NOTA #4 [23/05/2017] (RJ I)

A ORIGINALIDADE DE LENIN

 

Introdução à obra do principal arquiteto da revolução que elevou pela primeira vez na história da humanidade a classe operária ao controle político do estado.

 

No caso da revolução russa, trata-se da expropriação da burguesia num país que é um terço da terra. 100 milhões de pessoas, trabalhadores em grande parte analfabetos.

 

Marco histórico: um período de guerras e revoluções na transição para o socialismo. A crise do capitalismo se aprofunda, e embora a burguesia faça uma propaganda incessante de que o socialismo morreu, o fato é que é o capitalismo que declina. A burguesia teria que mostrar que o capitalismo tem uma capacidade auto-regenerativa, o que não é verdade.

 

O nome de Lenin está ligado a esta etapa de transições que conduz do capitalismo ao socialismo, sendo o líder do partido bolchevique não só seu maior agente como sua melhor teoria.

 

Sobre a “personalidade” de Lenin. Homem de dedicação absoluta à causa operária. Sempre defendeu suas posições mesmo sendo um dos dirigentes mais combatido e caluniado. Raras biografias são a favor dele. Homem de cultura marxista extraordinária, conhecia de cor vários textos e com a maior propriedade aplicou na prática política tudo o que foi elaborado na primeira e segunda internacional, à luz dos acontecimentos históricos do momento. Grande flexibilidade é sua característica mais fundamental, combinada com a fidelidade ao marxismo. Ele era capaz de dar uma resposta a acontecimentos novos.

 

Lenin é apresentado como uma figura dogmática no que diz respeito ao partido, o que não é verdade. O que constitui o trotskismo é o marxismo-leninismo. É preciso levar em conta a situação do mundo e da classe operária. O final do século 19 assistiu ao estabelecimento do capitalismo em caráter universal. Nos centros civilizados do mundo, com a unificação italiana e alemã, fecha-se o ciclo dos países que se desenvolvem e vão dominar o mundo a partir de então. Na maioria desses países havia democracia parlamentar, o que coloca para a classe operária um limite. Trata-se de um período de acumulação de forças onde a classe trabalhadora luta por reformas. Os partidos democratas, orientados por Engels e Marx, via eleições, vislumbrava a possibilidade de tomar o poder sem a revolução armada. De revolucionários esses partidos se tornam reformistas, apegados à democracia.

 

Lenin compreendeu que a situação concreta exige renovação de velhos hábitos, o que ele vai realizar de forma integral. Tal compreensão se reflete, dentro da Rússia, na questão do partido. Lembremos que a maioria dos socialistas russos não via a necessidade da formação de um partido operária para o luta pelo poder, sob condições de clandestinidade. Ele vai colocar em primeiro plano a ideia de um partido centralizado, com militantes profissionais que se dediquem, com seu melhor, à ciência e técnica revolucionária, sem reverência à via democrática ( própria da clandestinidade), como a social democracia, apegada à reformas.

 

Na Rússia, a maioria das pessoas pensava que o czarismo seria naturalmente substituído pela democracia. Menos Lenin, que considerou que ela deveria ser derrubada revolucionariamente. Não havia até então modelo de partido clandestino que não fosse uma seita de conspiradores. Ele cria a ideia de um partido clandestino que luta para direcionar as massas, através e malgrado a clandestinidade. É um partido novo, que embora mantendo-se marxista enfrenta o problema da Ditadura, da clandestinidade e da direção da luta das massas.

 

Lenin não estabeleceu um modelo rígido, mas propõe uma mudança, uma abertura do partido que incorpore operários que estão se unindo à luta operária. Lenin não era rígido. Em textos posteriores à 1905 ele propôs uma abertura para incorporar as massas. Ele pensa um partido adaptado às lutas políticas, que saia da clandestinidade e encampe a luta aberta. Ele cria a ideia de um partido para época de transição, onde há golpes, fascismo, um período de instabilidade. Um partido que incorpore revolucionários profissionais e a classe trabalhadora em geral, que quer conjugar a classe operária com os intelectuais etc. A ideia de rigidez é errônea.

