NOTA CEII SP [02/03/2017]

Olhando o site do CEII reparei que, pelo menos lá, a nossa célula está sem leitura e também não encontrei as referências das reuniões passadas. Eu sei que pode parecer meio pedante um camarada que não tem frequentado as reuniões fazer esse tipo de cobrança, mas a nota pode ser uma forma de participação e esses mecanismos, como as referências, ajudam quem não está presencialmente nos encontros.

NOTA CEII SP [06/07/2017]

Em A Loucura do Trabalho Dejours traz à tona o estudo do caso das telefonistas francesas, abordando um dos aspectos mais inovadores de sua obra, a exploração do sofrimento. Assim como Louis Le Guillant, Dejours estudou como as tensões psíquicas, inclusive patológicas, estavam relacionadas às demandas por produtividade. Negando-se a caracterizar as tensões e doenças mentais como resultantes de predisposições pessoais ou condições de vida, os autores demonstraram como a cobrança de metas individualizadas e o crescimento do controle sobre os trabalhadores e os processos produtivos, dentre outros aspectos, estavam na fonte dos sintomas detectados. Ao analisar a necessidade de rapidez nas operações das telefonistas, constataram que era fundamental que elas estivessem nervosas para que o trabalho ocorresse na velocidade prescrita. Ou seja, as doenças enfrentadas seriam necessárias para o bom andamento do trabalho e para a produtividade almejada.

NOTA CEII SP #4 [17/08/2017]

O “estado da situação” ou “mundo” é apenas uma forma de organizar a situação. É uma forma de preservar a ordem. A ordenação inicial da situação não é controlada pelo estado, em nenhum sentido. Essa ordem é um efeito da ‘conta-por-um’. Em outras palavras, há um princípio de estruturação que determina os elementos em uma situação, e esse princípio é mais profundo que o estado. O valor equivalente no capitalismo pode ser um exemplo de conta-por-um.

NOTA CEII SP #3 [17/08/2017]

Acho que o CEII SP precisa dar uma ‘engrenada’, curiosamente, neste ano em que, finalmente, temos condições materiais mais sólidas, o nosso vínculo como um todo parece ter ficado um pouquinho mais ‘fluido’. Queria colocar essa impressão aqui, para saber se os camaradas concordam ou não com isto e também, o que seria interessante fazermos aqui. Em termos zizekianos/lacanianos, estou arriscando contar pro grande Outro algo que tacitamente já sabemos e vivemos, apostando que a eficácia simbólica encontrará à partir deste papo, um arranjo diferente para lidar com esta realidade na qual nos acostumamos a viver no CEII SP.

NOTA #10 [04/07/2017] (RJ I)

Poderíamos promover uma primeira abordagem do acontecimento a partir do modo como ele se dá na dimensão do Ser e do Sujeito isto é, como elemento fundador de um horizonte de possibilidades. Dessa maneira apresentaremos a posição do Ser diante do acontecimento como a condição atual da Filosofia Contemporânea, e em contrapartida apresentaremos a posição do Sujeito diante do acontecimento como condição de dar um paço a mais na filosofia. Para isso vamos nos utilizar do arcabouço teórico de Alain Badiou, com o objetivo de pensar um possível Sujeito sem Objeto.

 

NOTA CEII SP #1 [17/08/2017]

“Na medida em que milhões de famílias vivem em condições de existência que separam seu modo de vida, seus interesses e sua cultura das demais classes, e as colocam em oposição hostil a estas últimas, elas formam uma classe. Na medida em que existe apenas uma interconexão local entre esses pequenos camponeses e que a identidade de seus interesses não forma uma comunidade, nenhum vínculo nacional, nem organização política entre eles, eles não constituem uma classe.” [45]

O campesinato vive esse problema comum, mas o próprio caráter do problema em si, assim como os meios de comunicação limitados dos camponeses e seu modo de vida localizado, significa que, embora formado como uma classe, ele não pode formar uma classe. Isso mostra o caráter estritamente relacional e auto-referencial do conceito de classe de Marx; os camponeses compartilham certos problemas (as flutuações de mercado dos preços de seus produtos, a competição, sua escravização ao capital por meio da dívida), mas as maneiras pelos quais estes são formulados e tratados são locais. [46] Embora isso possa criar ou manter fortes laços de comunidades locais e economias morais, a população camponesa como um todo é uma mera massa. Ela não encontra a coletividade em que esses problemas poderiam ser articulados como interesses comuns, onde as lutas cotidianas de cada família ou aldeia camponesa poderiam se tornar uma luta comum.

Lendo o trecho da nossa leitura acima, me pergunto se o mesmo não acontece atualmente com trabalhos modernos, como motorista de Uber ou profissionais que trabalham a distância, fazendo “home office”. Será que tais trabalhadores conseguem formar uma classe?