NOTA #3 [25/02/2019] (RJ I)

Sobre a presença feminina no CEII
 
Tem sido uma questão frequente em nossas reuniões a preocupação de como o coletivo pode acolher mais mulheres e fazer com que o número de participantes mulheres aumentem. Ainda sobre o evento do Fosso (16/03) foi muito importante a fala da companheira Jeniffer Bello, tive um bom feedback a este respeito de outra mulher, ela me disse que a fala da Jeniffer trouxe a trajetória do CEII de uma forma mais cotidiana, mais próxima e de uma maneira mais acolhedora.
Isto me faz pensar como conceitos que podemos tomar emprestado da psicanálise tal como “identificação” ou “transferência” nos ajuda a pensar a imagem que o coletivo ganha aos olhos do outro que queremos que ingresse no Círculo.

NOTA #3 [18/02/2019] (RJ I)

Um círculo sem interior
 
Gostei muito do que falamos no Fosso (16/03) e fiquei pensando como que esta metáfora de “um círculo sem interior” pode reformular a ideia do “comum”, me lembrei de uma nota de trabalho do Bataille enquanto elaborava o livro ” A experiência interior”: “Rever em particular a ausência de comunidade e insistir na ideia de comunidade negativa: a comunidade dos que não têm comunidade” (Bataille, 2016, p.302). Seria o CEII uma “comunidade negativa”?

NOTA #2 [25/02/2019] (RJ I)

APRESENTAÇÃO:
O Colóquio “Agamben: interfaces e encruzilhadas do pensamento contemporâneo” se insere na linha de pesquisa Filosofia Social e Política do PPG Filosofia Unisinos, e reverbera um interesse cada vez maior no pensamento do filósofo italiano em temáticas centrais que se intercruzam para compreendermos o presente e suas raízes na tradição filosófica, jurídica, econômica e religiosa do Ocidente. Através de plenárias e conferências haverá oportunidade para se pensar desafios e linhas de fuga e ruptura que se descortinam em um tempo como o nosso, marcado pelo aprofundamento do uso dos dispositivos do direito e da economia para capturar as subjetividades a fim de melhor amoldá-las à operatividade do capitalismo.

O evento terá transmissão na integra em HD via Filosofia Unisinos Facebook (https://www.facebook.com/ppgfilosofiaunisinos/) e posterior upload em FULLHD na Filosofia Unisinos YouTube (https://www.youtube.com/channel/UC90TQ9dkSQZ6eALsE5Yqa7A

Quais são os objetivos?
– Analisar o pensamento do filósofo italiano Giorgio Agamben no contexto dos problemas contemporâneos.
– Promover o intercâmbio e o debate entre pesquisadores de sua obra em âmbito nacional, sem perder de vista as análises que são realizadas em termos internacionais.
– Desenvolver mesas temáticas que aprofundem aspectos da obra agambeniana: política, ética, direito, psicanálise, linguagem, etc.
– Discutir a filosofia de Agamben face à contribuição de outros pensadores, a fim de compreendermos o diálogo com outras tradições filosóficas.

É destinado a quem?
Alunos de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores interessados na filosofia de Giorgio Agamben e suas intersecções com diversos campos do conhecimento, pessoas interessadas na problemática crítica.

Distribui certificado?
O participante receberá o certificado de participação mediante a frequência mínima de 75% da carga horária total do evento.

