NOTA #9 [05/12/2017] (RJ I)

Sobre Oficina: Seria muito interessante elaborar um relatório de cada atendimento inicial feito pela equipe A, a função disso seria objetificar a demanda que vem chegando a Oficina. É uma ideia.

Sobre CEII: Seria muito proveitoso elaborar um documento (para além da carteirinha) que oficializa a participação no Círculo.

Sobre Crise e Crítica: a primeira edição ficou muito extensa, teríamos um tamanho mínimo ou máximo? Um número menor facilitaria a execução… não?

NOTA #8 [05/12/2017] (RJ I)

“No meu ponto de vista, a principal razão para as pessoas serem atraídas é justamente por não haver essa cara de grupo religioso. A imagem que eles veiculam é de transparência, intelectualidade e organização. Dito de modo claro, não parecem pobres. É isso que atrai essa nova geração de jovens que possuem alguma profissão especializada ou que trabalham na área de pesquisa. É um estímulo para a curiosidade intelectual. Eles prometem um sentimento de realização que não se consegue no mundo real. Um tipo de êxito que se pode pegar nas mãos. São esses fiéis intelectuais que formam uma equipe poderosa dentro do grupo, como uma espécie de oficiais de elite do exército.” (Murakami, 19Q4, “23. Aomame: isto é apenas o começo”)

NOTA #7 [05/12/2017] (RJ I)

“Acho que esse é o primeiro formulário de desistência que tem nais cara de “fim de analise” ate o momento. Ressentimento zero, com uma indiferenca pura (e nao aquela indiferenca que n9 final sempre tinha um rançozinho… falar que tudo bem e tranquilo, mas sempre tinha uma reclamacao no final, ou seja, o CEII deu o que tinha que dar mesmo). Tirou proveito dessa nossa contradicao em relacao a universidade (se apaixonou pelo CEII e aproveitou para na hora de terminar jogar o CEII fora junto com os fantasma da universidade – confesso que achei bem bonito isso. Eu mesmo ainda sofro um bocado com as exigencias da Grande Senhora Academia. Embora o melhor não seja sua negacao odioso, mas tb a indiferenca. No final, é rir de seu prestigio – e, quem sabe, junto com a propria universidade em alguma medida).

O que fica pra gente eu acho é se esses dois polos contraditorios, universidade-vida e teoria-pratica politica, sao de fatos os limites do CEII hoje e sua razao de existir. Acho que temos acumulos no enfrentamento a essas contradicoes que nao deveriamos jogar fora. No entanto, o giro atual que estamos dando para uma atuacao mais focado no trabalho pode oxigenar o coletivo, nos possivilitando sermos tomados por outras contradicoes. É o fim do ciclo de vida de um projeto de coletivo (e acho que temos que no momento oportuno fazer o enterro disso, sem no entanto largar mão da memória) e o inicio de um outro ciclo.”

“Também acho. Tava pensando sobre isso ontem: acabou que a ideia da Oficina Acadêmica foi mesmo uma ” aufhebung” do problema: pegamos as contradições que você mencionou e ao invés de superarmos elas, passamos a tratar elas como objetos que conhecemos bem, com verdadeiro ” conhecimento de causa” , e a oferecer um serviço ao mesmo tempo militante e remunerado (e não-acadêmico) baseado nessa experiência.”

NOTA #6 [05/12/2017] (RJ I)

Ao longo do discurso da Política, podemos perceber no âmbito das teorias de fundamentação e legitimação do Estado um lugar comum, este lugar comum a saber é o debate sobre a Natureza Humana. A concepção Rousseauniana diz respeito a um homem bom, aquele que não pressupõe a perversidade como constituinte dele, mas um homem que se torna egoísta e individualista quando a sociedade o corrompe. Nesta acepção, tal perspectiva representa uma aproximação ou herança da concepção aristotélica do homem como um Zoon politikon, um animal social, assim o homem busca se relacionar com outros homens porque ele vive em sociedade, e suas potencialidades são melhor desenvolvidas na vida em sociedade. A concepção da natureza humana de Thomas Hobbes pressupõe uma natureza perversa e egoísta, o que está exposto em sua principal obra “O Leviatã”. Em sua fundamentação, Hobbes menciona o que seria a situação de uma Guerra generalizada dos homens contra todos os homens a partir de uma concepção de homem que partiria de uma igualdade fundamental entre eles. Por mais que um possa ser fisicamente mais forte do que outro, este mesmo outro equilibra a igualdade da relação por sua capacidade em conspirar e pensar por sua astúcia, formas de se proteger sua vida e de toda forma de força que busque despossuí-lo de suas posses. Tal condição de igualdade reflete o impasse quando ambos desejam a mesma coisa; já que o “Eu” não pode prever a ação do “outro” a ação mais sensata visando a preservação de sua vida é atacar primeiro, o que ocorre é que este “outro” também é um “Eu”, assim, o que decorre de tal situação, sem um poder maior que regule as relações entre os homens é uma guerra generalizada, isto é, a guerra dos homens contra os homens.

