NOTA #1 [03/07/2018] (RJ I)

Conforme observado, Heidegger recorre ao que é originário do pensamento através dos fragmentos dos pré-socráticos. Toda a evocação poética aos deuses que caracteriza o pensamento de Parmênides e a dimensão misteriosa que envolve o movimento do Logos em Heráclito permite a Heidegger afirmar que haveria uma indistinção entre o dizer do peta e o pensamento do pensador, trazendo à tona uma relação entre o poema e o pensamento. O envio pré-socrático do pensamento é também o destino de envio do “Ser” indica que o pensamento estava sob a guarda do Poema. Deste modo contestação Axiomática de Badiou parte do princípio de que a Filosofia se baseia por uma não relação com o poema. O que marca esta cisão entre Poema e Filosofia é a forma singular segundo a qual determinado pensamento estabelece postulados internos ao seu próprio discurso. Chamam se Parmênides e Heráclito de Filósofos Pré-socráticos, mas as elaborações feitas por estes pensadores não representam ainda a Filosofia. Por mais que a forma poética do pensamento de Parmênides não se ocupe do referencial épico de Homero , ela ainda traz consigo o elemento místico dos deuses, a começar por sua exaltação inicial aos deuses em suas cavalgadas  e carruagens, tornando o pensamento dependente de uma evocação aos deuses fazendo assim com que a proximidade entre o discurso e o sagrado intacto, e o transe poético se confundindo com pensamento.

No entanto, a partir do momento em que se observa o surgimento da Filosofia como um discurso submetido a seus próprios postulados, encontra se também sua dimensão de sacralizante, já que sua ordem é diversa a forma poética de pensamento.

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