Carga horária
16:9 horas

Promoção
Filosofia Unisinos e Instituto Humanitas Unisinos – IHU

PROGRAMAÇÃO:
Dia 13/05/2019, 10:00-12:00 – AGAMBEN, ÉTICA E FILOSOFIA
10:00-10:30 – A relação entre uso (chresthai) e ética no pensamento político de Giorgio Agamben. Daniel Nery da Cruz (Doutor em Filosofia/Professor de Filosofia – UEFS)
11:00-11:30 – O “cair da máscara” diante das “razões de segurança”: um percurso genealógico pelas razões do Estado. Eduardo Tergolina (Doutorando em Filosofia/Unisinos)
11:30-12:00 – A máquina antropológica e o aparelho repressivo no Cone Sul pós-ditaduras militares. Danillo Avellar Bragança (Doutorando em Ciência Política/UFF)

Dia 13/05/2019, 14:00-16:00 – AGAMBEN, ÉTICA E DIREITO
14:00-14:30 – Biopolíticas e Sistema Penal. Bruno Silveira Rigon (Doutorando em Ciências Criminais na PUC/RS (Professor de Direito Penal na UCS)
14:30-15:00 – Os nexos entre o estado de exceção e o direito penal do inimigo: desdobramento de Giorgio Agamben
Fernando Horita (Doutorando em Filosofia/Unisinos)
15:00-15:30 – O jogo e o inimigo: a guerra como paradigma. Érika Peixoto (Doutoranda em Filosofia/Unisinos)
15:30-16:00 – Debates e questões

Dia 13/05/2019, 16:15-18:15- AGAMBEN, ÉTICA E DIREITO
16:15-16:45 – A crise dos refugiados na atualidade: um estudo sobre conceitos biopolíticos de Giorgio Agamben. Flávia de Ávila (Doutora em Direito/Professora de direito/UFS)
16:45-17:15 – Complexo de refugiados em Dadaab: Estado de exceção em caráter permanente? Márcia Carolina Santos Trivellato (Doutoranda em direito/UFMG)
17:15-17:45 – Giorgio Agamben em Canudos. Pedro Andrade Corrêa de Brito (Mestrando em Antropologia/UERJ)

Dia 13/05/2019 – ABERTURA OFICIAL
19:30-20:00 – Abertura oficial do evento com Prof. Dr. Castor Bartolomé
20:00-21:00 – Conferência: Da profanação à desidolatrização – Agamben, Flusser, Didi-Huberman – Prof. Dr. Ricardo Timm de Souza (PPG-Filosofia/PUC-RS). A Perspectiva ética em Giorgio Agamben
Ésio Salvetti (Doutor em Filosofia/UFSM/Professor de Filosofia/IFBE)
21:00-21:30 – Debates e questões

Dia 14/05/2019 – PLENÁRIA AGAMBEN, FILOSOFIA E PSICANÁLISE – 10:00-12:00
MEDIAÇÃO
10:00-10:30 – Agamben com Lacan: biopolítica e gozo na contemporaneidade. Joelton Cleison Arruda do Nascimento (Doutor em Sociologia/Unicamp)
10:30-11:00 – Aproximações entre agamben, teoria crítica e psicanálise. Diogo Cesar Nunes da Silva (Doutor em Psicologia Social/Professor de psicologia-UNIABEU)
11:00-11:30 – Agamben e a crítica ao $ (sujeito dividido). Marcus César Ricci Teshainer (Doutor em Ciências Sociais/PUC-SP)
11:30-12:00 – Debate e perguntas

Dia 14/05/2019 – PLENÁRIA AGAMBEN, FILOSOFIA E LITERATURA – 14:00-16:00
MEDIAÇÃO
14:00-14:30 – Afasia e inoperância em A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli. Thiago Tiriba (Mestrando em Literatura e Crítica Literária/PUC-SP)
14:30-15:00 – Agamben e a ambiguidade da noção de jogo nas culturas. Silvana Silva (Doutoranda em Letras/UFRGS)
15:00-15:30 – Alteridade como fogo da criação: os desdobramentos autorais na obra de Erico Verissimo. Beatriz Badim de Campos (Doutoranda em Literatura e Crítica Literária/PUC-SP)
15:30 – 16:00 – Debate e perguntas

