REFERENCIAS REUNIAO CEII SP 11.10

. Fomos convidados a participar da reunião emergencial promovida pelo safatle. Mas foi mto em cima da hora; e teria sido, primordialmente, ir as ruas converter votos. Discussão sobre essa modalidade de trabalho de base – o contato corpo a corpo nas comunidades, e no caso, em específico, o convencimento.

. Decidimos passar a leitura para o início da reunião, pela leitura ser mais de interesse comum, mesmo dos membros que participam à distância, ao passo q a discussão dos projetos talvez seja de interesse mais dos que participam mais presencialmente. E por, no final, talvez não tenhamos mais tanta atenção ou disposição a leitura.

. A idéia do fascismo não como a reação da direita à ameaça da esquerda – a proximidade e o medo desta pegar o poder – mas o inverso: ele resulta da falência, a derrota, esmurecimento a total inércia da esquerda frente a crises ou a problemas urgentes e crescentes em determinada época, como nas épocas pós crise, como a q vivemos. E o fascista, então, aparece, como oportunista, recriando esse adversário morto, para deste salvar a sociedade, sendo assim um salvador…logo, isto seria resultado necessário do reformismo, em nosso caso, do pt. Logo:

.Como agir para além disso, do estado…? J. bernardo fala em ‘auto-organização’, organização intra-classe, pelos e para os próprios trabalhadores – livre do estado, e sua burocratização – em organizações de bairro, ações eclesiais de base, etc..  mas como o trabalhador poderia se organizar, já que:

.Temos novas características hj: passagem do fordismo para o toyotismo; passagem do capital industrial para o financeiro;  e, com menos emprego, o trabalho não seria mais algo q nos faça reconhecermo-nos, e tb o sujeito neoliberal . e em vista dessa realidade, como agir a partir daí … ?

. convite a moça da pós graduação q nos solicitou apoio para as demandas dos pós graduandos, em especial à demandas de “organização”, daí decidimos por convidá-la a uma reunião e daí ela explicar melhor.

. sobre o oficina: já tendemos 2 pacientes sendo atendidos; logo, podemose devemos dar o passo seguinte: o de criação e organização dos pontos do projeto sobre discussão dos casos, supervisões etc … abrindo perspectivas, inclusive, a um novo modelo possível de escola de psicanálise.

– início da discussão sobre o fascismo nascente e seus possíveis desdobramentos e possíveis ameaças a vida comum. E a nossos semelhantes mais diretos.

Labirintos do fascismo, joão bernardo. https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/05/29/pdf-nova-edicao-de-labirintos-do-fascismo-na-encruzilhada-da-ordem-e-da-revolta-de-joao-bernardo/

A rebeldia do trabalho. Ricardo Antunes.https://pt.scribd.com/document/260377462/A-Rebeldia-do-Trabalho-Ricardo-Antunes

fala da Esther solano, https://www.youtube.com/watch?v=JrnpiscANN0

https://soundcloud.com/ideiaeideologia/ceii-sp-11102018

 

 

 

Nota CEII SP [11/10/2018]

Da leitura: No final ficou em aberto para mim a questão de articular a persistência das dominações em espécie numa gramática estritamente marxista.
Sobre a última nota publicada enquanto esta é escrita (“De que forma o resultado da eleição para presidente pode impactar nas atividades do CEII?”):
         acho que é importante discutir questões de segurança e privacidade, a começar pela crítica das tecnologias investidas pelo coletivo.</nota>

Nota CEII SP [11/10/2018]

Ainda é possível constituir “laço de classe”, a partir da condição de classe? Gostaria de propor esta questão sem que, antes mesmo de uma discussão possível, fosse esta tachada de puramente polemica, neoliberal, pós-moderna e assim por diante. Essa pergunta é fundamental pois pressuposto das possibilidades de militância, luta política e transformação social estrutural.

