NOTA CEII SP #5 [13/10/2016]

Pessoal, eu to com uma dúvida aqui a respeito da fundação da célula. Nós estamos meio que funcionando como uma já (mas meio de maneira desorganizada e sem delegação das funções de mais um e secretário geral) e eu e Anna achamos que tá na hora de oferecer a possibilidade do pessoal preencher os formulários pra entrar no círculo, pra começar esse negócio. Estamos com 5, possivelmente, 7 participantes e um já de licença (haha). Eu não ofereci antes, porque fiquei tentando resolver alguma coisa sozinho que só poderia ser resolvida trazendo essa questão pra vocês. Então, como é que funciona essa parada? As pessoas vão preencher o formulário e como é que nós temos acesso a eles? O preenchimento destes tem de ser endereçados à células específicas? Nós temos que criar uma opção específica pra o envio? Ou seja, só sei como funciona como participante e não como organizador. Outra: já vamos ter uma participação num evento na UNISINOS, organizado pelo curso de Relações Internacionais, com as estrelas do exército vermelho – Anna e Oleg – e queríamos saber se tem algum material pronto pra enviar pra gente fazer aquela propaganda marota na fala dos companheiros. O colóquio vai acontecer daqui a 9 dias, então se alguém tiver uma sugestão de como isso pode acontecer, a gente agradece.

NOTA #6 [11/10/2016] (RJ I)

Gostaria de saber como Freixo poderá governar sem recair nos mesmos “erros do PT”. A sociedade civil, ideologizada e desorganizada em larga escala, pode exercer uma pressão tão forte quanto o proletariado com suas greves? O que o PSOL guarda de um partido marxista-leninista? Com que fundamento ele reivindica a tradição da luta comunista? Freixo diz que não vai cuidar do povo, mas governar com o povo. Como se fará na prática essa parceria? serão montados comitês populares? Isso ainda é muito incerto, o que torna preocupante o futuro de um governo concreto de esquerda. Sem apoio, o PSOL se verá levado a fazer uma série de concessões aos liberais de centro direita.

NOTA #9 [04/10/2016] (RJ I)

Marqueteiros no Psol? ADORO!

Não se supera a velha política descartando todas as suas formas. A forma da velha política é a própria forma de política atual. É necessário entrar nessa forma e transforma lá. O nome deste método que se transforma uma forma a partir de suas próprias categorias se chama dialética. Purismo militante não é dialético, mas apenas narcisismo.

NOTA #11 [13/09/2016] (RJ I)

É impossível não reconhecer a mudança qualitativa positiva de nossa tática eleitoral, notadamente nos programas de rádio e TV. Não sei até que grau os dois novos marqueteiros recém contratados influenciarão o resultado das eleições. Mas certamente a participação deles está sendo um diferencial. O bacana é que eles que foram procurar o Freixo, dizendo que temos condições de ganhar. E nós, que sempre metemos o malho nos “marqueteiros que iludem as pessoas”, vamos ter que dobrar a língua, pois estes profissionais da comunicação política podem estar ajudado a tornar o nosso sonho em realidade.

Essa eleição está sendo uma lição imensa para nós. De como temos que baixar a guarda e conversar com as pessoas que não fazem parte do nosso mundo da esquerda. Que tem expectativas completamente diferentes de nos. Gente que acredita no livre mercado. Gente que acredita nos milagres de Cristo. Gente, enfim. E vai ser ainda melhor se essa lição vier com vitoria. Torna o nosso aprendizado ainda mais significativo e o futuro imensamente desafiador.

NOTA #9 [27/09/2016] (RJ I)

Como deve estar sendo na cabeça dos amiguinhos sectários e puristas a adesão da direita liberal a campanha do Freixo, ein? Ante vejo algo assim: “Veja, por favor, não nos apóie! Troque essa capa contra o Crivella! O que vai ser da minha existência agora?”

Se com essa eleição a gente não entender que a luta de classes é complexa e não há determinismo nas relações de poder, olha, não entenderemos nunca mais.

NOTA #9 [06/09/2016] (RJ I)

Nós não temos como usar a capa da Veja porque é a Veja que com sua capa está nos usando. Fomos engolidos pelo metodo deles. Somos frágeis como uma vareta de bambu. Por isso que a direita liberal nos que lá e não Crivella. Essa possibilidade estava dada desde o início. Essa é uma conjuntura histórica raríssima. E temos o dever de agarrar essa oportunidade e aproveita la da melhor maneira possível. Até para um dia podermos impor nossos métodos.

É feio o pitbull da Veja destruindo o progeneta da fé? É. O método é horroroso? Sim. Mas são dois demônios se pegando. Quero que eles se enfraquecam um com o outro. Ate porque eles fazem isso com a gente o tempo todo, trabalhador matando trabalhador é o que a gente mais vê.

Por enquanto, parece que não temos nada a ver com isso. Mas não vamos nos iludir. Primeiro, porque com certeza o pitbull depois virá ao nosso calcanhar. E segundo, quer queiramos ou não, estamos nos aproveitando das condições materiais da direita para vencer. Para diminuir nossa má consciência por estarmos nos aproveitando das armas dos nosso inimigos, podemos repudiar a capa da Veja e garantimos nossos bom sonos. Bom, prefiro nao. Prefiro assumir a responsabilidade de estar sendo beneficiado de um método que repudio e suportar esse terrível mal estar. Isso é, em essência, não repetir o PT.

O que fazer? Por enquanto, só a zoeira. Só a zoeira nos liberta da dor da culpa da má consciência. Ao menos com ela podemos rir de nossa possível vitória errante, toda “manchada” pela materialidade que a direita nos impôs. Depois, é usarmos o Estado para nos fortalecermos.

Ah, óbvio,ainda temos muito o que fazer. Na política tudo pode acontecer. É trabalhar muito até o próximo final de semana.

NOTA #5 [11/10/2016] (RJ I)

OS DIAS MAIS DIFÍCEIS AINDA ESTÃO POR VIR

Os dias mais difíceis de nossas vidas ainda estão por vir. Serão os dias após dia 31, quando provavelmente estaremos na situação de governo. Teremos que ter muito astúcia para lidar com a infantaria pesada da direita de um lado e a necessidade de fazermos uma política que beneficia verdadeiramente a classe trabalhadora por outro. Vai ser uma guerra de trincheiras. Ainda temos o agravante do possível “fogo amigo” que o Freixo pode sofrer dos setores sectários do partido.

O nosso poder de enfrentamento na luta de classes ainda vai ser por muito tempo bastante modesto. A meu ver, deveríamos proceder o seguinte encaminhamento. Os primeiros quatro anos (pra não dizer os oito…) vai ser soft power total. Acho que deveríamos ter duas metas principais. Primeiro, fazer uma reorganização dos serviços da prefeitura de forma que a gente mude de verdade o dia a dia do carioca. Mudanças sem alarde, que alteram o cotidiano. Desde reorganização do transporte até atividades de lazer em massa. Precisamos criar uma memória de um governo de esquerda bem sucedido. Segundo, o fortalecimento do partido. Precisamos ter bancada legislativa robusta. E em todos os níveis. Com isso a gente cria uma condição de menor vulnerabilidade na opinião pública. Vamos precisar de muita paciência e gente disposta ao trabalho duro.

NOTA #8 [04/10/2016] (RJ I)

A esquerda está doente, psicopatologicamente falando. Carregamos a culpa dos sofrimentos do mundo nas costas. A culpa é uma resposta a impotência. Quando Lenin pegou dinheiro do império alemão para a fazer a revolução russa ele não teve o mínimo de culpa, porque ele tinha clareza que o passo que ele estava dando era maior e mais potente que o desvio de pegar dinheiro da oligarquia prussiana. Não conheço uma vitória da esquerda em que não foi necessário enfrentar uma contradição.

Não precisávamos fazer ode a capa da Veja. Só era preciso ficar em silêncio. E por alguns dias. Mas nem isso conseguimos. Chegamos ao cúmulo de lideranças se solidarizarem com Crivella. Meu deus, esse patife! Esse é o tipo de coisa que o Crivella pode facilmente usar em seu programa de rádio e TV: “Vejam, até o fulano de tal do Psol acha que estou sendo injustiçado!”. O cara estava encurralado, mas damos chances a ele.

“Os fins não justificam os meios”, grita o moralista, no resguardo do seu sono tranquilo. O problema é que o fim idealizado idealiza ainda mais os meios. Só que no movimento da luta real, os meios se reorganizam de acordo com o tempo das decisões, e os fins são apenas os fins possíveis. A vitória e as contradições que ela carrega nos são insuportáveis. Para aquele que goza da impotência, a derrota apazigua.

NOTA #8 [27/09/2016] (RJ I)

O fenômeno do neopentecostalismo no Brasil tem que ser compreendido em ao menos dois eixos. O eixo dos fiéis. Fiéis que, apesar de todos os pesares, identificam em suas lideranças religiosas vozes capazes de reconhecer sua condição de precariedade e lhes fornecer um doutrina mínima que organiza suas vidas. E o eixo das lideranças religiosas. Que perceberam há muitas anos essa necessidade da classe trabalhadora mais pobre, conseguiram se consolidar neste lugar da demanda e sabem manejar muito bem (principalmente, para benefício próprio) as regras de uma doutrina religiosa que dá uma nova forma de vida aos que não tinham uma forma de vida reconhecida socialmente.

No geral, a esquerda consegue identificar somente o segundo eixo. E ainda identifica de forma incompleta, pois ao “denunciar” a exploração das lideranças religiosa dos fiéis, não consegue perceber que os fieis também tem ganhos nas relações que estabelecem com essas lideranças. Assim, quando metemos o malho nas lideranças, sem perceber, metemos o malho imediatamente também na forma de vida dos fiéis, duramente conquistada durante anos. A reação da classe trabalhadora evangélica só poderia ser de asco ou mesmo ódio em relação à esquerda.

Não há a menor dúvida que sujeitos como o Crivella são uns patifes. O problema é que ao não compreendermos o fenômeno do neopentecostalismo de forma mais completa, a gente não somente não consegue derrubar de vez esses canalhas, como agrava nosso distanciamento da parte evangélica da classe trabalhadora mais pobre.

Digo isso porque nessas eleições, ao abrirmos uma verdadeira guerra contra o Crivella, expondo todas as suas sandices, abrimos também um guerra com os fiéis evangélicos (diga-se de passagem, não somente com os da Universal), derrubando ainda mais a péssima imagem que eles tinham de nós. Criticar o discurso das lideranças é também criticar a forma de vida dos fiéis. É um discurso asqueroso, mas, infelizmente, é um discurso que organiza a vida de muita gente. A denuncia do Crivella só dá certo aos eleitores que não são evangélicos, mas que não iriam votar no Freixo por causa de um suposto radicalismo do Psol. Então a tática foi pintar o cenário de trevas de uma prefeitura do Crivella e forçar esses eleitores a votar meio a contragosto no Freixo. São os votos do PP, Osório e Índio. A tática está dando certo, embora não se saiba ainda se renderá a vitória.

Contudo, vencendo ou perdendo, o partido tem a tarefa urgente de reavaliar sua posição em relação ao fenômeno do neopentecostalismo. Em seguida, criar táticas de aproximação com os fiéis capazes de reconhecer a singularidade de sua forma de vida. E, num sonho distante (quem sabe!), reorganizarmos o partido de tal forma que os evangélicos consigam reconhecer a via da militância de esquerda partidária como uma forma de vida possível para si. Só assim derrubaríamos em definitivo patifes como o Crivella.

NOTA #4 [11/10/2016] (RJ I)

Foi dito em reunião que uma organização ou o comunismo tem que se propor a resolver os problemas que ela própria ou o comunismo criam e não problemas não inventados por eles. Isso me parece a princípio bom, contudo, me parece que algo da ordem de uma exterioridade se mantém. Tanto o Malcolm X quando o João Pedro Teixeira e a Elizabeth Teixeira tiveram que lidar com problemas que não foram criados por eles; suspeito que nem toda organização pode se dar ao luxo de lidar somente com problemas criados por ela.