NOTA CEII SP [13/04/2017]

Pessoal, vou insistir em um ponto que já comentei por aqui. Eu não tenho consegui encontrar as referências das reuniões no nosso site, tampouco os links para o áudio das reuniões. Nem as notas de trabalho estão disponíveis, quando se clica nelas, aparece que a página está indisponível.

Não sei se é a reformulação do site que tem causado esses problemas, de fato, visualmente ele está bem mais interessante, mas acho que o acesso a esses materiais que falei precisam ser disponibilizados o quanto antes.

NOTA CEII SP [13/07/2017]

Na obra de Gramsci temos diversos paralelos com a obra de Althusser, tendo o segundo inclusive dedicado textos ao respeito do segundo.

O conceito de hegemonia em muitos aspectos se equipara ao de ideologia em Althusser. O ultimo, entretanto, da uma carga inconsciente as estruturas de dominação e reprodução, que o primeiro não. Para a hegemonia há um aspecto objetivo e consciente.

Já o conceito de bloco histórico tem uma relação precisa com um determinado momento da luta de classes. Há um equilíbrio histórico da luta de classes, na qual a hegemonia do capital se sustenta, tendo em vista uma determinada articulação do bloco histórico

NOTA CEII SP #3 [21/09/2017]

Dunker num breve artigo sobre Freud e a Revolução Russa pontua o seguinte: “O ponto crucial aqui é como o regime soviético teria inibido a prática da crítica tornando as obras de Marx semelhantes à Bíblia e o Corão. Disso decorreria, para Freud, a hipótese de uma sociedade sem “fricções” e de um engajamento livre e não compulsório no trabalho, ideais que se apoiam na hostilidade de pobres contra ricos e na dos oprimidos contra os poderosos. Tal transformação da “natureza humana” seria altamente improvável. A compensação para sua irrealização poderia estar na criação de um inimigo externo, que cumpriria o papel de explicar o caráter incompleto da revolução. Surge assim, no interior do bolchevismo, a promessa religiosa de que os sacrifícios de hoje serão compensados por um futuro melhor que vai ressarcir seus fiéis, com o reino de Deus na terra. É nessa medida que Freud antecipa o contra-argumento bolchevique: mas como então transformar os seres humanos sem usar a compulsão coercitiva da proibição de pensar e aplicação de violência, até mesmo o derramamento de sangue? Diante desta pergunta Freud recua e responde humildemente: “não sei”.”

Poderíamos discutir um pouco sobre este ponto. Acredito que seria interessante colocarmos essas questões em jogo.

NOTA CEII SP #1 [21/09/2017]

Eu acho que vale a pena pensarmos se o texto do Zizek que escolhemos para leitura é mesmo um bom texto para lermos em coletivo. É um texto mto denso, com várias referências teóricas complexas. Talvez “o ano em que sonhamos perigosamente” ou o “Violência” sejam textos melhores para ler. Acho também que um Agamben não faria mal a ninguem, principalmente “o Reino e a Glória”.

NOTA #10 [19/09/2017] (RJ I)

Seria muito bom uma fala mais detalhada sobre compulsão e repetição, trazida numa nota na reunião passada, sobre como isso pode ajudar numa articulação sobre os temas aqui abordados… e achei que a ideia do jogo tbm citado na última reunião abre uma possibilidade interessante para discussão ceiianos…

NOTA #10 [13/06/2017] (RJ I)

No quadro da última teoria freudiana das pulsões, a pulsão de morte designa uma categoria fundamental de pulsões que se contrapõem às pulsões de vida e que tendem para a redução completa das tensões, isto é, tendem a reconduzir o ser vivo ao estado anorgânico. Voltadas inicialmente para o interior e tendendo à autodestruição, as pulsões de morte seriam secundariamente dirigidas para o exterior, manifestando-se então sob a forma da pulsão de agressão ou de destruição. As pulsões de morte representam a tendência fundamental de todo ser vivo a retornar a um estado anorgânico. Freud elaborou o conceito de pulsões de morte ao observar os fenômenos de repetição, que o levou a ideia do caráter regressivo da pulsão. Em tais fenômenos de repetição, o aparelho psíquico não apenas descarregava a libido, mas a libido estava relacionada a situações desagradáveis.

A exigência dualística é particularmente importante quando se trata das pulsões, já que estas fornecem as forças que se enfrentam no conflito psíquico. Freud sublinhou que a tendência a destruição de outrem ou de si mesmo pode denotar uma satisfação libidinal. Observou também que as manifestações do masoquismo, a reação terapêutica negativa e o sentimento de culpa dos neuróticos indicam a presença na vida psíquica de um poder que chamou de pulsões de agressão ou destruição, derivadas da pulsão de morte originária. As pulsões de morte representam um retorno a um estado anterior, ou, em última análise, o retorno ao repouso absoluto do anorgânico. Nesse sentido, o princípio de prazer parece estar a serviço da pulsão de morte.

NOTA #9 [19/09/2017] (RJ I)

Discordo da nota de trabalho NOTA #9 [18/09/2017] (RJ I): “O que teríamos para dizer para os habitantes da Rocinha que sofreram duas invasões em menos de uma semana? Se não tivermos nada para dizer em uma situação dessa, perdemos.” Nós não temos nada a dizer a eles e reconhecer isso é uma vitória. A partir do momento que pararmos de achar que temos coisas a dizer pra classe trabalhadora e pararmos para escutar o que ela tem a dizer, talvez seja um primeiro passo verdadeiramente comunista de nossa militância. Ficar nisso, caindo em uma falsa escuta inconsquente, é pós-modernismo. Mas tb não parar para escutar é vanguardismo estúpido (que aliás virou moda. Para criticar o pós-modernismo parece ser mais radical retomar um stalinismo vintage, do tipo valorizando o “matou foi pouco” – dito por gente que tem medo de matar até uma barata). Menos o que podemos “levar para elas” e mais como podemos nos organizar melhor a partir do que aprendemos com o convívio. Nunca me esquecerei do que disse Buzina Sisto em uma fala informal nos corredores do CEII: “A favela não precisa de consciência de classe, mas de organização”. A gente realmente precisa dizer alguma coisa pra essas pessoas?

