NOTA CEII SP [15/02/2018]

Tenho visto constantemente nas redes sociais os ataques à caravana do Lula sendo tachados de “fascistas”. Será que isso é um exagero ou realmente estamos vivendo um momento que se assemelha ao Fascismo? Quais são as principais características de tal movimento que poderíamos dizer que estão sendo replicadas agora?

NOTA CEII SP #2 [22/03/2018]

Há uma crescente individualização da ordem simbólica, do “ponto de correlação da significância” (Tupinambá), da rede de referencias sociossimbólicas ou daquilo que Žižek chama de “constituição não escrita da sociedade”. Neste sentido um pouco mais amplo, menos ortodoxo (talvez) do Outro lacaniano, os indivíduos passam por uma crescente e universalizante experiencia de imediação com o Real, de imediação com a sociedade. Não por que não haja mais Grande Outro, mas porque as guidelines de ação e significação amiúde retornam para o indivíduo, que passa a ser medida de significação da experiencia social-individual. Isto traz um sentimento de abandono, de sobrecarga, de desorientação que é preenchida pela necessidade brutal de encontrar mestres, de encontrar lideranças carismáticas através das quais se possa alienar, às quais se possa entregar o destino de nossas vidas, continuamente vivendo sob o fetiche de que nossas vidas dependem apenas de nossa vontade, de nossa própria ação e capacidade de escolhas. Lula, como liderança carismática, não é um ponto fora da curva, não é sinal de uma exceção (Ab’Saber, p. 31-32), mas sintoma social que nos marca contemporaneamente, é que se expressará em outras lideranças além de Lula (mesmo que se sustente que uma maestria de Lula ao desempenhar o papel de liderança carismática.

NOTA CEII SP #1 [22/03/2018]

Breve reflexão sobre os Discursos do Laço Social:

O Discurso do Mestre é aquele que representa a entrada na linguagem e a alienação paga pelo sujeito por essa cisão (consciente/inconciente). Mas também é o discurso que exemplifica a relação Senhor-Escravo, onde há um imperativo ao trabalho por parte do Senhor, ao Escravo. Nessa relação quem mantém o saber (laisse-faire) continua sendo o Escravo, visto que o saber não pode ser apropriado pelo Senhor e pode ser que a partir desse ponto tenhamos o giro para o Discurso da Histeria, quando o sujeito começa a se questionar.

Nossa política, ao invés de promover esse giro, concretiza cada vez mais a relação do Discurso do Mestre, uma vez que há essa demanda de um líder carismático que saberá liderar as massas em torno de um discurso alienador.

O único giro possível nos discursos seria a entrada no Discurso do Capitalista, que caracteriza o imperativo ao gozo e a relação direta do sujeito com o objeto de consumo/gozo. Curioso que essa passagem do Discurso do Mestre para o Discurso do Capitalista, ou talvez, o vai e vem entre esses discursos, pode ser exemplificado no momento que o então presidente Lula vai à televisão “dizer as palavras mágicas, verdadeiramente encantatórias, para o mais prazeroso sacrifício que o povo brasileiro já realizou: todos devíamos continuar consumindo, se possível carros…” (Ab’aber, 2016, p. 29).

Temos aqui um Mestre encarnado na figura presidencial, que se comporta nesse momento como encarnação do imperativo de gozo pelo consumo, assumindo em sua postura o Discurso dominante na comtemporaneidade.

Não seria também essa a postura dos gestores brasileiros eleitos para ocupar cargos políticos? Um misto de Mestre e Capitalista? O empresário bem sucedido que se apresenta como aquele que sabe gozar de sua posição (detentor do dinheiro e por isso, consumidor voraz) e irá compartilhar isso com a população?

NOTA CEII SP [08/02/2018]

Penso que todos devem estar, assim como eu, estarrecidos com a notícia da execução de vereadora Marielle Franco. A forma que isso se mostra é, mais uma vez, via facebook: de um lado posts e mais posts, todos compartilhando a mesma notícia e com textos muito parecidos entre si. De outro, chamada para atos e manifestações, no plural, porque só hoje de manhã, para o mesmo horário e lugar, já tínhamos 3 eventos diferentes, convocados por movimentos e coletivos diferentes.

