NOTA #1 [09/12/2014] (SP)

“A histérica demanda um mestre, mas um mestre que possa controlar, secretamente manipular” – Zizek, não literalmente.

 “This, for Nietzsche, is “slave morality” at its purest: we want a God/Master, but a competent one! We want a Master, but a Master who will be dependent upon us, a Master whom we can approve of, and eventually replace with another one. In other words, we want mastery without the Master. Just as, according to Nietzsche, Christianity perpetuates itself without God, mastery comes to perpetuate itself without masters. It perpetuates itself through knowledge that poses as objective, as absolutely foreign to the “irrational” and tautological dimension of mastery (“it is so, because I say it is so”). But this is stilla form of mastery (“the new tyranny of knowledge”), and a very powerful one at that” – Alenka Zupancic, The shortest shadow

 Penso que estas passagens são fundamentais para entender como movimentos tais como “junho de 2013”. Primeiramente, movimentos como esse, ao contrário do que pensam os entusiastas não são novos. Desde o inicio da guerra fria os “movimentos populares” (entre eles maio de 68) tem ocorrido com alguma frequencia (diretas já, os próprios movimentos que antecederam a ditadura, e outros mais)

 Neste sentido, temos que ter em conta que o que esta posição não leva em conta é a “irracionalidade” do mestre, pois o importante sobre o mestre não é seu saber, mas sua posição de enunciação (ou talvez sua legitimidade para enunciar). Em nossa sociedade, espera-se que o mestre seja portador do saber (próximo daquilo que Lacan chamou de sujeito-suposto-saber), ao mesmo tempo que tal posição permite ao sujeito elidir sua propria posição subjetiva (de submissão ao mestre).

 Como tal constelação do mestre se relaciona com a burocracia? Não seria próprio da burocracia um pensamento do tipo (seja lá qual for a decisão, teremos uma decisão)? Desta forma, a contingencia do mestre é elevada a necessidade, e a própria irracionalidade de qualquer decisão é legitimada (pensemos nos rituais antigos, em que decidia-se a sorte de algum prisioneiro conforme algum presságio “místico”. Ou seja, não seria a burocracia a própria contingência da decisão elevada a mais alta necessidade, uma crença objetificada? (A dialética do esclarecimento de Adorno e Horkheimer já viu algo neste sentido)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *