06/2016]

Conversamos brevemente no último encontro sobre o papel do Partido na relação com o CEII. Minha breve nota quer enfatizar minha opinião de que este é um debate importantíssimo para potencializarmos transformações. Atraiu-me para o CEII a possibilidade de tanto se aprofundar em autores que estão refletindo sobre as radicais transformações necessárias em nossa sociedade somada quanto o elo com o partido.
Este elo para mim tem uma dimensão de dar concretude para algumas reflexões. Entretanto, precisamos refletir sobre algumas indagações referentes a esta relação: como ela acontece? O que esperam do CEII? O que nós esperamos das estruturas partidárias?
Tenho expectativa de pensarmos coletivamente sobre isto para não desenvolvermos sintomas, mas sim e criarmos respostas e explicações capazes de intervir e mudar a realidade.

NOTA #7 [26/04/2016] (RJ I)

Nota questão: o que explica essa estranha mudança de vocabulário de Safatle? Parece que ele encarnou Pablo Iglesias e ingressou no Podemos. Agora ele fala em castas e outras bizarrices. Será que ele acredita mesmo que importar um discurso que anulou o 15M e tem adesão de 25% dos espanhóis – podemos imaginar a diferença de uma crise na Espanha e do que é o Brasil – vai ecoar e ser compreendido país afora? Ou mesmo no estado ou cidade de São Paulo? Sinceramente, esse é um passo pra trás surpreendente e desapontador. Uma adesão rápida assim – e solitária pois não imagino que tenha sido discutida em nenhum coletivo ou organização política – a um discurso vazio como esse só enfraquece ainda mais o nosso campo fraco. Espero que seja só um piripaque passageiro, mas a impressão é que não…

NOTA #4 [24/05/2016] (RJ I)

Nos dias vinte e um do sexto mês do ano de dois mil e dezesseis, terça-feira, reuniu-se Braulio, Diogo e José para debatermos a questão da FUNDAÇÃO da Célula Jacarezinho-PR.

Como é preciso uma deliberação prévia (nas próprias células, nas reuniões regionais e nas reuniões globais) com a devida votação dos membros. Apresentamos a pauta em três grandes tópicos:

1. Uma breve apresentação da estrutura do CEII, passando por projetos e pelas funções nas células organizadas. Ainda, contou-se a história fundacional do coletivo e o porquê da criação de uma célula se faz possível;

2. Combinou-se que na semana que vem, na quarta-feira dia 29/06, os três integrantes se reuniriam na casa de Braulio para fazermos uma pré-reunião da célula para que seja decidido algumas outras questões de organização (votação de funções, local de reunião, financiamento e socialização dos dispositivos disponível para o bom andamento) às 17:00hs. (quanto aos participantes, conseguimos confirmar ao menos quatro ouvintes que estariam interessados em participar – são pessoas universitárias do nosso círculo de conhecidos mesmo [estudantes de direito]);

3. Para a reunião a pauta se dará da seguinte forma: uma ampla revisão do tópico 1.; uma primeira conversa institucional; a apresentação das mídias do CEII (WorkLife, SoundCloud, E-mail, g-mail, conta no Youtube, etc…); leitura en passant de alguns pontos do projeto. (essas “pré-reuniões” serão gravadas e subidas no SoundCloud também).

Levantados todos esses pontos, esperemos agora para o anúncio dos outros camaradas e suas manifestações.

Estamos animados!

*Essa nota de trabalho será publicada no Facebook para ser publicizada.

Jacarezinho, 21 de junho de 2016.