Até o terceiro quarto do século passado, parece que não havia dúvidas sobre a formação subjetiva pela classe. Tínhamos o trabalho formal, sustentado na família nuclear e na divisão de papeis sociais de gênero, costurando gerações seguidas em uma costura social e cultural de classe. Éramos, sem maior dúvida, uma sociedade do trabalho ou do emprego: a sociedade e a participação social se definiam, fundamentalmente, pela participação no trabalho produtivo, que era também instrumento de subjetivação e socialização dos indivíduos e grupos, determinando seu lugar na estrutura social. Esta é estrutura básica das sociedades moderno-industriais.

Mas o que acontece quando passamos para um modernidade não-industrial, para um Capitalismo financeirizado? O que acontece com o sujeito? Não é possível compreender que o indivíduo produz-se ao produzir, isto é, que (1) a forma Capital determina as formas de subjetivação, (2) o Capitalismo passou por modificações estruturais, mas (3) o sujeito permanece o mesmo. Žižek (2016, p. 359) faz um questionamento similar aos teóricos da “Sociedade de Risco” (Ulrich Beck e Anthony Giddes): o problema dos teóricos da Modernidade contemporânea, segundo Žižek, é que apesar de insistirem em apontar transformações sociais radicais, “eles deixam intacto o modo fundamental de ‘subjetividade’ do sujeito”.

Colocar em questão a possibilidade de transformação a partir do laço de classe, ou mesmo a possibilidade de fazer laço de classe, não é sob hipótese alguma, negar a luta de classes, a estrutura de classe, ou a exploração como violência fundamental do Capitalismo. Mas propor pensarmos qual o papel da classe na formação subjetiva dos indivíduos, na organização dos grupos e, em última instancia, na mobilização política em torno de ideais de mudança ou transformação social (quiçá revolucionária). Se pensarmos que há uma historicidade na formação da subjetividade – e não há aqui nenhuma tentativa de descobrir uma verdade oculta ou coisa que o valha –, como o velho Marx já dizia que o sujeito se produz ao produzir, se a forma trabalho-produção muda historicamente, também historicamente muda este sujeito produzido pelas condições matérias de vida.

Agora sim, evitando ser polemico, uma conversa maior sobre o que é a sociedade contemporânea, caso a classe não esteja necessariamente no centro da constituição política e subjetiva, exigiria debate, estudo e reflexão que não cabem na nota.

Nota CEII SP [16/08/2018]

A palavra é o dever de poder.  Para a atualidade, talvez, não pareça tão evidente a relação direta da palavra com o poder. Nesta sociedade, a palavra é tratada como direito de poder, através de processos duvidosos de legitimação. Para nós a palavra é o dever de poder.

Dever de poder assim como para os zapatistas a única possibilidade de governar é através do mandar obedecendo. O dever de falar é um poder que deverá ser disseminado entre nós. Palavras que nos inspiram. Palavras que são poesia e que rompem com as tradições de uma linguagem burocrática. Nosso conflito político é feito por palavras, símbolos e legitimidades. Nosso conflito por outro modo de política é um conflito de sentidos.

Mas falar e ser escutado são coisas diferentes. Estamos acostumadas a escutar, agora passaremos a falar mesmo que nossos ouvintes estejam dispersos. Nossa linguagem não relega a uma posição secundária as liberdades sociais, pois evidencia a heterogeneidade e as particularidades presentes entre nós. Assumimos uma linguagem sincrética que pode se desdobrar numa forma teórica, literária, artística e até mesmo metafisica. Nossos ouvintes não como meros receptores de informação, mas forças com potências que se deslocam no tempo e no espaço variando suas formas de atuação multiplicando as possibilidades da palavra. Palavras que não olham de cima, mas lado a lado, com ouvidos e esforços.

Por último nossa palavra é dever de mobilização, de enfrentamentos na rua, de inspiração, de poesia e de tudo que seja capaz de potencializar as pessoas como sujeitas de suas próprias realidades. Mesmo algo metafísico, se for para colocar potência nas pessoas, no aqui e agora, no chão das nossas vidas e nas alegrias que fazem parte dela será bem vindo. Se engradece a luta do povo pela sua própria dignidade será parte do nosso poema partilhado. A ligação entre palavra e poder não será mais esquecida.