 

Segundo problema. Na organização do partido bolchevique a partir de 1905 surge um problema novo. Ele tem que oferecer um modelo de revolução para países atrasados, com desenvolvimento desigual e combinado. Países que combinam um certo desenvolvimento capitalista com formas pré-capitalistas. Os países plenamente capitalistas são uma minoria no mundo. Na teoria anterior, a revolução num país atrasado é sempre burguesa. No entanto, Lenin – partindo da análise de Marx, 1848 na França – ele distingue uma revolução burguesa e uma revolução feita ou dirigida pela burguesia. São duas coisas diferentes. A burguesia dos países atrasados não é capaz de fazer a revolução. Na Rússia, a burguesia estava aliada ao Czar. Ele chega a essa fórmula: a revolução democrática será dirigida pela pequena burguesia e a classe operária, que é a única classe autenticamente revolucionária.

 

Eis aí um esboço da teoria da revolução permanente. Segundo Trotsky, Lenin em 1917 vai do algébrico (sem definir quantidades, campesinato, operariado) – num período que ele aspirava uma revolução democrática – ao aritmético: ditadura do proletariado apoiada pela imensa maioria camponeses (ditadura democrática). Ler : Duas táticas da social democracia na revolução democrática. Social democracia afirmava que a classe operária só deveria participar de um governo socialista. Para Lenin a classe operária não deve se afastar do governo, pois só ela é autenticamente revolucionária. O Stalinismo parte daí para defender revolução por etapas, – que a classe operária deve apoiar a burguesia – quando Lenin fala o oposto. Nos países atrasados o operariado deve liderar a revolução burguesa e transformá-la em revolução socialista, através da ditadura do proletariado. Deixar a revolução nas mãos da social democracia significa deixar a revolução nas mãos da burguesia.

 

Período pós fracasso de 1905 surge outra característica do leninismo. O Czar propõe um parlamento fantoche. Lenin analisa que a farsa deve ser boicotada e sua manobra fracassa. O Czar lança uma nova medida parlamentar e Lenin afirma que os operários devem participar da Duma. Na terceira internacional, Lenin vai enfrentar uma ala que recusa toda a forma de participação parlamentar, o que é uma solução infantil.

 

Outra característica importante: luta no interior do partido bolchevique contra as posições idealistas, comuns em períodos de transição. (Livro materialismo e empiriocriticismo). Contra o oportunista teórico, ele tira as consequências como um cientista, independente dos interesses implicados. A conclusão radical das teses estabelecidas devem ser mantidas e levadas para a prática. Só se pode ser concreto quando se compreende o processo de forma superior aos outros. Lenin faz uma defesa integral do materialismo.

 

Outra característica que define a originalidade de Lenin, quando surge o capital monopolista, que altera profundamente a relação entre os países e as classes sociais no interior de cada país. Lenin foi o primeiro a perceber (para além de Marx e Engels e da social democracia) que força mais poderosa para impulsionar a revolução eram as colônias e os países atrasados. Os comunistas devem apoiar a luta dos povos contra o imperialismo. Um dos processos políticos mais importantes do século XX foi a guerra de resistência contra o imperialismo, como se verifica hoje na Venezuela. Quem acha que é apenas a luta entre duas burguesias é não entender Lenin. A burguesia da Venezuela não quer oprimir outros países.

 

Onde Marx viu apenas uma evolução econômica, Lenin estabeleceu que a divisão central do mundo moderno é a luta entre o imperialismo e a classe operária. E que a luta nacional dos povos oprimidos, incluindo a burguesia nacional, é um ponto adjacente mas importante. Imperialismo significa que o setor mais importante da burguesia nacional é absolutamente reacionário. Desse clube fazem parte apenas algumas potências. São os “donos do mundo”. EUA, Inglaterra, França e Alemanha.

 

A luta não é entre capitalismo e socialismo, mas entre o grupo seleto e o resto do mundo. Essas coordenadas, quem forneceu foi Lenin. Foi a primeira pessoa a falar do perecimento do estado de forma prática, depois da revolução. É através da universalização de todas as funções do estado que ele vai desaparecer. Hoje o estado é um grupo de homens armados. Mas através de revelar todo o funcionamento administrativo e democratizá-lo ele vai se fundir ao cotidiano de todos, com a sua participação.

