NOTA #1 [07/08/2018] (RJ I)

As objeções contemporâneas, ou “pós-modernas”, contra a finitude são/estão praticamente reduzidas a uma discussão que concerne à terceira hipóstase. Subsiste em efeito, entre aqueles que admitem en gros o consenso em torno do materialismo democrático, muitas vezes proponentes da moral, rebatizados em geral “ética”. Esses democratas honestos, geralmente partidários de um capitalismo moralizado e de uma natureza respeitada/respeitosa, sentem bem que o imperativo do respeito da vida, que é o registro deles – o registro pobre deles – das tragédias do século XX, exige uma hipótese que negligencie, de toda sorte, a vida ela mesma, a finitude da vida, e, portanto, de uma espécie de hipótese infinita. Isso é o que conduziu o sutil Lyotard a recolocar a expressão ingênua e consensualmente [pág.15] finita dos “direitos do homem” por aquela, bem mais mordaz, e que eu retomo sem dificuldade à minha conta, de “autoridade do infinito”.

No entanto, para Lyotard, essa autoridade do infinito é ultimamente fundada em um retorno ao Kant da terceira Crítica, ao lado da estética do sublime, combinada com um recurso à Lei que se inspira das escatologias antigas, notadamente aquela que se esclarece da lei judaica. Como frequentemente, a renegociação da finitude termina em reação.

 

Alain Badiou. A imanência das verdades (Ser e Evento III), 2018, p. 14. tradução rápida CEII.

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