Nota CEII SP 24/05/2018

Penso que a nota é um mecanismo de poder também compartilhar projetos com o CEII e pensar possíveis interfaces. Estou bem envolvido com a preparação do programa do PSOL ao governo estadual – a pré campanha da Professora Lisete. Isso inclusive tem dificultado meu acompanhamento do próprio CEII. Mas pensei concretamente que gostaria muito de ouvir as opiniões e as críticas deste coletivo sobre os resultados (ainda provisórios) deste trabalho de construção do programa que pretende ser ao mesmo tempo radical e viável e está sendo construído por muitas mãos, mas não quer ser uma colcha de retalhos fragmentados. Fica a proposta para pensarmos isto conjuntamente.

Nota CEII SP [24/05/2018]

Diante da atual situação, a auto-organização tem a força para enfrentar o capital? Badiou fala na necessidade de formar uma disciplina coletiva. Mas será que a única forma de desenvolver esta disciplina é abdicando da tomada de poder da forma estatal?

Nota CEII SP [14/06/2018]

Isso não quer dizer, simplesmente, dar um salto maior que a perna. Mas, pensarmos se nessa de garantia de subsistência dos membros, porque não sonhamos com algo alto, do tipo uma pós-graduação ceiiana? Porque não criamos uma organização legal (esqueci o nome disso) algo como uma associação e oferecemos cursos de pós-graduação tendo em vista preparar não apenas nós mesmos como agentes ativos, mas também outros que nos procurassem. Enfim, porque não criamos uma cooperativa de ensino e pesquisa?

Nota CEII SP [07/06/2018]

Penso se já não é o momento de nos colocarmos atuantes enquanto uma organização política, por exemplo, é interessante pensar o saldo de nossas ações, interessante ainda proceder num processo de fidelização daqueles que nos procuram. Enfim, pensar algo para além de nossa posição atual.

Nota CEII SP [24/05/2018]

Interessante notar como estamos bem mais engajados nos projetos e como nossas tarefas diárias tem colocado a necessidade de nos engajarmos mais enquanto coletivo. Importante dizer que nesse processo de obrigações, as reuniões do CEII tornaram-se uma necessidade erótica. Fico muito feliz por isso!

Nota CEII SP [14/06/2018]

Sobre psicanálise e suicídio:
“O que se evidencia com o exame das proposições que dão sustentação às práticas preventivas concebidas pela OMS em seu projeto para a prevenção do suicídio (SUPRE), o qual tem dimensões globais, é que o suicídio é um ato não racional e não voluntário. Assim, aquele que comete ou tenta suicídio não quer morrer. Tem-se uma vítima, alguém que é vulnerável a cometer tal ato. Tomando dessa maneira, a vítima deve ser afastada dos riscos para os quais é vulnerável. A inacessibilidade aos meios de cometer suicídio é tida como estratégia preventiva. É a partir dessa concepção que, neste artigo, indica-se, sem desabonar a prática preventiva e seus objetivos, que algo escapa a essa forma de compreensão. É na proporção em que o sobrevivente ou aquele que consumou o ato são tidos como vítimas vulneráveis, pois não querem morrer, que se desprende o que aponta para a causa. A prática preventiva se ocupa, muito perspicazmente, em saber como evitar que esse mal se alastre e faça mais vítimas em todo o mundo. E é nesse ofício que a prática deixa escapar a causa do ato suicida, por negar que ali onde se nomeia uma vítima habita o maior dos riscos. A psicanálise possibilita pensar isso que escapa à prevenção. É pelo repúdio de Freud ao mandamento de amar o próximo que seguimos uma via. Nela, o mandamento “Não matarás”, bem como “Não te matarás” nega o mal que habita intimamente, sendo incapaz de impedir sua existência. O bem se encontra aí no máximo de sua função. Uma via cruel, segundo Lacan, na qual o bem do outro supõe a supressão de sua alteridade radical e que dispõe o bem como uma barreira para não se saber daquilo que está além. É nesse sentido que perfila a ideia de que aquele que se mata não quer morrer. É uma ideia que funciona como lacre sobre um ponto no qual apenas o sobrevivente pode vir a dizer algo, mas que não se faz escutar. O sobrevivente é convidado a calar-se, para seu próprio bem. A ideia que serve de lacre soterra o que Lacan diz na televisão francesa: “se ninguém nada sabe sobre o suicídio é porque ele procede do parti-pris de nada saber” (LACAN, 1993/1974, p.74). Reconhecer a falta de saber como essencial localiza como desafio para a psicanálise, e para seus praticantes, não se furtar diante do tema do suicídio sem que se façam predições em forma de saber sobre algo que é vazio.” (Brunhari, M. V. Darriba, V. A. Não te matarás:suicídio, prevenção e psicanálise. Disponível em: http://www.cbp.org.br/naotemataras.pdf)

Nota CEII SP [10/05/2018]

Para Lazarus o ideologismo é um conceito que designa a vinculação entre um pensamento, ou seja, a intelectualidade de uma determinada época e o pensamento da política. Essa compatibilidade entre estes dois pensamentos é o que caracteriza o ideologismo. Ainda segundo Lazarus, para que essa compatibilidade seja possível é necessário que exista o que ele denomina como conceitos circulantes, que transitem entre a heterogeneidade dos espaços do pensamento, do pensamento da política e da prática.

Este conceito de ideologismo é interessante pois apresenta, a partir do conceito de pensamento lazarusiano o que é a ideologia. Esta não é simplesmente uma falsa consciencia, ainda que necessária, e tampouco um aparelho superestrutural de reprodução social. O conceito de Lazarus é vinculado ao pensamento de uma determinada época e sua relação de compatibilidade com o pensamento da política. É essa vinculação que que caracteriza o ideologismo.