 

A revolução de 1917 é a obra-prima política de Lenin. (SEGUE)

NOTA #3 [23/05/2017] (RJ I)

Pensando aqui uma ideia me ocorre no sentido da problematica do lugar de falar e vendo os comentarios dele no video o fim de um ciclo sobre esse tema e as proposições do que ele entende de como deve ser o horizont politico de esquerda, lugar de fala e comunismo não combinam. Porque? Para comunistas o mote deve ser lutar por constinuir poder naquilo que não nos é próprio, ou seja, naquilo que nos é impróprio que não nos coloca como detentor de certa particularidade mas que nos coloca como universais. Tentando dizer em outras palavras, naquilo que é comum a todos nós. “A politica não é lugar de falas, mas é produtora de falas sem lugar” Safatle. Essa ideia me parece muito interessante pra comecar a discutir os problemas do lugar de fala. E a constatação que Safatle chega, a partir dessa ideia, é de que o lugar de fala não é outra coisa senão a corporificação do individuo neoliberal. Esse neoliberal é o individuo das posses e dos predicados, aquele que Tacher reividicou na decada de 70 ao falar que “não existe sociedade apenas indivoduos isolados” nesse sentido, quando os grupos identitarios reividicam sua posições tendo como eixo  suas particularidades não são outra coisa que a perpetuação do neoliberalismo e em ultima instancia a perpetuação do Capitalismo como sistema que orgabiza a vida social. Nesse caso, faz se necessario a esquerda não adotar este tipo de pratica e, como disse Safatle, constituir poder no movimento daquilo que não nos é próprio, singular, particular, individual. Mas naquilo que é comuns nos espaços comuns, nos lugares comuns. Onde o grande mote deva ser o bem comun só assim a ação revolucionaria estara de fato sendo comunista.

NOTA #8 [16/05/2017] (RJ I)

Althusser defende o conceito de “todo complexo-estruturado com dominante” em relação ao de “totalidade”, e de metáfora do edifício em relação com o de “circulo” ou “esfera” hegeliana, visto que “o todo marxista é complexo e desigual, e marcado de desigualdade pela determinação em ultima instancia”

NOTA #2 [23/05/2017] (RJ I)

