Nota #2 [05/10/2012]

Como foi discutido no penúltimo encontro, Zizek argumenta que há quatro antagonismos que fazem do comunismo uma necessidade real. Três desses antagonismos estão ligados ao comum, enquanto o quarto está relacionado às novas formas de exclusão (De apartheid de acordo com o autor). Portanto, o nome comunismo e sua noção devem ressurgir como a única alternativa aos problemas catastróficos que se apresentam na atualidade. Com a proposta de radicalizar a noção de proletário, deve-se levar em conta que uma nova política emancipatória não pode se basear somente em um agente social, mas em vários agentes que se encontram na definição de sujeito proletário. Para esclarecer essa radicalização, retornarei brevemente ao que já foi citado na última nota: como o sujeito proletário era, para Marx, um sujeito sem seu próprio conteúdo substancial; podemos radicalizar essa noção se levarmos em conta a privatização do comum – que se apresentaria como um processo de proletarização.

Contudo, se considerarmos somente a questão da privatização do comum, não poderemos ser considerados comunistas. A questão do comum pode também ser resolvida por meio de um regime autoritário comunitário. Entretanto, essa não seria uma proposta verdadeiramente comunista, mas poderia ser uma proposta socialista. Nesse caso, devemos opor o comunismo (um coletivo igualitário) ao socialismo (uma comunidade orgânica solidária, mas não igualitária). O problema é que, ao optar pelo socialismo, não estaríamos resolvendo o quarto antagonismo. O capitalismo poderia muito bem optar por uma espécie de socialismo para resolver os antagonismos do comum, tornando-se populista ou um capitalismo de valores asiáticos. Em outras palavras, a relação entre capitalismo e democracia poderia se romper, emergindo uma nova forma de governo autoritário. Somente a questão dos excluídos pode definir o que é uma política emancipatória comunista, por isso devemos insistir na dimensão igualitária do comunismo.

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