Nota #1 [05/10/2012]

Mais uma vez, o que ficou mais forte para mim foi o corpo teórico.

Foi abordado a relação entre a pulsão e a satisfação, mostrando que a pulsão é indiferente à satisfação, pois ela está presente tanto na satisfação quanto na insatisfação.

Mas, nos slogans das campanhas comunitas (e acredito eu nos slogans em geral) está presente a questão da satisfação. Há sempre a promoessa de que, caso um novo mundo seja criado, as pessoas vão gozar mais.  Mas, quando esse mundo chega, percebe-se que as pessoas não gozam mais, parece que tudo ficou na mesma.  Mas a apelação à satisfação é uma das principais formas de mobilização das pessoas.  A questão é: será que quando a pessoa percebe que a satisfação depende dela, ela vai continuar apoiando o slogan. Será que há outra forma de mobilizar as pessoas?

Em relação a esse ponto, o que mobiliza as pessoas são questões comuns, como, por exemplo, o aumento da passagem de ônibus.  Se uma pessoa, sozinha, começar a reclamar que a passagem aumentou, não vai adiantar nada.  Mas se um grande grupo de pessoas reclamarem a esse respeito, talvez essa mobilização tenha algum efeito.  Acho que devemos fazer um esclarecimento em relação ao que chamamos satisfação.  Uma satisfação a nível vital e pessoal dificilmente vai ser encontrada em questões coletivas, mas há questões coletivas que causam insatisfação, dificultam e até mesmo impedem que outros processos vitais ocorram, como é o caso da corrupção na rede de saúde pública. Acho uma causa legítima haver uma mobilização em prol de uma rede de saúde que de fato atenda a população, e essa mobilização está baseada em ter uma maior satisfação em relação ao acesso aos recursos da saúde (consultas, exames, cirurgias, etc).

Outro ponto que foi abordado é que o que muda o mundo é o metafísico.  Existe alguma coisa indiscernível que produz eventos. O materialismo dialético é imanente e implica a dialética do transcendental e a realidade, ambos estando imbricados, emaranhados, um determinando o outro.  Mas o que produz mudança é a transformação do que é metafísico.

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