NOTA #3 [04/07/2019] (RJ I)

Esse momento político parece exigir constante consciência, mas manter a mente saudável e sobrea, em meio a enxurrada de informações que nos relembra constantemente que sozinhos ficamos impotentes, parece impossível. Nesse contexto, as relações afetivas tem sido um esteio pra vida. Alguém mais tem observado a construção de coletivos saídos de rodas de amigos com os mesmos interesses políticos?

NOTA #7 [27/06/2019] (RJ I)

Num momento histórico marcado pela polarização política, pelas ditas “guerras culturais”, e pela reinvenção da imagem da esquerda, a nova edição do ciclo de colóquios organizados pelo CEII, chamado, dessa vez, Design e a Hipótese Comunista, convida todos a um debate em torno da constelação de ideias em torno do “design”: da propaganda – atualizada para o mundo da web 2.0, na figura de influenciadores digitais, na produção de conteúdo para plataformas com fins de sedução política – até o desenho de funcionamento e hierarquia de organizações coletivas. Ao mesmo tempo, a tensão cultural gira, como há muito não fazia, em torno desse significante igualmente vago, o “comunismo” – muitas vezes entendido como um espantalho, constantemente mobilizado pela direita com fins de reforçar a polarização improdutiva que toma conta dos espaços de mídia e redes sociais. Nosso propósito não é refutar essa imagem, mas requalificá-la em múltiplas direções ao mesmo tempo – como diz Maiakóvski, já apontando para o encontro entre o design e a política:

“A arte deve ter uma destinação determinada. E eis a lei da nova arte: nada de supérfluo, nada sem uma destinação. Eu arranquei da poesia as vestes da retórica; eu voltei ao essencial. Estudo cada palavra e o efeito que desejo produzir com ele sobre o leitor: é o que fazem as pessoas que escrevem os anúncios de vocês. Elas não querem gastar em vão uma só palavra — tudo tem que ter sua destinação. Cada produto do século industrial deve ter sua destinação.”

Desavergonhadamente nos apropriando de uma reconceitualização da arte como design em práticas das vanguardas construtivas do início do século XX, o presente colóquio pretende examinar a aplicabilidade deste conceito de Design, “desenho”, “desígnio” para diferentes práticas associadas a este movimento histórico de redestinação do campo autônomo da estética – seja para a propaganda, seja para a arte funcional, em particular o campo da arquitetura em seu diálogo a demandas sociais. Seja ainda para a própria idéia de alargamento de escopo do design como “design de meios”, seguindo a formulação de Keller Easterling:

“em qualquer contexto, grande ou pequeno, praticar o design de meios é gerenciar os potenciais e as relações entre objetos, a atividade ou disposição imanente à sua organização. A disposição de qualquer organização torna algumas coisas possíveis e outras impossíveis. Como um meio de cultura, determina o que vive ou morre. Como um sistema operacional, estabelece as regras do jogo que conectam e ativam os componentes de uma organização.”

Nesta acepção o Design, não tanto e a hipótese comunista, se torna o Design “da” Hipótese Comunista, procurando elaborar como certas formas de organização, para além dos conteúdos nos quais acreditamos, podem por si só favorecer a constituição de um campo a que chamamos de Comuns. Esta idéia está em continuidade com a proposta do CEII de fazer a organização não de conteúdos nos quais cremos, mas fazer da “organização da organização ela mesma” o seu conteúdo- ao apostar em uma forma de engendramento para a qual “o que pensamos que somos” não é tão relevante quanto a infraestrutura organizacional que filtra e mobiliza para certas direções. Design de meios, portanto é o pensamento da infraestrutura que organiza o conteúdo e o pensamento que pensa essa filtragem e mobilização. O sexto colóquio organizado pelo CEII – dessa vez em parceria com o coletivo artístico Fosso, no Rio de Janeiro – visa abordar esses diferentes atravessamentos da estética com a política, do design com uma destinação estética para a qual a arte contribui o seu conteúdo, até uma definição de desenhos das infra-estruturas organizacionais, passando pelas questões da pedagogia e da propaganda na era das redes sociais, da relação entre populismo e imagem