Sobre o evento de ontem em Copa, vou tentar contribuir com alguma coisa de cara aqui. É mais pragmático, mas acho que pode ser mais eficiente e também ajudar a entendermos como alguns debates são levados à exaustão sem necessidade e, em alguns casos, sem gerar solução alguma.
Pontos positivos: Visbilidade na mídia. Bom público (principalmente considerando o dia chuvoso). Foi em domingo (dia de lazer para muitos trabalhadores). Em Copacabana, local de razoável acesso a todos da cidade e cartão postal do país.
Ponto negativo: suposto elitismo do evento (não fui ao evento, por isso o “suposto”, mas como este é ponto da polêmica, então vamos considerar). Elitismo do local (Por que não Madureira ou Campo Grande?) e dos artistas (Por que não Maiara e Maraisa, dentre outros?).
Como podemos resolver este ponto negativo?
Não gosto muito da ideia do evento ser realizado em outro bairro, porque parte dos pontos positivos seria perdidos. Pode-se até pensar em reproduzir o evento em outros bairros no futuro, embora seja saída seja muito custosa. Nesse sentido, acho que seria mais proveitoso contribuir para a mobilização e deslocamento de pessoas para a praia de Copa. Além disso, contribuiria para ampliar o acesso a este aparelho de lazer, atacando o problema de turismo regional que é grave na cidade. Morei em alguns bairros do subúrbio e da baixada e tenho a impressão que seria muito bem recebida uma proposta dessa. Por fim, teria como subproduto um choque cultural entre os estilos de vida de pobres e a classe média, que acredito que seria proveitoso para a esquerda.
Mudar os artistas significaria mudar completamente o caráter do evento, até porque, se não me engano, foram os próprios artistas que tiveram a iniciativa. Nesse sentido, a escolha dos artistas poderia ser contornada com algumas modificações mais pontuais. Por exemplo, Caetanos Veloso tem contato com muitos artistas da industria cultural. Se conseguisse chamar um ou dois para “dar” uma palhinha, talvez já fosse suficiente para tornar a atividade mais popular. Além disso, um maior cuidado na list de músicas, dando preferência a algumas mais populares (Como “Sozinho”, dentre outros). Além disso, tornando o evento mais popular, isso poderia afungentar alguns artistas que foram ao evento. Nesse sentido, não descarto o uso de uma área vip. Mais importante é usar a imagem desses artistas para influenciar a mídia e mobilizar para o próprio evento (mas área vip para os artistas, tá? Lugar de político é na rua).
Sendo assim, o principal gargalo seria a mobilização e o deslocamento para o evento. Como resolver?
* NO planejameno do evento: sindicatos, partidos e demais instituições interessadas se juntom e fazem uma reunião para montar um Programa de Mobilização Popular (PMP) para o evento, tirando uma coordenação. A coordenadação do PMP prepara um projeto e apresenta os custos para as instutições.
* De preferência um mês antes do evento: a coordenação do PMP, tendo o projeto aprovado e os recursos liberados, inicia o processo de mobilização popular. Como seria esse processo? Abaixo segue uma tentativa de desenho baseado nos princípios da ação communitária.
– Seleção de líderes comunitários de diferentes partes da cidade para trabalhar na ação de mobilização e deslocamento. Encontro com esses líderes explicando como vai ser realiazaçõa o planejamento.
– Como é esse planejamento? O líder comunitário tem uma semana para levantar uma lista de no mínimo 30 e máximo de 70 pessoas interessadas em participar do evento (mas realizando lsita de reservada, pois, dependendo do caso, a coordenação do PMP pode deslocar recursos para dar conta deste excedente). Verifica na sua localidade quem poderia fazer os lanches dos participantes, com custeio de material da organização do evento (dando alimentação para os participantes e valorizando a economia local, além de outros ganhos cmo ganho de organização, de imagem para as instituições etc). Uma semana antes check list de interessados e mobilização mais atenta. NO dia evento, na parte da manhã check in de quem realmente vai e substituição de possíveis desistências. Coordenação de toda a logística de ida, estadia na praia e retorno. Encontro com os líderes comunitários uma semana depois, fazendo avalaição dos pontos positivos e negativos, e, sem deixar “cair a bola”, organizar os líderes para tarefas futuras, ou mesmo incorporá-los em alguma instituição/frente.
– Como deve ser feito o deslocamentos? Há duas formas de deslocamento de massa: aluguel de ônibus ou financiamento das passagens. A primeira alternativa é mais ideal, embora seja mais custosa. COm o aluguel de ônibus temos mais chance de atender melhor um público mais diversificado (idosos, deficientes etc), sendo também mais agregador socialmente (vem e voltam todos os juntos conversando sobre o evento, podemos pensar em pequenas palestras sobre conjuntura na ida etc). Por fim, facilita muito a logística para o líder comunitário. A segunda saída tem como benefício ser mais barata.
QUal o impacto? Supondo que a coordenação da PMP tenha contratado 50 líderes com capacidade máxima de mobilização de 70 pessoas, teríamos a mobilização de 3500 pessoas. Em um evento de 100 mil pessoas isso seria 3,5% do total. Parece pouco, mas é alguma coisa. Além disso, o imapcto no imagináruio local com uma iniciativa dessa pode ser muito proveitoso no futuro. Por fim, os ganhos de organização seriam incalculáveis. Diante da imensa dificuldade da esquerda atual, qualquer atividade que fazemos deve servir de laboratório para nos reinventarmos.

NOTA CEII SP [16/02/2017]

Sobre as causas possíveis da dificuldade de escuta das questões particulares de cada membro, penso que em alguns momentos, principalmente em tempos atrás (quando haviam mais membros), a célula criava algo de inibidor, talvez pelas regras de funcionamento, que demandam tempo para entendê-las criando talvez uma atmosfera de burocracia juntamente com toda a quantidade de recursos e ferramentas digitais; talvez pela aparência de intelectualidade ou do aparente viés acadêmico já que “é um circulo de estudos” e nos  propomos a estudar grandes filósofos (o que traz a questão do roubo das horas de estudo); ou, ainda, talvez por uma questão mais ideológica ou teórica que é: será que questões pessoais, problemas pessoais são de interesse coletivo? será que têm coisas que devem ser reservadas ao âmbito pessoal, privado, ou à outras situações que não na reunião da célula? Talvez, a questão possa ser posta assim: quando que algo se torna puramente individual e não coletivo ?

NOTA CEII SP [16/02/2017]

O “ao-menos-um” ainda que não resultando na criação de um novo cargo, serve como reflexão, como espírito no qual possamos trazer questões particulares da atividade e da singularidade de cada membro do ceii; abrindo assim, espaço para a escuta dos indivíduos e sujeitos, que ao trazerem seus interesses, incômodos, afetos, experiências em outros lugares, pode-se criar a cada um desses indivíduos uma utilidade singular do ceii, tais como um espaço de discussão de questões presentes em outros coletivos ou movimentos, fora as questões relativas as próprias atividades do grupo. Já que como no ceii não há uma utilidade, podem então haver várias .