Nota CEII SP [26/07/2018]

Zizek critica Agamben por se limitar à dominação sem fazer referência à exploração econômica. Esse retirar da economia como lugar da transformação demonstra, segundo Zizek, os limites de Agambem. Toda construção de emancipação passa por considerar a economia como lugar do evento.

Nota CEII SP [05/07/2018]

Se o modelo de paraíso na religião e no capitalismo é a paz de um sanatório – ou como diz a canção “o céu é um lugar que nunca acontece nada”

Se uma ideia de militância religiosa que exerce um poder de influência que suga as forças dos próprios militantes e que se fundamenta numa hierarquização por vezes invisível pode ser o outro lado de uma paz impotente.

Nós precisamos de uma vez abandonar esta ideia que nos tira a força.

Não haverá nunca está paz sobre nossa Terra. “Abandonar a idéia de paz é a única paz verdadeira.” Basta de lamentação, de denúncia e. portanto, de impotência. Devemos virar o estado de absurdo contra o próprio poder estabelecido. Nossa margem de ação é infinita

Nota CEII SP [26/07/2018]

Cada vez mais encontro pessoas dispostas a seguir o lulismo cegamente, nesta última semana me deparei com a seguinte frase no Facebook: “Se Lula disser pra votar em poste eu voto!”. A frase foi reafirmada por diversos seguidores do lulo-petismo, mas esclarecendo que o poste seria Hadad.

Sobre isso podemos retomar a crítica de Lacan sobre as manifestações de maio de 1968, em uma reflexão de Zizek:

A fórmula crítica e sucinta de Lacan sobre os eventos gloriosos de Maio de 1968 foi que “la vérité fait la greve” [A verdade está em greve]: “Com o peso da verdade sobre nós em cada instante de nossa existência, é uma sorte ter com ela apenas uma relação coletiva”. Foi como se, numa versão estranha da inversão que caracteriza o ponto de capitonê, a série de verdades com que cada um de nós tem de lutar, os sintomas individualizados, tivesse sido trocado por uma grande verdade coletiva. Sigo a verdade e não tenho de lidar com outras verdades. É claro que essa verdade coletiva não é verdade nenhuma: nela, a verdade está em greve, a dimensão própria da verdade está suspensa. Essa situação não poderia durar, e deveríamos nos considerar afortunados porque o novo poder que surgiu depois do colapso dessa verdade foi tão tirânico quanto o precedente (ZIZEK, 2012, p. 246).

Enquanto isso, esperaremos o retorno do velho-novo mestre, seja ele na própria pele, ou encarnado nos candidatos de “esquerda” que o defendem, sabendo que seguir a “verdade” desse mestre nos trará o alívio para nossos sintomas, situação da qual, inclusive, os analistas não estão de fora.

Referência

ZIZEK, S. Vivendo no fim dos tempos. São Paulo: Boitempo, 2012.

NOTA #5 [31/07/2018] (RJ I)

Devo a Badiou o ensinamento acerca do que é ser militante. Só discordo de sua crítica ao partido. Acho que sem uma instância pensante, o corpo do proletariado se confunde e se atrasa politicamente. As propostas “horizontais” não apresentaram sucesso sequer comparável ao de Lenin e do partido bolchevique em 1917. Pior, tendem a retornar inopinadamente a uma atitude social-democrática ou proto-liberal, como queiram, de “luta pelos direitos” que negligencia “o real da luta de classes” (Na precisa formulação de Zizek). O centralismo do partido é dialético, e suas decisões resultam do debate.

NOTA #4 [31/07/2018] (RJ I)

Estive num evento promovido também pelo CEII, cujo temática geral e autor central sinceramente me escapam. Uma das falas no evento foi do nosso Mais-Um. Além de não estar exatamente inteirado acerca das linhas de reflexão possíveis ao evento, não pude acompanhá-la teoricamente porque estava presente cumprindo uma tarefa remunerada para o registro das atividades do dia. 
 
Terminei mais ou menos atento em função de uma intervenção do público, tanto por se tratar de um companheiro estimado por nós quanto pelo seu esforço de fazer uma crítica à maneira como a ideia de progresso havia sido representada pelo nosso camarada ceiiano. A meu ver, o pano de fundo da divergência, ao menos num plano mais imediato, seria a noção de futuro à esquerda. Mais concentradamente, penso que o companheiro buscava sinalizar o sentido da noção de progresso para a construção de alternativas positivas contemporâneas, enquanto que nosso Mais-Um relativizava a pertinência da mesma. Astutamente, sem atribuir eurocentrismo à noção, a crítica de nosso camarada apontava o caráter temporalmente (nem historicamente) localizado (nem geograficamente) da ideia de progresso. Numa palavra, como se o ideário civilizatório do progresso como uma ideia de ascensão absoluta já tivesse cumprido seu papel na modernidade, a despeito de Norte ou Sul, Centro ou Periferia, direita ou esquerda. Restando dele apenas seu espectro sobre os homens. 
 