Dia 14/05/2019 – PLENÁRIA AGAMBEN, ÉTICA E POLÍTICA – 16:15-18:15
MEDIAÇÃO
16:15-16:45 – Uma topogênese a partir da concepção de comunidade de Agamben. Diego de Matos Gondim (Doutorando em Educação Matemática e Filosofia/UNESP/Université Paris 8)
16:45-17:15 – A comunidade como espaço impolítico de resistência ao poder soberano segundo Agamben. Joel Decothé Jr. (Doutorando em Filosofia/Unisinos)
17:15-17:45 – Da potência do comum à comunidade do qualquer: Agamben leitor de Averróis e Dante. William Costa (Doutorando em Filosofia/Unisinos)
17:45-18:15 – Debate e perguntas

Dia 14/05/2019 – CONFERÊNCIAS
MEDIAÇÃO
19:30 – 20:20 – Uma política da Filosofia
Prof. Augusto Jobim do Amaral (Augusto Jobim do Amaral: Doutor em Altos Estudos Contemporâneos (História das Ideias, Ciência Política e Estudos Internacionais Comparativos) pela Universidade de Coimbra (Portugal)
20:30-21:20 – A questão da comunidade: Nancy, Blanchot e Agamben. Prof. Dr. Roque Jungues
21:20-22:00 – Debate e perguntas

Dia 15/05/2019 – PLENÁRIA AGAMBEN, ÉTICA E POLÍTICA – 14:00-16:00
MEDIAÇÃO
14:00-14:30 – A culpa como vínculo biopolítico: entre Benjamin e Agamben. Benjamim Brum Neto (Doutorando em Filosofia/UFPR)
14:30-15:00 – A voz animal e a linguagem humana em Agamben. Wesley Da Silva Costa (Mestrando em Filosofia/UFPR)
15:00-15:30 – Notas sobre o resto. Lucas Bertolucci Barbosa de Lima (Mestrando em Direito/Universidade Estadual do Norte do Paraná)
15:30 – 16:00 – Debate e perguntas

Dia 15/05/2019 – PLENÁRIA AGAMBEN, LITERATURA E FILOSOFIA – 16:15-18:40
MEDIAÇÃO
16:15-16:45 – Voz, potência e figuração na criação literária. Maria Rosa Duarte de Oliveira (Professora titular em Teoria Literária/PUC-SP)
16:45-17:15 – Agamben e psicanálise: voz e contingência. Vanessa da Cunha Prado D’Afonseca (Doutoranda em Linguística/UNICAMP)
17:15-17:45 – Uma política da potência a partir de Nietzsche e Agamben. Márcia Rosane Junges (Doutora em Filosofia/Unisinos/Professora na Unisinos)
17:45-18:15 – Feminismo como gesto de potência. Fernanda Martins (Doutoranda em Ciências Criminais-PUC/RS/Professora de Direito/Uivali)
18:15-18:40 – Debate e perguntas

Dia 15/05/2019 – CONFERÊNCIAS
MEDIAÇÃO
19:30 – 20:20 – Estado de exceção a partir de Agamben – Evandro Pontel (Doutor em Filosofia/PUC-RS). Dilemas sobre a sacralidade da vida. Os paradoxos do homo sacer – Conferência de encerramento: Prof. Dr. Castor Bartolomé (PPG-Filosofia/Unisinos)
20:20-20:40 – Debate e perguntas
21:20-22:00 – Encerramento e confraternização

INSCRIÇÕES:
http://www.unisinos.br/eventos/giorgio-agamben-interfaces-e-encruzilhadas-do-pensamento-critico-co-ex124175-00001?fbclid=IwAR2uWqkBX2mbn3XtzSFir68uLH8_YXaE5U6F47iarWB8eebLQ9NtWo7Zm4k

NOTA #2 [18/02/2019] (RJ I)

