Nota CEII SP [07/06/2018]

A tendência do capital em se autovalorizar ainda persiste. A reforma trabalhista mostrou o predomínio da mais-valia absoluta, isto é, através da recomposicao da jornada de trabalho que se compõe de trabalho necessário e de mais trabalho. A ampliação do mais trabalho é condição de reprodução do capital.

Nota CEII SP [10/05/2018]

Para Lazarus o ideologismo é um conceito que designa a vinculação entre um pensamento, ou seja, a intelectualidade de uma determinada época e o pensamento da política. Essa compatibilidade entre estes dois pensamentos é o que caracteriza o ideologismo. Ainda segundo Lazarus, para que essa compatibilidade seja possível é necessário que exista o que ele denomina como conceitos circulantes, que transitem entre a heterogeneidade dos espaços do pensamento, do pensamento da política e da prática.

Este conceito de ideologismo é interessante pois apresenta, a partir do conceito de pensamento lazarusiano o que é a ideologia. Esta não é simplesmente uma falsa consciencia, ainda que necessária, e tampouco um aparelho superestrutural de reprodução social. O conceito de Lazarus é vinculado ao pensamento de uma determinada época e sua relação de compatibilidade com o pensamento da política. É essa vinculação que que caracteriza o ideologismo.

NOTA CEII SP #4 [17/10/2018]

Continuo achando que é um aposta muito válida retomar os projetos externos do ceii. Há muito tempo que eu não me incomodava de estar distante das reuniões, como não tem os áudios, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Mas com os eventos que tem acontecido e os que estão por acontecer o incomodo de estar distante tem dado suas caras, o que eu acho muito bom.

NOTA CEII SP #4 [10/05/2018]

O PT produziu as condições materiais de subjetivação, no Brasil, que por fim
produziu as condições subjetivas para sua queda: de um lado (a) uma subjetividade antihumanista que Tales identifica com a direita política e (b) uma subjetividade de esquerda que foge a discussão de Ab’Saber, mas que se caracteriza como uma esquerda acomodada, individualizada, despolitizada (ou de política virtualizada como diz Žižek), tecnificada. Reflexivamente – no sentido de Ulrich Beck (citado na reunião) um efeito colateral não-planejado do projeto petista de conquista do Estado –, a vitória do PT produziu uma subjetividade de esquerda incapaz de organizar-se e reagir a queda do Partido dos Trabalhadores. Ao contrário do que Ab’Saber diz, não se trata de uma esquerda apenas desorientada. O autor trata como se apenas a direita fosse atinginda subjetivamente pela entrada do Brasil no Capitalismo contemporâneo (como ele próprio defende), como se de alguma forma a esquerda estivesse fora desse processo histórico, indiferente a essas transformações materiais, com sua subjetividade intacta (ainda que desorientada). Neste sentido, Ab’Saber bate na esquerda apenas para preservá-la, isto é, critica o petismo para proteger o petismo da crítica real. Ele age para não agir, critica para não criticar, uma falsa atividade para referir à formulação de Žižek (Como Ler Lacan, p. 36): “as pessoas não agem somente para mudar alguma coisa, elas podem agir também para impedir que alguma coisa aconteça”. Nesta formulação, a esquerda está apenas perdida e basta que o intelectual a re-oriente.

Mas não é possível estar, simultaneamente, dentro e fora do Capitalismo, dentro e fora da sociedade, relacionando-se materialmente com determinado modo de produção, sem que isto nos atinja subjetivamente, modificando nosso modo de estar no mundo. Não é apenas a direita que é transformada, mas também a esquerda. Estas são as consequências de uma esquerda que adotou uma política pós-política, isto é, na qual a “luta pela hegemonia na política pós-moderna de hoje tem um limite: ela encontra o Real quando chega no ponto de realmente perturbar o livre funcionamento do capital” (Žižek,Absoluto Frágil, 2015, p. 67). Uma demanda histérica do PT pelo Estado, que uma vezque o conquista não sabe o que fazer com ele. O petismo pode ser hoje é marcado poruma espécie de androgenia ideológica ou trans-ideologia. Um fenômeno sobre o qual precisamos refletir com mais cuidado.

Nota CEII SP [19/04/2018]

É bem legal ver o CEII SP engrenando alguns projetos mais concretos. Agora ainda temos a passagem de Joelton para falar sobre seu livro, além do Tales e do Oficina Acadêmica. Sinceramente, tendo isso em mente não vejo muitas razões para nos aproximarmos de algum partido.

NOTA CEII SP [25/05/2017]

Na última reunião a gente papeou um bom tempo sobre regras e seguir as regras. E curioso, o que estava em voga era a escuta, me parece que a gente estava falando da importância da escuta, justamente porque a gente já sabe que a gente segue as regras do projeto. Esse prazer legislativo não tava sendo questionado, mas o timing dele não parece tanto ser o que a célula passa agora e sendo assim, parece que um dos participantes sentiu-se frustrado com isto. Acho que seria importante a gente conversar melhor com ele sobre isto. Até porque, acho que não soubemos ouvir o que o mesmo estava apresentando e também, acabamos sendo um tanto resistentes ao processo. Novamente, não é um caso de ‘o que’ mas, um caso de ‘como’. Talvez, fosse legal a gente conversar um pouco mais sobre como isto rolou na última reunião.

NOTA #2 (13/10/16) PR

Muito boa a reunião do curso do ceii na UENP. Observamos no mesmo dia a realização da assembleia para mobilização dos estudantes contra as diversas investidas golpistas e a questão orçamentaria da universidade. Porem tal sensibilização não esta presente em grande parte dos alunos, que acredita que suas vidas não serão afetadas pela pec 241 e a saúde orçamentaria da uenp não é a tragédia que tentam pintar. Diante disso, incide a reflexão do porque grande parcela discente tende a menosprezar as motivações da mobilização e apenas uma minoria possui o ânimo de tentar mudar a realidade. Egoísmo? falta de sentimento coletivo? desinformação? esteriótipos e rótulos? Talvez um pouco de cada, somado com cursos que não perceberam que estão em uma universidade, comportando como se fossem faculdades agregadas. Enquanto isso, os pagamentos mínimos para a manutenção de toda a estrutura universitária continuam a atrasar, estamos caindo em um abismo com nossa velocidade acelerada em progressão geométrica a cada dia de nossa inércia. De certa forma, as investidas que nos atingem diariamente, ocorrem porque as políticas públicas, que pela lógica deveriam ser em prol da população, estão submetidas ao poder econômico, negociadas por uma classe política suína, detentora do poder político, na busca pela propagação e intensificação do poder econômico. Um ciclo de tragédias.