Nota CEII SP [21/06/2018]

como o pensamento marxista ou marxiano, em seu estado da arte, pensaria hj a ideia leninista do estado de transição, ou estado proletário? essa prerrogativa ainda se sustenta hj – a de tomarmos os meios de produção e instaurarmos a tal ditadura do proletariado? esse estado, essa etapa inicial existiu e ainda existe mesmo hj em cuba, logo onde estaria o erro ?

Nota CEII SP [02/08/2018]

Estou de pleno acordo com esta nota que peguei no site:

“considerando as colocações durante a reunião, devido à forma como se deu a leitura do livro de Žižek, sugiro que estabeleçamos uma leitura mais compreensiva, antes de pararmos para dúvidas e questões. Por vezes, as dúvidas levantadas podem decorrer do próprio fato de o autor não ter concluído seu pensamento. E as interrupções constantes (muitas feitas por este que vos escreve), além de tardar em demasiado a leitura, dificulta a compreensão do texto, no lugar de promove-la. SUGESTÃO: que se estabeleça a priori “Vamos ler até a página x”, dúvidas ou questões que surjam durante a leitura, anotamos para não perder e, se até o final do trecho a dúvida/ questão persistir, depois concluída a leitura abrimos para as dúvidas e questões.”

NOTA #7 [26/06/2018] (RJ I)

1. É curioso como em Guy Debord uma consciência lúcida da insuficiência da vida privada era acompanhada pela mais ou menos consciente convicção de que existia, na sua própria existência ou na dos seus amigos, algo de único e de exemplar que exigia ser recordado e comunicado. Já em Critique de la séparation Debord evoca, enquanto algo de certo modo intransmissível, “essa clandestinidade da vida privada sobre a qual nunca temos mais do que documentos derisórios”. E, todavia, nos seus primeiros filmes e ainda em Panégyrique não cessam de desfilar os rostos dos seus amigos um após outro, o de Asger Jorn, o de Maurice Wyckaert, o de Ivan Chtcheglov, e, finalmente, o seu próprio rosto, junto às das mulheres que amou. E não só, em Panégyrique surgem também as casas que habitou, o nº 28 da via delle Caldeie em Florença, a casa de campo em Champot, o Square des missions étrangères em Paris (na verdade o nº 109 da rue du Bac, o seu último endereço parisiense, na sala do qual uma fotografia de 1984 o retrata sentado num divã de couro inglês que parecia agradar-lhe).

Dá-se aqui uma contradição central que os situacionistas não conseguiram superar e, simultaneamente, algo de precioso que exige ser retomado e desenvolvido: essa talvez obscura e inconfessada consciência de que o elemento genuinamente político consiste exactamente nesta incomunicável e quase ridícula clandestinidade da vida privada. Já que mesmo essa – a vida clandestina, a nossa forma de vida – é tão intima e próxima, que se a tentamos capturar nos deixa nas mãos apenas a impenetrável e tediosa quotidianidade. E, todavia, talvez seja mesmo esta homónima, promíscua e sombria presença a custodiar o segredo da política. A outra face do arcanum imperii na qual naufraga toda a biografia e toda a revolução. E Guy, que era tão hábil e perspicaz quando tinha de analisar e descrever as formas alienadas da existência na sociedade espectacular, é então assim tão cândido e impotente quando tenta comunicar a forma da sua vida e quando tenta olhar na cara e explodir a clandestinidade com a qual partilhou a viagem até ao último momento.

[o texto integral está disponível em: https://www.revistapunkto.com/2014/10/guy-debord-e-clandestinidade-da-vida.html ]

Nota CEII SP [07/06/2018]

A tendência do capital em se autovalorizar ainda persiste. A reforma trabalhista mostrou o predomínio da mais-valia absoluta, isto é, através da recomposicao da jornada de trabalho que se compõe de trabalho necessário e de mais trabalho. A ampliação do mais trabalho é condição de reprodução do capital.

