NOTA #3 [31/07/2018] (RJ I)

Artists are eager to identify themselves with—and even lay claim to—efforts like the Occupy movement, but their involvement, Davis argues, muddles protest and derails organizational efforts more often than not. When artistic practice is posited as a politics, it tends to emphasize individual effort and distract movements from pursuing the sort of social change that could benefit that large portion of the population not interested in living their lives as art.
(…)
Because artists, unlike wage laborers, have a direct stake in what they produce and face no workplace discipline other than what they impose on themselves, their political attitudes are structurally different from those of the working class, who know they are interchangeable parts in the machine of capitalism and must organize collectively to resist it. “The predominant character” of the contemporary art scene, on the other hand, “is middle class,” Davis contends, referring not to a particular income or earning potential but rather to artists’ relation to their labor. Artists work for themselves, own what they make, and must concern themselves with how to sell it
(….)
Artists must produce their reputation as a singular commodity on the market, which makes their chief obstacle other would-be artists rather than capitalism as a system, regardless of whatever critical content might inhere in their work. When artists patronize the working class with declarations of solidarity, their vows are motivated less by a desire for social change than by the imperative that they enhance the distinctive value of their personal brand.
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Mistaking the achievement of collective purpose as the accomplishment of collective aims, artists arriving at the scene of activism promulgate a politics of “carnivalesque street parties” in which participation is sufficient as a goal. But carnivals are the tolerated states of exception that support the ordinary operation of power. As Davis puts it, artists’ eagerness for “temporary autonomous zones” is a “perfect recipe for displacing the goal of struggle from enduring material change that could benefit large numbers of people to a spectacle that is purely for the amusement of those who take part.” In other words, artists turn protest into an aestheticized experiential good, something consumed by individuals who can then disaggregate from the collective with a distinctive, treasurable memory.
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Limiting authentic creativity to proven professional artists makes creativity both aspirational (it models how nonartists should structure their leisure) and vicariously accessible (nonartists can absorb creativity through awed exposure to properly certified art objects). It is thus that artists  “represent creativity tailored to capitalist specifications.” Artists become the designated exemplars of the form liberty can take under an economic system that prizes innovation and glorifies ideologically the dignity of the small proprietor.
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Artists make the satisfying feeling of being an artist as much as they make discrete artworks. Typical art-world consumers, however, are not interested in the freedom art might signify. They want something to invest in and something that sets them apart. The trade in art objects is mainly about updating the prestige scoreboard (and property values) in the rarefied “art world” of multimillionaire collectors, gallery owners, museum trustees, and artists becoming brands.
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Given that artists’ status hinges on mystified creativity, they tend to overrate its transcendental significance. When “committed art practice” acts as a “substitute for the simple act of being politically involved, as an organizer and activist,” the focus shifts from economic injustice to liberating personal expression, as though capitalist society has some interest in suppressing it
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But consumer capitalism is eager to harness the creative impulses of everyone. It virtually compels self-expression by allowing even the most mundane acts of consumption to become signifying lifestyle choices. (Is your kale organic? etc.) And the elaboration of communications technology has made our expression itself a lucrative product that we make for free and pay to consume the spectacle of its distribution. Telecoms and social-media companies would like nothing more than for us to express ourselves as much as possible.
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No matter how subversive the content of such art becomes, it never ceases to support capitalist hegemony. Artists provide concrete evidence that capitalism nurtures autonomous “creativity” and tolerates even the most intemperate of its countercultural excesses, while it actually siphons the creative energies of nonartists into valorizing consumer goods, putting them to innovative use in expressing identity.
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NOTA #7 [17/07/2018] (RJ I)

Todo e qualquer retorno ao passado deve se r rechaçado. Um sintoma de que estamos em um período de imobilismo do pensamento, é a constatação de uma morosidade melancólica relacionada ha um mundo passado que não retorna mais. A dinâmica da circulação do capital tem exposto o homem a uma época que marcou a dessacralização os vínculos antigos convertendo o homem em senhor deste mundo. O vazio a que o homem foi exposto foi a constatação de que o rompimento de vínculo com o Um não garantiu a consolidação do projeto emancipador de um novo homem. Diante do fracasso na invenção do novo, olha se para traz em busca dos cacos de um tempo que não volta mais. Neste caso, não seria então nossa tarefa: realizar o luto do Uno e assim reinvestir o pensamento na tarefa de inventar o novo ?

NOTA #12 [03/07/2018] (RJ I)

O eixo da luta política atual é a liberdade de Lula. As demais questões beiram a irrelevância. Está em jogo a soberania do Brasil. Qualquer pessoa que se considere de esquerda deveria ter isso em mente, a lutar de forma concreta, isto é, não só através de discursos, pela libertação do ex-presidente.

NOTA #2 [07/08/2018] (RJ I)

Ideal do Eu e o fim de expectativa de futuro

 

Tendo em vista o Inconsciente, que não reconhece o tempo, como o fim da expectativa de futuro no campo social o afetaria?

 

Quando Freud caracteriza o Inconsciente como não reconhecendo o tempo ele se refere à atualidade do passado em nossos pensamentos inconscientes. Essa atualidade do passado é expressa também na formulação canônica de que as histéricas sofrem de reminiscências. Ou seja, o passado acossa nossos pensamentos atuais. O problema seria esse não reconhecimento de que algo do passado insiste no presente, sob a forma de angústia, inibição e sintoma. A solução: rememorar o passado de modo a situar cada coisa no seu tempo.

 

Mas Freud vai além, o Ideal de Eu também é Inconsciente, e sua relação temporal é com o futuro: o que devo ser e ainda não sou, nem fui. Portanto, se o fim de expectativa de futuro afeta o Inconsciente ele afetaria o Ideal de Eu. E se o Ideal de Eu provém justamente dos traços com os quais nos identificamos no social, Freud conferia a esse social a função de espelho do por vir. Por exemplo, quero ser corajoso como o meu pai ou quero ser carinhosa como a minha mãe. Mas se esse pai e essa mãe não servem mais de espelho, se o espelho quebrou? Quebrou por quê? Eles não têm mais a autoridade de antigamente ou a expectativa de futuro não existe mais de modo a impedir nossas identificações mais fundamentais?

NOTA #2 [31/07/2018] (RJ I)

Diante da ausência de futuro retornar ao passado

 

Uma das consequências que temos extraído da hipótese diagnóstica de que nossas sociedades não possuem mais expectativa de futuro refere-se ao campo político. Para ilustrar uma posição política possível – a meu ver conservadora – trago um filme recente.

 

Um filme francês em cartaz cujo título é “À beira mar” que versa sobre o processo de gentrificação que a cidade de Marselha sofreu por volta dos anos 90 e 2000. Nesta época os únicos resistentes foram alguns senhores que lutaram para preservar o sentido comunitário e familiar da cidade. A urbanização e o anonimato tornaram-se inevitáveis mas um único morador, um senhor bem idoso – inclusive, doente em estado vegetativo -, representa ainda os velhos tempos com seu restaurante modesto e sua casa de família. A questão do filme é se os seus filhos – que representavam a juventude na época da gentrificação – irão manter o propósito do pai de resistir ao capital e não vender suas propriedades para virarem hotéis e cafés para turistas.

O filme é um conjunto de flash backs sobre como esses velhos jovens foram felizes na infância no local onde nasceram e foram criados. Esse passado, no entanto, não é suficiente para mobilizá-los a conservar o modo de vida antigo. Ao mesmo tempo, dois personagens mais jovens que os filhos do senhor moribundo são apresentados como completamente indiferentes à situação. Cada um deles tem seu emprego em Paris e estão preocupados em manter seu modo de vida na capital. Eis que então acontece algo inesperado: duas crianças, imigrantes árabes que escaparam de um naufrágio, são encontradas na região pelos filhos do senhor. Elas trazem consigo o seguinte lema árabe: “deve-se ficar onde se criou raízes”. Essas crianças evocam essa lema se referindo ao irmão que elas enterraram em Marselha por não ter sobrevivido ao naufrágio. O que é curioso, uma vez que elas são imigrantes e as raízes a que elas se referem é a do irmão morto. Com a chegada dessas crianças e desse lema as raízes dos franceses renasce e eles finalmente decidem manter a memória do pai.

 

O filme é despretensioso e não defende nenhuma tese política. No entanto, pode-se entrever o papel significativo do passado e do laço familiar e comunitário como o único meio de resistência. Diante da gentrificação, do anonimato e da circulação cega do capital – que representa o futuro – voltar ao passado, às raízes familiares e comunitárias.

 

Não se faz mais filme francês como antigamente – Rs

NOTA #5 [17/07/2018] (RJ I)

Fim de expectativa de futuro no CEII

 

A hipótese diagnóstica do fim de expectativa de futuro pode ser um bom analisador para o não envio de notas no CEII.

 

Em geral, enfatizamos o caráter psicológico da inibição intelectual como a principal causa da dificuldade de escrever e enviar as notas de trabalho. Mas talvez nossa organização também seja atravessada pela ausência de expectativa de futuro, se levarmos em consideração que o papel das notas de trabalho é não apenas formalizar o que foi pensado na última reunião – passada – mas promover a próxima reunião – futura.

NOTA #11 [03/07/2018] (RJ I)

Se entendi bem o fio condutor das nossas discussões teóricas, o ponto de partida seria o diagnóstico que Paulo Arantes faz sobre a relação da nossas sociedades atuais com o tempo. De acordo com esse diagnóstico o tempo teria se estreitado a ponto de perdermos qualquer expectativa de futuro. Qual é o fundamento desse diagnóstico?