NOTA #3 [23/05/2019] (RJ I)

tenho outra proposta em relação as notas, um sugestão para evitarmos a purga soviética (nada contra esta solução haha mas penso se podemos tentar outras antes) e para tentar maximizar a eficácia do mecanismo (ao menos no que eu vejo de interessante nele):

que tal de nos comprometermos a discutir todas as notas mesmo que isso signifique estender estas notas por mais de duas ou três reuniões?
deste modo valorizariamos mais as notas e tentariamos reforçar o papel ativo que cada membro do coletivo pode fazer através delas para conduzir o coletivo para pautas que sejam mais do interesse de cada membro.
desta forma, passamos a contar ausencia de nota cada vez que ficarem poucas notas a discutir.
(me informem se isto já foi tentado, quais problemas emergiram, etc)

NOTA #11 [16/05/2019] (RJ I)

Queria pensar um debate sobre o que é levado em consideração ao intercâmbio entre a experiência dos membros com a pauta geral do coletivo. Por exemplo, ao tratar de Badiou, o que ele escreve sobre a hipótese comunista tem a ver com maio de 68 e  a organização da classe trabalhadora através da greve. Desta forma, seria interessante se posicionar sobre os aspectos da greve geral de 2019, quais os seus fundamentos, a relação com os partidos , as centrais sindicais, os trabalhadores precarizados e o nosso interesse como também formadores de opinião dentro e fora do espaço acadêmico. Concordo com a ideia de pensar “por que não” um evento sobre o comunismo e a hipótese.  Badiou é um filósofo que está sempre em movimento e situando-nos sobre seus posicionamentos políticos, como os atentados de Paris,  a crítica à representatividade na  democracia …em dado momento ele fala sobre “totalitarismo parlamentar” para tratar da mídia e do monopólio da opinião pública. Em suma, eu gostaria de saber  se além do que tem sido dito nos encontros que é um debate importante para a formação, eu aprendo muito, mas se o que se concebe como experiência vai ser coletado como uma iniciativa de um  membro na reunião ou se pode falar em posicionamentos sobre algum fato político de conjuntura como inclusão da pauta coletiva.

 

NOTA #10 [16/05/2019] (RJ I)

Erro, Ilusão, Loucura – Bento Prado Junior

O j-p caron que me recomendou esse aqui como um bom ponto de partida para estudar Wittgenstein. Um compilado de ensaios variados e comentários de outros pensadores sobre “Da Certeza”, “Cultura e Valor” e outros trabalhos. O autor relaciona Wittgenstein com Kant, trazendo passagens da “Crítica da Faculdade do Juízo” e relacionando estas ao pensamento wittgensteiniano sobre o “senso comum”. É também interessante pensar nessa separação entre o “homem razoável” que usa do senso comum para usufruir dos espaços comunicativos dentro dos jogos de linguagem e o “filósofo” que procura adentrar as “bases” do seu discurso e insatisfatoriamente universaliza os limites dos seus próprios jogos de linguagem. Vejo ai esboços de como Badiou caracteriza o anti-filósofo em seu Seminário sobre Lacan. O J-p deve tar lendo isso e vendo eu assassinando o texto que ele me recomendou, mas enfim. Achei um livro extremamente interessante e quero a partir dele ler mais do Bento Prado Junior.

NOTA #2 [23/05/2019] (RJ I)

Sobre a greve geral

Queria saber como vocês avaliaram a greve geral.

Lá no meu trabalho a divisão foi bem clara: os bolsonaristas ou pró-governistas não embarcaram (fizeram, aliás, questão de ir trabalhar). Teve até gente se desfiliando do sindicato sob a justificativa de que o apoio do sindicato a essa greve era a gota d’água na trajetória de uma direção sindical que se mostrava “partidária” demais, envolvida com manifestações que nada tinham a ver com as pautas internas dos servidores. A opinião de muitos era a de que a greve se tratava de uma manifestação esquerdista de apoio ao Lula livre disfarçada de greve contra a reforma da previdência (ou, se não disfarçada, combinada com o Lula livre).

Já quem se posiciona contrário ao governo Bolsonaro ou se identifica com a esquerda apoiou a greve (o que não significava que embarcou nela – a adesão foi ínfima).

Queria saber também se a impressão de que a polarização política atual determinou antecipadamente quem era “passível” de aderir à greve deve ser restrita à minha categoria ou se esse foi o caso em outras categorias, ou até mesmo em nível nacional.

NOTA #8 [16/05/2019] (RJ I)

Já passou da hora de diagnosticarmos que parte considerável da esquerda têm sofrido – ou feito sofrer – de algo que poderíamos chamar de “burrofobia.”

São incontáveis as situações em que uma desqualificação de alguém como burro, imbecil, ou outro sinônimo surge da boca ou do dedo teclador de um esquerdista. A própria convivência com os supostos “burros” se tornou problemática, largamente afetada, a ponto de às vezes acarretar distúrbios na relação ou convívio, até mesmo rupturas. Esse destrato contra (aquilo que vemos como) a burrice deve ser interrompido.

A aversão e o preconceito, a “fobia”, penso, decorrem também de nossa incapacidade de compreender – e consequentemente, dialogar com (ou convencer) – quem pensa diferente de nós. Quem apostou em uma outra proposta para tentar resolver as coisas. Da estreiteza de nossa teoria, estreita para a apreensão da complexa realidade atual, derivam as grosserias que temos cometido. Chamar o outro de burro recobre nossa própria falta ou carência (ou melhor, nossa própria burrice) em analisar a realidade. Recobre nosso fracasso em causar adesão a nossas ideias – algumas talvez já incompatíveis com os desafios atuais – de transformação dessa mesma realidade, que, enfim, temos compreendido mal.

Da mesma forma que atacamos os conservadores por sua intolerância ao diferente, deveríamos, com a mesma radicalidade, acatar, nós também, a diferença do pensamento. Talvez colocando as coisas nesses termos, digamos, fóbicos, nós voltemos a enxergar indivíduos que aderiram a outro projeto político – em tantos casos não de modo irreversível – como sujeitos pensantes.

Afinal, somos nós quem tradicionalmente se esforçou por tentar compreender, dar voz, visibilidade, uma existência social, enfim, a quem não era reconhecido. Cumpre agora reconhecer a estes que nós mesmos temos “oprimido”, reconhecê-los em sentido amplo. A própria amplitude de nossas políticas vai depender também de quão amplamente nós saibamos (re)conhecer esses que temos maltratado.