Nota CEII SP [10/05/2018]

Para Lazarus o ideologismo é um conceito que designa a vinculação entre um pensamento, ou seja, a intelectualidade de uma determinada época e o pensamento da política. Essa compatibilidade entre estes dois pensamentos é o que caracteriza o ideologismo. Ainda segundo Lazarus, para que essa compatibilidade seja possível é necessário que exista o que ele denomina como conceitos circulantes, que transitem entre a heterogeneidade dos espaços do pensamento, do pensamento da política e da prática.

Este conceito de ideologismo é interessante pois apresenta, a partir do conceito de pensamento lazarusiano o que é a ideologia. Esta não é simplesmente uma falsa consciencia, ainda que necessária, e tampouco um aparelho superestrutural de reprodução social. O conceito de Lazarus é vinculado ao pensamento de uma determinada época e sua relação de compatibilidade com o pensamento da política. É essa vinculação que que caracteriza o ideologismo.

NOTA CEII SP #4 [17/10/2018]

Continuo achando que é um aposta muito válida retomar os projetos externos do ceii. Há muito tempo que eu não me incomodava de estar distante das reuniões, como não tem os áudios, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Mas com os eventos que tem acontecido e os que estão por acontecer o incomodo de estar distante tem dado suas caras, o que eu acho muito bom.

NOTA CEII SP #4 [10/05/2018]

O PT produziu as condições materiais de subjetivação, no Brasil, que por fim
produziu as condições subjetivas para sua queda: de um lado (a) uma subjetividade antihumanista que Tales identifica com a direita política e (b) uma subjetividade de esquerda que foge a discussão de Ab’Saber, mas que se caracteriza como uma esquerda acomodada, individualizada, despolitizada (ou de política virtualizada como diz Žižek), tecnificada. Reflexivamente – no sentido de Ulrich Beck (citado na reunião) um efeito colateral não-planejado do projeto petista de conquista do Estado –, a vitória do PT produziu uma subjetividade de esquerda incapaz de organizar-se e reagir a queda do Partido dos Trabalhadores. Ao contrário do que Ab’Saber diz, não se trata de uma esquerda apenas desorientada. O autor trata como se apenas a direita fosse atinginda subjetivamente pela entrada do Brasil no Capitalismo contemporâneo (como ele próprio defende), como se de alguma forma a esquerda estivesse fora desse processo histórico, indiferente a essas transformações materiais, com sua subjetividade intacta (ainda que desorientada). Neste sentido, Ab’Saber bate na esquerda apenas para preservá-la, isto é, critica o petismo para proteger o petismo da crítica real. Ele age para não agir, critica para não criticar, uma falsa atividade para referir à formulação de Žižek (Como Ler Lacan, p. 36): “as pessoas não agem somente para mudar alguma coisa, elas podem agir também para impedir que alguma coisa aconteça”. Nesta formulação, a esquerda está apenas perdida e basta que o intelectual a re-oriente.

Mas não é possível estar, simultaneamente, dentro e fora do Capitalismo, dentro e fora da sociedade, relacionando-se materialmente com determinado modo de produção, sem que isto nos atinja subjetivamente, modificando nosso modo de estar no mundo. Não é apenas a direita que é transformada, mas também a esquerda. Estas são as consequências de uma esquerda que adotou uma política pós-política, isto é, na qual a “luta pela hegemonia na política pós-moderna de hoje tem um limite: ela encontra o Real quando chega no ponto de realmente perturbar o livre funcionamento do capital” (Žižek,Absoluto Frágil, 2015, p. 67). Uma demanda histérica do PT pelo Estado, que uma vezque o conquista não sabe o que fazer com ele. O petismo pode ser hoje é marcado poruma espécie de androgenia ideológica ou trans-ideologia. Um fenômeno sobre o qual precisamos refletir com mais cuidado.

Nota CEII SP [19/04/2018]

É bem legal ver o CEII SP engrenando alguns projetos mais concretos. Agora ainda temos a passagem de Joelton para falar sobre seu livro, além do Tales e do Oficina Acadêmica. Sinceramente, tendo isso em mente não vejo muitas razões para nos aproximarmos de algum partido.