NOTA #14 [31/07/2018] (RJ I)

Fui a um debate na última sexta-feira com a Tatiana Roque, a Mônica Francisco e o Christian Laval. Após o termino das falas dos debatedores, fiz uma pergunta sobre como a “era das expectativas decrescentes” poderia ser utilizada num projeto de reorganização da esquerda (o tema evento foi exatamente esse: neoliberalismo e reorganização da esquerda). Na resposta, a Tatiana Roque falou que achava essa visão de “fim do futuro” uma “visão muito homem branco” – ao contrário do que alguns desses estudos dizem, ela acredita que as coisas “pioraram porque melhoraram” ou seja, diversos movimentos que não tinham muita penetração na esquerda – como os movimentos identitários, por exemplo – passaram a entrar na “pauta do dia” das atividades políticas do campo progressista. Pelo o que eu entendi, essa seria uma das razões pelas quais as coisas estariam, aparentemente, piorando – elas pioraram porque, no fundo, melhoraram. Resumindo: ela discorda dessa visão e acredita que a identificação do fim do futuro é uma leitura desatenta sobre os diversos avanços recentes promovidos pelos movimentos identitários.

obs: essa é a minha visão sobre o que ela falou lá no evento – boto fé que talvez esteja bastante distorcida, mas foi basicamente isso o que eu entendi

NOTA #1 [28/08/2018] (RJ I)

ranciere (livro desentendimento) conceitualizando a política

 

A política é a atividade que tem por princípio a igualdade, e o princípio da igualdade transforma-se em repartição das partes de comunidade ao modo de um embaraço: em que coisas existe e não existe igualdade entre quem e quem? O que são essas “coisas”, quem são esses “quem”? Como a igualdade consiste em igualdade e desigualdade? Este é o embaraço próprio da política, através do qual a política se torna um embaraço para a filosofia, um objeto da filosofia.

NOTA #4 [07/08/2018] (RJ I)

marcel gauchet comentando a democracia hoje.

 

Ao se ampliar desse modo, a onda de individualização muda de característica. Ela era privatizante e despolitizante. Ao se expandir, ela se encarrega de uma dimensão política. Ela se prolonga e se dilata em uma fé democrática. Não mais uma fé no “povo”, outra entidade coletiva marcada pela obsolescência e desaprovação. Não mais uma fé na soberania partilhada entre os cidadãos e o governo comum. Uma fé no direito que protege, e que reparte as individualidades, que arbitra e que assegura. Uma fé perfeitamente compatível nesse sentido, com a preferência pelos prazeres privados e com o culto da vitória pessoal

NOTA #13 [31/07/2018] (RJ I)

marilena chauí explicando o que a gente faz.

Antes do combate, os guerreiros se reúnem num círculo, formam uma assembleia e cada um, indo ao centro, tem o direito de falar e de ser ouvido, propondo táticas e estratégias para o combate. Após a batalha, novamente os guerreiros se reúnem em círculo, formam uma assembleia e discutem a repartição dos espólios cada qual indo ao centro para exercer seu direito de falar e de escolher sua parte. Perante a assembleia, todo guerreiro pratica dois direitos: o da isegoria (o direito de falar e emitir opinião) e o da isonomia (todos os guerreiros são iguais perante a lei de seu grupo, lei feita pelo próprio grupo). Da assembleia dos guerreiros e da palavra-diálogo, pública e igualitária nasce a polis e é inventada a política.