Ou seja, nem quando a pauta é tão clara, nem quando o sentimento que a movimenta é tão semelhante a esquerda consegue qualquer unidade. Frente a isso, me parece que a pauta em si é secundária e que a disputa é por quem vai levar “o prêmio” de maior “digital influencer” da esquerda.

NOTA CEII SP [08/02/2018]

Nesta última terça, a FIESP lançou mais uma “ação promocional”. Se antes o mascote era o pato amarelo e o alvo era o possível aumento de impostos, com o slogan “não vou pagar o pato”, agora o mascote é um sapo verde, o alvo é a “alta taxa de juros” paga no Brasil e o slogan é “chega de engolir sapos”. A FIESP provavelmente contratou uma agência para desenvolver tal campanha e vem se utilizando de táticas de marketing de guerrilha para divulgação. Por mais que muitas vezes diga-se que a FIESP esteja pregando para convertidos, inevitavelmente tais campanhas tem algum impacto junto à população e à opinião pública. Quando a esquerda irá entender a importância de desenvolvimento de ações coordenadas e estratégicas, principalmente no campo da comunicação?

NOTA CEII SP [08/02/2018]

É interessante notar como dentro da crítica marxista do direito temos duas vertentes que em suas análises são muito similares porém chegam a conclusões distintas.

A Análise de Marx e Engels em um primeiro momento do Marxismo, no século 19, temos a crítica do Estado, o caracterizando principalmente por sua função repressiva frente a luta de classes e a dominação de uma por outra. A crítica ao direito vem somente em um segundo momento tendo no direito burguês característico do estado no capitalismo, sua base, com foco em uma raiz política e ideológica da conclusão sobre o direito l, por sua veZ advindo do estado e da luta de classes.

Já pachukanis membro do comitê jurídico da revolução de outubro tem sua crítica fundamentada primeiramente na crítica da economia política de Marx tecendo conclusões a partir daí sobre o Direito primeiro e depois sobre o estado. O direito nesse sentido é uma forma social específica derivada das relações econômicas de troca generalizada que caracterizam o capitalismo. A conclusão sobre o estado deriva também desta função do direito ou da função de um terceiro garantidor das relações de troca que mantém uma igualdade apenas formal entre si.

Portanto temos que na linha de desenvolvimento de Marx e engels o direito tem uma função ideológica ou política. Na linha pachukanis teríamos então direito como uma forma correlata da mercadoria e o estado sendo um garantidor destas relações econômicas fundamentais.

NOTA CEII SP #3 [08/03/2018]

Lendo, há pouco, o novo livro de Francisco de Oliveira “Brasil: uma biografia não autorizada” (2018) pela Boitempo, um trecho sobre o PSOL me chamou a atenção e me pareceu dialogar com nossas discussões sobre a Esquerda, sobre estratégias de ação e a necessidade de pensamento como já trouxe em notas anteriores: “quem faz o PSOL, na verdade, pensa que pode refazer o caminho do PT. Então, não entenderam nada. Em geral, a esquerda brasileira tem uma enorme dificuldade de entender as transformações. Ela trata o capitalismo brasileiro hoje como se fosse o dos anos 1950. Tem uma enorme dificuldade. O PSOL foi essa tentativa que, até onde eu posso avaliar, fracassou, porque a crítica que eles fazem é a de que o PT fracassou porque não foi suficientemente radical. Então, como acontece com toda formação partidária, a técnica é antiga: você se apropria dos espaços institucionais do partido, e aí morreu. O que tem de novo no PSOL, realmente? Nada. Assim como o PT já havia falhado, porque o PT não tem uma teoria sobre o Brasil, seguindo as trilhas do próprio Partidão, o PSOL vai no mesmo caminho. Eles não têm uma teoria sobre o Brasil hoje. Assim como o PT não teve” (p. 157).