NOTA #2 [17/06/18] (VIRTUAL)

  1. A forma-de-vida é a superação da forma de vida que cinde bíos e zoé: ela é uma vida na qual jamais é possível isolar alguma coisa como uma vida nua.
  2. Uma vida que não pode ser cindida é uma vida em que está em jogo o próprio viver, e no viver do homem o que está sempre em jogo é a felicidade.
  3. O poder político, isto é, a soberania política como conhecemos, está fundado sobre a cisão entre a vida nua e formas de vida particulares.
  4. A vida nua, que separa as formas de vida particulares de sua coesão numa forma-de-vida, se tornou a forma de vida dominante de um estado de exceção tornado normal ao mesmo tempo em que a emergência se tornou o fundamento de legitimação do poder, o qual ele assegura e ao qual faz constante apelo.
  5. A política se tornou biopolítica. A vida nua, convertida em conceito biológico por uma ideologia médico-científica, é na verdade um conceito político secularizado.
  6. Existe hoje alguma coisa como uma forma-de-vida, uma vida de potência, uma vida que está em jogo somente o próprio viver?
  7. Comunidade e potência individual se identificam enquanto necessidade de atingir a integralidade da potência do pensamento humano.
  8. A forma-de-vida é o princípio da política que vem.

NOTA #1 [17/06/18] (VIRTUAL)

ENTREVISTA COM GIORGIO AGAMBEN (http://www.scielo.br/pdf/rdpsi/v18n1/a11v18n1.pdf)

Entrevistadora: Flavia Costa Tradução de Susana
Scramim<http://www.scielo.br/pdf/rdpsi/v18n1/a11v18n1.pdf>
www.scielo.br
Revista do Departamento de Psicologia – UFF, v. 18 – n. 1, p. 131-136, Jan./Jun. 2006, p. 131.

ENTREVISTA COM GIORGIO AGAMBEN

Entrevistadora: Flavia Costa ? Tradução de Susana Scramim

Flavia Costa: Na introdução de Homo Sacer I, você afirma que havia concebido inicialmente o livro como uma resposta à “sangrenta mistificação de uma nova ordem planetária” (e que em seu desenvolvimento se viu diante de problemas, como o da sacralidade da vida, que não estavam no plano inicial). Como se conforma a partir de então seu projeto intelectual?

GIORGIO AGAMBEN: Quando comecei a trabalhar em Homo Sacer, soube que estava abrindo um canteiro que implicaria anos de escavações e de pesquisa, algo que não poderia jamais ser levado a termo e que, em todo caso, não poderia ser esgotado certamente em um só livro. Daí que o algarismo I no frontispício de Homo Sacer é importante. Depois da publicação do livro, freqüentemente me acusam de oferecer ali conclusões pessimistas, quando na realidade deveria ter ficado claro desde o princípio que se tratava somente de um primeiro volume, no qual expunha uma série de premissas e não de conclusões. Talvez tenha chegado o momento de explicitar o plano da obra, ao menos tal como ele se apresenta agora em minha mente. Ao primeiro volume (O poder soberano e a vida nua, publicado em 1995), seguirá um segundo, que terá a forma de uma série de investigações genealógicas sobre os paradigmas (teológicos, jurídicos e biopolíticos) que têm exercido uma influência determinante sobre o desenvolvimento e ordem política global das sociedades ocidentais. O livro Estado de exceção (publicado em 2003) não é senão a primeira dessas investigações, uma arqueologia do direito que, por evidentes razões de atualidade e de urgência, pareceu-me que devia antecipar em um volume à parte. Porém, inclusive aqui, o algarismo II, indicando a seqüência da série, e o algarismo I no frontispício indicam que se trata unicamente da primeira parte de um livro maior, que compreenderá um tipo de arqueologia da biopolítica sob a forma de diversos estudos sobre a guerra civil, a origem teológica da oikonomia, o juramento e o conceito de vida (zoé) que estavam já nos fundamentos de Homo Sacer I. O terceiro volume, que contém uma teoria do sujeito ético como testemunha, apareceu no ano de 1998 com o título Ciò che resta di Auschwitz. L’Archivio e il testimone. No entanto, talvez será somente com o quarto volume que a investigação completa aparecerá sob sua luz própria. Trata-se de um projeto para o qual não só é extremamente difícil individualizar um âmbito de investigação adequado, senão que tenho a impressão de que a cada passo o terreno desaparece debaixo dos meus pés. Posso dizer unicamente que no centro desse quarto livro estarão os conceitos de formade-vida e de uso, e que o que está posto em jogo ali é a tentativa de capturar a outra face da vida nua, uma possível transformação da biopolítica em uma nova política.