Caso você esteja em dúvida se já leu essas entrevistas de Michel Foucault a respeito da revolução iraniana, podemos reassegurar: a resposta é não. Elas não foram incluídas nos Ditos e Escritos, pois apareceram só em 2013, em árabe, e em 2018, parcialmente, numa revista francesa. Assim, são conversas em tudo inéditas. Tiveram que esperar mais de três décadas para se tornarem acessíveis ao público em geral.
Seu interesse é duplo. Por um lado, depois de toda a celeuma provocada pelas “reportagens de ideias” escritas por Foucault por ocasião de suas duas viagens ao Irã, em 1978, o filósofo esclarece o sentido de seu interesse pela sublevação iraniana, desfazendo mal-entendidos, desinformações e malevolências (de que ele teria apoiado a implantação da teocracia!).
Por outro lado, nelas esclarece sua concepção de revolta, sublinhando que expor-se à morte é um gesto irredutível a qualquer explicação histórica. Ademais, fala sobre o que entende por “espiritualidade política”, dando à expressão um sentido particular, mais vinculado à experiência da modificação de si (“tornar-se outro do que se é”) do que à instituição religiosa. Portanto, mais aparentada a Bataille, Blanchot e Ernst Bloch do que à visão de um aiatolá.
Nessas conversas tocantes, temos acesso às ideias de Foucault na época sobre a natureza da resistência, do poder, da vontade, da religião, da experiência, do sujeito, sobre Sartre, os “novos filósofos” – de golpe, é todo um panorama mental que se descortina, de uma riqueza e atualidade extraordinárias.
De quebra, um belo ensaio de Christian Laval fecha este livro instigante, organizado por Lorena Balbino.

NOTA #3 [11/02/2019] (RJ I)

“Se a questão comunista retornou nos dias de hoje, essa renovação de interesse se acompanha de um estranho abandono da estratégia política. As filosofias críticas prosperam e proliferam mas, voltadas para o terreno acadêmico, elas parecem desconectadas dos jogos concretos postos pela presente crise do capitalismo, contribuindo, assim, à fragmentação das resistências que são opostas a ela. Ao contrário da tendência que condena a perspectiva da emancipação aos registros da utopia e da nostalgia, ao encontro também do entusianos que pode suscitar uma opção ‘populista’ inconsciente desses renunciamentos, Isabelle Garo estuda, nesta ensaio, as condições de um relance contemporâneo da alternativa. Olhando os problemas aos quais enfrentam muitos dos pensamentos radicais entre o mais em voga – o Estado e o partido, o trabalho e a propriedade, o dissenso e a hegemonia -, ela os reinvestiu se inspirando em Marx e Gramsci, em uma ‘démarche’ que faz da questão estratégica o coraçao das articulações a serem inventadas entre a análise teórica e a intervenção política.” (tradução minha)

NOTA #4 [04/02/2019] (RJ I)

Sex and the Failed Absolute provides nothing short of a new definition of dialectical materialism. Radical new readings of Kant and Hegel sit side by side with lively commentaries on film, politics and culture. And in forging this new materialism, Žižek doesn’t shy away from taking on and analysising important recent philosophies such as the work of Alain Badiou, Robert Brandom, Quentin Meillassoux and everything from popular scientist and quantum mechanics to sexual difference and analytic philosophy. This is Slavoj Žižek at his interrogative and energising best and represents his most rigorous articulation to date of his philosophical system.

NOTA #5 [28/01/2019] (RJ I)

Alain Badiou elevou sua transferência com Lacan ao reino dos objetos eternos ou, parafraseando o título de um dos seus livros dedicado a uma geração de pensadores franceses (entre eles J.M.L.), guardou-o em seu “pequeno panteão portátil”. Em lugar de se dirigir ao consultório da rua Lille para que essa estranha forma do amor tenha lugar e logo caia como qualquer objeto submetido ao tempo, idealizou-o a ponto tal de converter Lacan em um Mestre de que podia prescindir (a estrela distante da “Ideia”), assim como se prescinde de um matemático uma vez que este deixou por meio de si uma determinada operação. Badiou escolheu a elaboração da transferência com Lacan pela via do pensamento filosófico.