NOTA #3 [08/04/2019] (RJ I)

Matar o discípulo em si ou não há o Outro-suposto-fazer

Na idade em que, por inexperiência, tomamos gosto pela filosofia, decidi fazer uma tese, como toda a gente. Que tema escolher? Queria um que fosse ao mesmo tempo repisado e insólito. Assim que julguei tê-lo encontrado, apressei-me a comunicá-lo ao meu mestre:
– O que acha de uma Teoria Geral das Lágrimas? Sinto-me talhado para trabalhar nisso.
– É uma hipótese – disse-me ele -, mas ser-lhe-á muito difícil encontrar bibliografia.
– Que não seja por isso. Toda a história me apoiará com a sua autoridade – respondi-lhe eu com um tom de impertinência e de triunfo.
Mas como ele, impaciente, me lançava um olhar de desprezo,resolvi de imediato matar em mim o discípulo.” (Cioran – Silogismos da Amargura)



Pergunto para mim tanto quanto para outros: dado a possibilidade de, dentro do CEII, fazer “o que se quer”, por que, ainda assim, não fazemos? Há limites materiais, certamente, o deslocamento para nos juntarmos em um mesmo espaço e ter o tempo necessário para fazê-lo pode ser muito custoso, mas se temos a possibilidade de fazer muitas das coisas que fazemos online, por que não fazemos? Eu vejo que há aí tanto a questão do tempo: não querer pagar o tempo de estar junto ao coletivo, quanto pressupor que a estrutura do coletivo existe em si, ou seja: que o mero ato de entrar no coletivo já é fazer parte dele. Talvez esteja aí uma questão interessante para pensarmos:o sujeito quer manter-se discípulo frente a um mestre, pois isto faz a própria relação ganhar uma consistência: “sou aquele que faz parte do círculo do mestre”, aqui me chama atenção que tanto quanto as subcélulas, quanto a célula possa assumir este formato discípulo-mestre (há desejo de ser discípulo, bem como desejo de ser mestre, em que um implica a pressuposição do outro). Por que desejamos dar consistência ao círculo vazio sem nos virarmos com a potência deste vazio determinado que é o CEII?

NOTA #2 [01/04/2019] (RJ I)

2 – Uma formação militante
Eu acredito que ter um espaço de formação para a prática militante seria muito interessante para fazer com que participantes do grupo se impliquem de forma mais global com o coletivo. Temos discutido, especialmente a partir de algumas colocações do Gabriel, que boa parte da prática militante passa mais por uma “lógica do cuidado”, mais próxima ao “trabalho doméstico” do que de um “grupo-de-estudos-marxista-revolucionário” (o ponto não é que uma coisa exclua a outra, mas sim que normalmente se exclui de um grupo-de-estudos-revolucionário uma reflexão sobre este fazer cotidiano da militância). Gostaria de propor ao coletivo que penssássemos como instituir esta formação interna no CEII, se isso for de interesse para outras pessoas também.

NOTA #2 [25/03/2019] (RJ I)

Um militante autoriza-se a si mesmo
Já estamos há algum tempo conversando sobre os problemas do CEII em relação ao “o outro suposto-fazer” e como evitar determinados mecanismos imaginários de suposição que alguém do grupo fará a atividade x. Como uma pessoa que entrou recentemente no grupo, eu acredito que este processo de autorizar-se militante é profundamente importante para evitar este mecanismo da suposição. Eu tenho a impressão que ao entrar no coletivo estou entrando em algo que tem uma história que eu ou desconheço completamente ou conheço parcialmente e este é um elemento importante para imaginar que há um outro que “faz mais parte” do grupo que eu e,logo, terá um maior domínio de algum atividade, etc. Pensar em um mecanismo interno ao grupo que possa ser uma instância em que o participante do coletivo passe a militante, pode ser interessante para quebrar esta fantasia do “Outro suposto-fazer”.

NOTA #1 [15/04/2019] (RJ I)

houve algum momento onde o mecanismo das notas foi 100% anônimo? o fato das notas serem parcialmente anônimas no presente momento foi uma escolha discutida ou é uma mera contingencia da tecnologia escolhida (“o envio por email”)?

não sei se entendi corretamente, mas parece que há duas facetas no funcionamento das notas. uma delas, corresponde meramente a se certificar de que houve o envio por parte do membro. no outro, há uma leitura compartilhada feita pelo mais-um das notas na reunião seguinte.

essas duas facetas precisam ser dependentes uma da outra?

se o conteúdo da nota não é um mecanismo regulador, pq tornar a associação entre autor-conteúdo público para alguns membros (ou para todos os membros interessados em conectar o autor à nota)?

se os autores não pudessem ser identificados, talvez isso ampliasse o escopo do conteúdo das notas e isso pudesse dar uma reaquecida na mornitude relatada?

me parece mais coerente com algumas falas presentes no ceii, em especial o desejo de reduzir o papel do autor e focar-se no que é dito.

se for só uma questão contingencial da tecnologia, com alguma dose de trabalho de programação (a qual eu não posso oferecer ajuda pois não ceii programar [mas posso ajudar no metacódigo e nos testes]), seria possível fazer um login no site do ceii onde ficasse registrado que membro fulana de tal enviou a nota, porém, o conteúdo da nota cairia num depósito que não faria identificação de quem veio.

pode ser que isso claro aumente a mornitude relatada. pois esse aspecto que tem um aspecto de vigilância “estão vendo que não escrevi nada” talvez faça com que enviem menos ainda. ao mesmo tempo, eu defenderia o anonimato como teste, mesmo que num mecanismo menos elaborado a principio. a não ser é claro que vcs já tenham testado isto, e aí desta forma vcs podem me relatar como a coisa se deu.