 

NOTA #4 [05/12/2017] (RJ I)

“Aqueles que não tem nada, tem somente sua disciplina.” – Aparentemente, não só disciplina. Têm também, apesar de sua despossessão, desejo. E esse desejo, parece, raras vezes não é refratário à mesma disciplina com a qual poderia contar para pôr algo em movimento. Isso me parece um problema, principalmente para a organização e a execução de tarefas em um coletivo.

Foi comentado na última reunião que já houve situações em que foram sugeridos projetos para o coletivo e, posteriormente, a mesma pessoa que os sugeriu, ou aquela que deu início a eles, desistiu no meio do caminho, deixando para outro a tarefa de tocar a coisa pra frente. Outras situações ainda em que o entusiasmo inicial com relação a algum plano – presente então apenas como ideia – foi substituído pelo desânimo no processo de trazê-lo à efetividade, com o consequente desengajamento e indisposição para realizá-lo, quando não o abandono da tarefa. Desejo e disciplina parecem dois campos apartados um do outro. Esta somente erigindo suas construções quando subordinando aquele a coerções, supressões, silenciamentos, renúncias.

A dúvida que quero colocar aqui é se a desejo e a disciplina necessariamente giram em sentidos opostos ou se elas podem de algum modo confluir, comunicar, conciliar-se.

A oficina acadêmica parece ter mobilizado um grande número de militantes em sua consecução por ter justamente tornado secundária a questão do desejo: ela põe em jogo também a necessidade, remunerando o engajamento (se não posso contar com seu desejo por engajar-se, por quaisquer motivos que sejam, em um último esforço, eu pago – ou, como as coisas estão no momento, posso vir a pagar – pelo seu engajamento). Mas essa feliz coincidência entre desejo de engajamento e remuneração para que esse desejo se torne indiferente (se porventura ele mudar de direção) não ocorre – ou não ocorreu, pelo que percebi, pelo menos, – na maioria dos projetos do CEII; na verdade, não recordo de ter ocorrido em nenhum outro. (o curso EAD consistiria uma exceção parcial, gerando receita apenas para o coletivo CEII, e não para seus membros em particular). Da oficina acadêmica, portanto, não creio poder ser tirada uma lei geral para manutenção do engajamento.

Trazer uma ideia à vida dá trabalho. Trabalho pode também ser um nome do processo de conformar nossa vontade à intenção de fazer algo concretamente existir no mundo. Essa conformação se efetiva também pela necessidade (talvez principalmente por ela); necessidade de reprodução material da vida. Por sua vez, essa necessidade na maioria das vezes se atende mediada pelo dinheiro. No CEII, porém, parece que a necessidade não está muito em jogo: engaja-se por desejo. Minha questão seria então: se não a necessidade – em sua relação com o dinheiro -, já que ela não está sempre presente em nossos projetos, que outro meio poderia subordinar nosso desejo à disciplina necessária à execução das tarefas no coletivo? Ou, melhor ainda, a pergunta que eu quero realmente fazer: sem subordinação, há um meio de pôr para andar no caminho tortuoso da disciplina o desejo?

NOTA CEII SP [05/10/2017]

Para o Badiou o sujeito não pode ser compreendido pelo cogito ergo sum cartesiano. O sujeito não é uma substancia, um ser, uma alma, uma coisa pensante, ele depende de um processo que começa, se desenvolve e termina. O sujeito não corresponde imediatamente ao indivíduo humano, não é a consciência, a fonte da significação e do sentido e tampouco é o resultado necessário de uma tal ordem social. O sujeito sequer é necessário. Na verdade, ele é a consequência da existência da verdade e da dialética entre ser e o evento. O sujeito é aquele que intervém na situação através da fidelidade que exerce em função do Evento-Verdade que ocorreu, ele surge após o evento. O sujeito é, portanto, uma consequência do acontecimento e não sua causa. O que o define é sua fidelidade, persistindo em identificar e discernir os traços do evento na situação. Longe de negar o trabalho realizado pelo estruturalismo, através da categoria de Evento, Badiou pode oferecer uma concepção de sujeito onde a agência política militante e a estrutura ontológica natural e histórica podem, eventualmente, estabelecer uma transformação das coisas.