NOTA #7 [19/09/2017] (RJ I)

ARTE E HIPÓTESE COMUNISTA

Camaradas,

cometi um resumo, digamos, “expandido” para o “Arte e Hipótese Comunista”. O dito-cujo segue abaixo.

Não sei se devo me inscrever para a cota do CEII ou para a ampla concorrência. Peço ajuda, quanto a esse pormenor e tudo mais que vcs puderem, aos universitários, Victor e Gabriel, que estão aí à frente da organização, mas a que mais quiser ou puder ajudar.

Sei que fico de bom grado no fim da fila. Já mandei trabalhos para outro “[ ] e a Hipótese Comunista”, ainda que não tenham apresentado pessoalmente, e já tem gente que chegou antes aí. Também ceii que não ceii se faço um trabalho razoável à tempo — embora só jogar as ideias que estão aí embaixo talvez já desse um caldo para uns 20 minutos de apresentação, é uma dor de barriga na hora das perguntas, para fugir ao massacre. Bom, julguem por vcs mesmos:

Da crítica da arte à arte da crítica: o impossível lugar da crítica da ideologia

Uma das caracterizações mais comuns da ideologia é a que a toma como um discurso parcial cuja operação resulta na manutenção e reprodução da dominação política, na exploração econômica, da desigualdade social — em suma, na manutenção da divisão da sociedade em classes e no predomínio de uma delas sobre as demais. Essa operação mesma é multifacetada: pode se dar via mascaramento, dissimulação, justificação da estrutura socioeconômica e política tal como ela é. Todavia, em todos esses casos parece que se pode discernir um mesmo traço na operação ideológica: o mascaramento (ou a dissimulação, ou a justificação) é, de modo mais ou menos explícito, “reflexivo” — no sentido de que, além de mascarar (ou dissimular, ou… justificar?) o real da luta de classes, a ideologia mascara a sua própria parcialidade. E isso mesmo quando, ou sobretudo quando ela pretende dar conta da totalidade. À (dupla) parcialidade — ou particularidade — da ideologia, a crítica ideológica oporia o comum, ou universal. Por muito tempo — pelo menos de Marx a Althusser — esse universal, ou comum, foi buscado na ciência. Sem, a princípio, nos determos nos problemas desse procedimento, o presente trabalho procura pensar algumas razões pelas quais podemos considerar que não é a ciência, mas a crítica enquanto tal, com o perdão do aparente pleonasmo, o lugar da crítica da ideologia. Isso seria verdade sobretudo se considerarmos a crítica do juízo tal como pensada por Kant. Nesse sentido, seriam sobretudo as seguintes características que permitiriam utilizar a crítica da arte (a bem dizer, do juízo estético) para pensar a “arte da crítica (da ideologia)”: 1) o caráter não predicativo, na medida em que “sem conceito”, do juízo de gosto — que pode escapar, pois, aos predicados (particulares) próprios à ideologia; 2) o caráter comum, universal, não obstante não predicativo, do juízo em jogo aí — que pode escapar à particularidade (predicativa) dos “juízos” ideológicos; 3) o caráter sensível do comum em jogo aí, na medida em que o universal é o que apraz universalmente — colocando-se no terreno próprio da ideologia, o da partilha (policial) do sensível; 4) o estar entre natureza e liberdade, entre ciência e metafísica/moralidade da crítica do juízo — e poder se situar no limiar que é explorado pela ideologia (a naturalização do que é da ordem da liberdade e vice-versa etc.); 5) o fato de o livre-jogo da faculdade de julgar, ao envolver entendimento e sensibilidade, colocar em jogo a totalidade do sujeito — contra a parcialidade ideológica; 6) o fato, talvez menos evidente, de que, com tudo isso, o sujeito aí é o sujeito universal-concreto ou universal-singular que experimenta a universalidade na singularidade de uma experiência com uma obra (natural ou artificial) singular — um sujeito que, mesmo contando com os predicados parciais e particulares do objeto que tem diante de si, como que salta sobre eles de sua singularidade à universalidade e, a bem dizer, em direção à (uma, sua) singularidade universal. Na medida em que é assim, o sujeito que julga e critica põe a si mesmo em questão enquanto um que tem a forma ou que existe como singular — e, portanto, põe a prova essa condição comum, universal: a de ser singular. Aí, não é mais a ligação dos objetos — de mercadorias — que perfaz a universalidade abstrata da realidade (do capital), mas a ligação de sujeitos — de pessoas, de caras — que perfaz, na singularidade da crítica, a universalidade desta como condição comum. Entre universal e singular, entre natureza e liberdade, entre ciência e metafísica/moralidade, a a crítica da ideologia só teria lugar então enquanto se situasse no impossível da situação ideológica em questão e aí denunciasse as lacunas da ideologia. Ao fazer isso, ela ao mesmo tempo traz para o comum e singulariza o que é parcial, particular; faz, pôs, o trabalho de performar um experimento que organiza as coisas e as pessoas de modo que universal e singular tenham lugar ao mesmo tempo, nos interstícios da parcialidade e da particularidade ideológicas. Isso não que dizer senão que toda a crítica da ideologia só pode ter lugar no horizonte próprio ao comunismo.

Palavras-chave: juízo estético; ideologia; comunismo; crítica do juízo

Abraços de luz e beijos de (p)sol!