NOTA #1 [18/02/2019] (RJ I)

A Crise e Crítica sobre populismo está em processo de edição, agora que descobrimos como fazê-lo a partir do template enviado pelo Agon. Passamos quase um mês tentando resolver esse problema. Ela deve sair com artigos de Moysés, Phillipe, Lucas, Moysés, Daniel, Thiago e a entrevista do Safatle. Temos que decidir sobre os próximos números. Sugiro o mesmo processo da última vez.

NOTA #2 [11/02/2019] (RJ I)

O GT de Ação Política também não se reuniu, não obstante algumas conversas e apelos para que as pessoas mandassem suas respectivas disponibilidades. Parece que depois da eleição a temperatura desceu, ao menos no que se refere a ações para se proteger do governo Bolsonaro. Não sei se é cansaço, paralisia, inércia, ou a constatação de que o bicho não era (ou não é ainda) tão feio assim. Fato é que a organização das urgências não foi substituída pela urgência de organização.

NOTA #3 [04/02/2019] (RJ I)

O subconjunto de prática teórica de Ontologia e Política já tem whatsapp, mas não marcou reunião. Estamos lá: Girauta, Germano, Max, José, Thor. Estamos dependendo da definição não horário do próximo ano letivo. Pelo menos esse foi o último papo, pelo que me lembro. Ou foi em outro grupo? Fato é que não nos reunimos ainda.

NOTA #4 [28/01/2019] (RJ I)

Foi dispersa de mais a última reunião, se é que chegou a ser uma reunião. Foi mais uma confraternização. Acho que a de fevereiro tem tudo para ser mais concentrada, dado que terá menos essa cara. No encontro entre festa e reunião, ganhou, da primeira vez, a festa — como é justo que aconteça.

NOTA #2 [04/02/2019] (RJ I)

Me parece que a preocupação com a perseguição contra grupos de esquerda como o nosso já diminuiu no coletivo – será que ainda é necessário pensarmos em mudar nossa aparência pública por causa dessa ameaça?
Existem outras boas razões, claro – mas isso pode significar que o subconjunto de logística não precisa se preocupar com isso agora. Pra mim a prioridade deveria ser criar o jornal.

NOTA #3 [28/01/2019] (RJ I)

Balanço da reunião de Janeiro:
Acho que a ideia do “encontrão” pode funcionar da maneira que pensamos, mas ainda precisa de ajustes:
1) Não conseguimos misturar o momento da reunião com a presença de visitantes. Pareceu que estávamos expulsando os visitantes na hora de falar das coisas do CEII – o fato de um dos nossos camaradas ter se levantado e perguntado “quem aqui é do CEII?” pode ter contribuído para isso, rs. Mas, para além disso, não houve um trabalho dos membros em facilitar essa acomodação, não nos dirigimos uns aos outros com atenção para o fato de que tínhamos pessoas entre nós que não conheciam o coletivo.
2) O formato facilita muito a presença de pais e mães de família – mas pode dificultar se não tivermos clareza que, na hora da reunião, isso significa possivelmente tv ligada pra crianças, barulho, etc. É preciso já pensar nisso e dar um jeito de acomodar melhor o papo sobre notas e reunião no clima do encontro.
3) Por mais que a principal razão para o “encontrão” tenha sido quebrar o ambiente mais hostil para visitantes – e em especial, visitantes mulheres – o fato é que muitas mulheres preferiram sair da sala na hora da reunião. É fato que algumas das visitas estavam ali acompanhando seus parceiros que são membros do CEII, sem expectativa de participar. Mas nem todas. Então seria bom pensarmos com lidar com isso melhor – seja pautando a questão durante o papo da reunião, seja com algum cuidado maior com a presença/ausência das mulheres. Gostei bastante da sugestão de um visitante de que a gente propusesse uma célula só de mulheres, como um meio de reconhecer que, na atual situação, a dificuldade de convívio pode ser pelo menos acolhida enquanto tal, criando um espaço seguro com menos influência da dinâmica atual da célula RJ.
4) Conseguimos bancar o churrasco, mas não sobrou nenhuma grana para bancar o SG. Seria importante a gente considerar isso e ver como faremos essa cotização do encontro na próxima vez.

NOTA #2 [28/01/2019] (RJ I)

Já que faz mais de um mês de governo… 
Por que nossa crítica do governo Bolsonaro parece pouco eficaz? Quais são o alcance e os efeitos pretendidos de uma crítica política em nossas condições atuais? Como eles são medidos? (são mensuráveis?) Do que ainda é capaz a crítica política?

NOTA #1 [11/02/2019] (RJ I)

A moral altruísta da esquerda

” A maioria dos homens arruína suas vidas por força de um altruísmo doentio e extremado – são forçados, deveras, a arruiná-las. Acham-se cercados dos horrores da pobreza, dos horrores da fealdade, dos horrores da fome. É inevitável que se sintam fortemente tocados por tudo isso. As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; e, como ressaltei há algum tempo em um ensaio sobre a função da crítica, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a idéia. Conseqüentemente, com intenções louváveis embora mal aplicadas, atiram-se, graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que vêem. Mas seus remédios não curam a doença: só fazem prolongá-la. De fato, seus remédios são parte da doença. Buscam solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre; ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre. Mas isto não é uma solução: é um agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível à pobreza. E as virtudes altruístas têm na realidade impedido de alcançar essa meta. Os piores senhores eram os que se mostravam mais bondosos para com seus escravos, pois assim impediam que o horror do sistema fosse percebido pelos que o sofriam, e compreendido pelos que o contemplavam. […] E há mais: é imoral o uso da propriedade privada com o fim de mitigar os males horríveis decorrentes da instituição da propriedade privada. É tão imoral quanto injusto.” (Oscar Wilde, A alma do homem sob o socialismo)

Em que ponto a esquerda confundimos alteridade e altruísmo? É possível agir frente a pobreza e precariedade extrema para além da caridade e do altruísmo? Acredito que o avanço  dos setores religiosos conservadores se dá pelo englobamento da alteridade pela caridade, não há espaço para a indignação do outro, mas sim para a compaixão frente ao outro e o fomento à autopiedade. Ainda nos é irrestível dar esmolas, aliviar nossa culpa e ter a sensação de dever cumprido. Como fomentar a indignação para além desta gramática moral que nos é disponível?

NOTA #1 [04/02/2019] (RJ I)

O estrado vem abaixo

O emergente pequeno-burguês, um personagem romântico, começa a existir. É um pobre diabo, com os nervos à flor da pele, que recebeu da racionalização um second spirit, está sempre ofegante, vive ameaçado pelo desemprego e investe seu último vestígio de energia na competitividade. Atravessa o palco como herói e atleta, e o estrado vem abaixo.” Brecht, Diário de Trabalho, 5 de março de 1939.

Se a categoria “pequeno-burguês” ainda se faz relevante talvez seja para nos indicar (a menos me indica) a autofagocitose necessária do militante-classe-média. A mesma racionalização que nos cria um segundo espírito, como diz Brecht, ou uma segunda natureza (neurótica) nos possibilita ir mais além da peça a qual fomos destinados: “o romance familiar” e todo seu drama privado. Do que se trata este mais-além senão levar o estrado abaixo? Como derrubar as próprias condições pelas quais nos tornamos pequenos-burgueses se gozamos (mais ou menos secretamente) e usufruímos de um modo de vida (e não das condições materiais) da burguesia? Como o espaço da militância pode ser um lugar privilegiado da reivenção ética de si?