NOTA #4 [05/06/2018] (RJ I)

Seria interessante pensar na real possibilidade de uma parceria (de qual tipo?) com a Tatiana Roque para o pos-eleição, afinal a possibilidade dela não ser eleita é o mais provável que aconteça, mas a maneira que ela está conduzindo/pensando a campanha pode abrir boas possibilidades para o CEI..

Nota CEII SP #1 [21/06/2018]

Elaborações sobre a invasão do neoliberalismo na vida e nos espaços de formulações de luta
Novamente volto a esta temática que tem me angustiado e me feito pensar como pessoas que outrora estavam envolvidas nas atividades de militância acabam por ter de se afastar. Em geral o argumento está ligado a exercer muitas tarefas no trabalho, nos estudos, na vida cotidiana e não mais encontrar espaços para atividades coletivas de militância. O neoliberalismo nos faz pensar como empreenderes de nós mesmos e mesmo contra a meritocracia entramos na lógica de sermos os melhores a ponto de nossos tempo estar cada vez mais voltada para esta busca. Não nos organizamos para estar nos espaços coletivos, ou temos dificuldade de sustentar esta participação. Outra questão imediatamente ligado a este debate se refere a comunicação, como estamos sempre disponível para as redes criando indisponibilidades em outras áreas. Mais um elemento que adiciono a este tempero neoliberal que coloniza nossa vida é a melancolia existente que me parece estar ligado a questões que produzem pessoas endividadas, midiatizados, securitizados e representado. A questão da representação e de um esquerda que precisa enfrentar este debate e defender um grau zero de representação me parece a resposta mais interessante a invasão do neoliberalismo nas nossas vidas

Nota CEII SP 14/06/2018

Em ‘A Tirania da falta de estrutura’ Jo Freeman diz da relação da das estruturas formais e informais, pontuando que ser governado pelas relações informais diz de um excesso de afetos no comando do grupo, lógica esta que vem com um elitismo e mentalidade de ‘vestiário’ e obviamente, menos plurais e convidativas – quem sabe, quase uma regressão à horda Freudiana na incansável busca pelo líder messiânico, que é um outro vício antigo na esquerda. E ainda assim, não menos interessante para ser questionado nos dias de hoje. Gostaria de saber se os camaradas vêem isto no CEII? Segue a passagem para papearmos:
“Embora essa dissecação do processo de formação de elite dentro de pequenos grupos tenha sido crítica em perspectiva, ela não é feita na crença de que essas estruturas informais são inevitavelmente ruins – apenas inevitáveis. Todos os grupos criam estruturas informais como resultado de padrões de interação entre os membros do grupo. Tais estruturas informais podem fazer coisas muito úteis. Mas apenas grupos não estruturados são totalmente governados por eles. Quando as elites informais se combinam com um mito de “falta de estrutura”, não pode haver tentativa de colocar limites ao uso do poder. Torna-se caprichoso”

Nota CEII SP 31/05/2018

Acompanhando algumas discussões sobre o colóquio no Rio mês que vem, me dei conta de que o CEII sofre de um mesmo problema que encontro frequentemente em outros coletivos de esquerda (que novidade). O problema que aqui nomearei de “semblante” consiste em um esforço em “se fazer”. Estou dizendo dessa imagem de organização e eficiência aliada a uma grande capacidade produtiva e de organização de eventos que passamos pra muitos que são de fora e que esconde a verdadeira falta de unidade de pensamento ou mesmo a forma não equivalente com que os membros se engajam no coletivo.

Acredito que no CEII, por se pretender ser um espaço que qualquer um posso ocupar, esse “semblante” mais nos atrapalha que nos ajuda.