 

REUNIÃO CÉLULA CEII-SP 04/04/2019

Discutimos basicamente obre dois assuntos:

  1. Sobre as notas, ao que formulamos algumas sugestões de mudanças no que tange as notas e ao engajamento mínimo do membros, que estão bem expressas no post feito no grupo do face com as opções para votação, que segue:

CEII SP
Caros camaradas, na última reunião conversamos sobre o funcionamento da nossa célula e decidimos que seria interessante pensarmos numa mudança no modo com que nos relacionamos com as notas de trabalho, sobretudo em função dos sucessivos cancelamentos das reuniões o que, diante de sua realização quinzenal, está nos prejudicando bastante.
Abaixo seguem as propostas, mas é importante destacar que na reunião entendemos que a proposta 2 (quem tiver quatro notas não pode participar da reunião) é com certeza a mais interessante pois, além de não ser mais necessário o cancelamento da reunião, o envio de notas se torna uma questão de engajamento positivo com a célula. Ou seja, se o participante deseja participar da reunião, ele precisa estar em dia com suas notas. Nos parece uma virada do ponto de vista bastante interessante, uma vez que prestigia o interesse ao invés de “punir” o desinteresse.
Além disso, fica abolido o instituto mequetrefe do LICENCEII. Se o participante não quer ou não pode vir a reunião, nada muda, ele somente terá de enviar notas se quiser participar da reunião. Não haverá qualquer expulsão caso o participante não mande notas. A contagem é estacionada em 4 notas, e para participar da reunião precisa ter ao menos 3 notas de débito.
Enfim, esta nos pareceu a melhor ideia. As outras são abolição da obrigatoriedade das notas ou manter como esta.
Segue votação, que, como de praxe, ficará aberta por uma semana.
Abs!

. Pensar em outras formas de vinculo que possam substituir a nota ou valer como nota.

. Quem tiver em débito de 4 notas não pode participar da reunião

. Abolição da obrigatoriedade das notas

. Manter modo de funcionamento atual

 

  1. E, sobre a sugestão de pormos em prática, ao início do próximo texto de leitura, a idéia do SG tb ser um ‘animador de leituras’, que assim guiaria a leitura com questionamentos, a partir de uma leitura prévia do texto. Dessa forma, conviria ser também alguém que já tivesse ou que se sentisse mais familiar com o texto ou autor em questão.

 

Nota CEII SP [28/02/2019]

A falência dessa esquerda que se forjou nos idos finais da década de 1970 demonstra que aquela paixão pela “práxis”, imediata e irrefletida, legitimou não apenas um falso ativismo, como também, uma falsa alternativa emancipatória. A ação desesperada mediante a crise deve ser o monopólio dessa esquerda, que atávica, acredita que sua forma de vida permanece intacta enquanto dá seus últimos suspiros. O que de certa forma é legitimo. Nós comunistas necessitamos da reflexão e do pensamento, ou seja, nossa práxis é uma práxis-teórica.

Nota CEII SP [28/02/2019]

Todos os ceiianos sabem que do lirismo democrático-representativo e bem-comportado a população parece estar farta! Enquanto a palavra revolta sumiu do dicionário da esquerda, a palavra revolução se tornou coisa de herege. As marchas cívicas que imitam o modus operandi da extrema direita – passeata bem-comportada aos domingos – sugerem sua verdade. A entrega de jovens para a polícia por incitarem a violência na marcha ordeira, revela sua degenerescência.  E o horizonte decrescente caminha como um colosso desperto a largos passos. E o CEII nesse cenário?

Nota CEII SP [04/02/2019]

Estava pensando em como atrelar as necessidade de organização do CEII a efetividade da vida comum. Vi que a imensa horda de desgraçados que se amontoam nas calçadas sabem que o atual modelo de gestão da barbárie se esgotou e nada há no horizonte que aponte algo propositivo. A barbárie do governismo de esquerda que era inconsciente, isto é, se aplicava só nas periferias pelo extermínio da juventude pela polícia, nas áreas rurais tomadas pelo agronegócio, pelo roubo das terras indígenas, se tornou doravante consciente. Passou a afligir os filhos da classe média letrada. Nossa intelligentsia. Enquanto isso, para as periferias nada há de novo no front! Uma PEC a mais, uma PEC a menos… Daí que porque não pensamos o sofrimento psíquico dessa camada?

Nota CEII SP [31/01/2019]

Estava pensando em como atrelar as necessidade de organização do CEII a efetividade da vida comum. Vi que a imensa horda de desgraçados que se amontoam nas calçadas sabem que o atual modelo de gestão da barbárie se esgotou e nada há no horizonte que aponte algo propositivo. A barbárie do governismo de esquerda que era inconsciente, isto é, se aplicava só nas periferias pelo extermínio da juventude pela polícia, nas áreas rurais tomadas pelo agronegócio, pelo roubo das terras indígenas, se tornou doravante consciente. Passou a afligir os filhos da classe média letrada. Nossa intelligentsia. Enquanto isso, para as periferias nada há de novo no front! Uma PEC a mais, uma PEC a menos… Daí que porque não pensamos o sofrimento psíquico dessa camada?