Aludindo rapidamente à sua experiência profissional na clínica para exprimir seu ponto de vista, nosso Mais-Um fez alusão à histórias de sofrimento pessoal, cuja distinção decorre da pregnância deste ideário na vida cotidiana. Por analogia ou homologia, não sei dizer, nosso camarada então apontou como certos tipos de sofrimento parecem ser expressão da crença (uso “crença”, claro, sem qualquer conotação analítica) dos pacientes em replicar uma trajetória socialmente ascendente por ocasião das circunstâncias abertas recentemente no país. Numa palavra, como nações em desenvolvimento, eles aspiram e agem como partes da referida história do progresso da civilização humana. 
 
Como não acompanho o debate do evento nem mesmo a discussão entre o camarada e nosso estimado companheiro, é possível que eu esteja atrasado. Ocorre que vendo a discussão do ponto de vista de uma pessoa, por assim dizer, que sofre como sofrem as nações em desenvolvimento, a saber, constrangido pela impossibilidade da tal marcha ascendente, acho que vale um comentário a favor do camarada, porém contra seu argumento em relação ao companheiro. Considerando que a divergência entre ambos me pareceu ser de projeto (“abandonar ou defender o progresso como ideia?”), o que quero sinalizar é que o que é realmente terrível não é fato do caráter anacrônico do progresso, tornando inútil qualquer associação com ele, mas não haver lugar para onde ir, que não seja simplesmente para frente, depois que ele te alcança. 
 
Sem querer ganhar discussão à base de “carteirada moral”, mas me usando apenas para tentar expor um argumento a partir do que disse nosso Mais-um, acho que o pior momento da minha vida não foi quando me caiu a ficha em 2016 ou 2017 que o curso que percorri entre 2004 e 2015 se fechou e era inútil prosseguir, mas que após este fechamento eu não tinha um lugar porque, afinal de contas, eu fiz este percurso. Em outras palavras, o pior não tem sido a extensão dos meus fracassos profissionais na universidade na minha vida econômica. Seus efeitos são horríveis na minha vida psicológica, mas não só pelas expectativas que venho cegamente nutrindo por causa do percurso que fiz, mas fundamentalmente porque é como se eu não pudesse deixar de continuar “apostando neste jogo” (nas minhas contas, eu já “dobrei a aposta” umas cinco vezes, desde que comecei minha graduação). Então, meu palpite é que o que realmente é duro não é a percepção de que a ascensão ou progresso é só um “fantasma”, nem o esforço físico e anímico para permanecer sua companhia, mas que não há volta para trás após ser assombrado por ele (por exemplo, a certa altura do colapso, para não falar do comércio no Saara, em que tentei ser de balconista à auxiliar de serviços gerais, não consegui um emprego de motorista no início do doutorado porque não sei dirigir; não sei dirigir porque economicamente jamais estive perto de um carro; entre outras razões econômicas, ao início da minha vida adulta, entrando na universidade, “apostei” que valia a pena ficar duro, priorizando estudar, ao contrário de outros amigos que, como jovens adultos, queriam um dinheiro na mão para, entre outras coisas, “tirar carteira”, “pegar uma moto” etc). 
 
Voltando para o camarada e o companheiro, sem querer ser politicamente pessimista, ante à divisão deles entre decidir abandonar ou defender a ideia de progresso como desenvolvimento de uma história universal de ascensão, mencionando o Schwarz, que também foi citado em algum momento do evento, eu diria assim: um país, especialmente se atrasado, enquanto país, sobretudo hoje, só pode continuar se comportando positivamente em relação ao progresso. Não se trata de “projeto”, mas da inerência de ser país. 

NOTA #3 [31/07/2018] (RJ I)

Artists are eager to identify themselves with—and even lay claim to—efforts like the Occupy movement, but their involvement, Davis argues, muddles protest and derails organizational efforts more often than not. When artistic practice is posited as a politics, it tends to emphasize individual effort and distract movements from pursuing the sort of social change that could benefit that large portion of the population not interested in living their lives as art.
(…)
Because artists, unlike wage laborers, have a direct stake in what they produce and face no workplace discipline other than what they impose on themselves, their political attitudes are structurally different from those of the working class, who know they are interchangeable parts in the machine of capitalism and must organize collectively to resist it. “The predominant character” of the contemporary art scene, on the other hand, “is middle class,” Davis contends, referring not to a particular income or earning potential but rather to artists’ relation to their labor. Artists work for themselves, own what they make, and must concern themselves with how to sell it
(….)
Artists must produce their reputation as a singular commodity on the market, which makes their chief obstacle other would-be artists rather than capitalism as a system, regardless of whatever critical content might inhere in their work. When artists patronize the working class with declarations of solidarity, their vows are motivated less by a desire for social change than by the imperative that they enhance the distinctive value of their personal brand.
(…)
Mistaking the achievement of collective purpose as the accomplishment of collective aims, artists arriving at the scene of activism promulgate a politics of “carnivalesque street parties” in which participation is sufficient as a goal. But carnivals are the tolerated states of exception that support the ordinary operation of power. As Davis puts it, artists’ eagerness for “temporary autonomous zones” is a “perfect recipe for displacing the goal of struggle from enduring material change that could benefit large numbers of people to a spectacle that is purely for the amusement of those who take part.” In other words, artists turn protest into an aestheticized experiential good, something consumed by individuals who can then disaggregate from the collective with a distinctive, treasurable memory.
(…)
Limiting authentic creativity to proven professional artists makes creativity both aspirational (it models how nonartists should structure their leisure) and vicariously accessible (nonartists can absorb creativity through awed exposure to properly certified art objects). It is thus that artists  “represent creativity tailored to capitalist specifications.” Artists become the designated exemplars of the form liberty can take under an economic system that prizes innovation and glorifies ideologically the dignity of the small proprietor.
(…)
Artists make the satisfying feeling of being an artist as much as they make discrete artworks. Typical art-world consumers, however, are not interested in the freedom art might signify. They want something to invest in and something that sets them apart. The trade in art objects is mainly about updating the prestige scoreboard (and property values) in the rarefied “art world” of multimillionaire collectors, gallery owners, museum trustees, and artists becoming brands.
(…)
Given that artists’ status hinges on mystified creativity, they tend to overrate its transcendental significance. When “committed art practice” acts as a “substitute for the simple act of being politically involved, as an organizer and activist,” the focus shifts from economic injustice to liberating personal expression, as though capitalist society has some interest in suppressing it
(…)
But consumer capitalism is eager to harness the creative impulses of everyone. It virtually compels self-expression by allowing even the most mundane acts of consumption to become signifying lifestyle choices. (Is your kale organic? etc.) And the elaboration of communications technology has made our expression itself a lucrative product that we make for free and pay to consume the spectacle of its distribution. Telecoms and social-media companies would like nothing more than for us to express ourselves as much as possible.
(…)
No matter how subversive the content of such art becomes, it never ceases to support capitalist hegemony. Artists provide concrete evidence that capitalism nurtures autonomous “creativity” and tolerates even the most intemperate of its countercultural excesses, while it actually siphons the creative energies of nonartists into valorizing consumer goods, putting them to innovative use in expressing identity.
(…)

NOTA #7 [17/07/2018] (RJ I)

Todo e qualquer retorno ao passado deve se r rechaçado. Um sintoma de que estamos em um período de imobilismo do pensamento, é a constatação de uma morosidade melancólica relacionada ha um mundo passado que não retorna mais. A dinâmica da circulação do capital tem exposto o homem a uma época que marcou a dessacralização os vínculos antigos convertendo o homem em senhor deste mundo. O vazio a que o homem foi exposto foi a constatação de que o rompimento de vínculo com o Um não garantiu a consolidação do projeto emancipador de um novo homem. Diante do fracasso na invenção do novo, olha se para traz em busca dos cacos de um tempo que não volta mais. Neste caso, não seria então nossa tarefa: realizar o luto do Uno e assim reinvestir o pensamento na tarefa de inventar o novo ?

REFERENCIAS CEII-SP 09/08/18

Fizemos a delimitação e divisão das mídias/ meios (zap, email, fb…) referentes ao primeiro contato dos que procuram o oficina, apesar de mantermos os psicanalistas responsáveis ao ‘acolhimento propriamente dito’ por assim dizer – esse segundo momento que pode ou não ocorrer, presencial, dos casos onde a demanda inicial não é clara e necessita de uma pequena escuta inicial, uma espécie de triagem para identificarmos o(s) espaço(s) adequados para cada um. Portanto, mantendo a noção de que o encurtamento das etapas e do distanciamento do demandante com os atendimentos em si é importante.

 

Nota CEII SP [05/07/2018]

O curso, os eventos e as atividades desenvolvidos pelo CEII SP esse ano têm aproximado membros que estavam um pouco mais distantes. Acredito que essa é uma boa forma de gerar engajamento entre os participantes, já que ao que tudo indica, as leituras e discussões já não estavam mais gerando tanto engajamento entre os membros mais antigos.

Nota CEII SP [05/07/2018]

Estou um pouco preocupado com os membros do CEII SP que acompanham as reuniões remotamente. Sei que há diversos motivos para que não participem das reuniões com frequência, mas também acho que é nosso dever fornecer as condições para que tais membros participem, independentemente de haver confirmação ou não de participantes virtuais. Acredito que dessa forma, estaremos incentivando tal modalidade de participação, mesmo que tais membros peguem só parte da reunião.