Nota #1 17/09/2013

Procurando relacionar a questão da universalidade no cristianismo com a universalidade do capital em Marx, é preciso definir uma ontologia das idéias. Para isso faz-se a distinção entre idéias universais, particulares e singulares. A dialética marxista entra para explicar a reflexão interna entre as representações sociais e as condições sócio-históricas.

No texto “O que é ideologia” de Marilena Chauí, pode ser encontrado um trecho que serve de síntese para o problema:

“Alienação, reificação, fetichismo: é esse o processo fantástico no qual as atividades humanas começam a se realizar como se fossem autônomas ou independentes dos homens e passam a dirigir e comandar a vida dos homens, sem que estes possam controlá-las. São ameaçados e perseguidos por elas. Tornam-se objetos delas. Basta pensar no trabalhador submetido às ‘vontades’ da máquina regulada por um ‘cérebro eletrônico’, ou no indivíduo que, jogando na bolsa de valores de São Paulo, tem sua vida determinada pela falência de um banco numa cidade do interior da Europa, de que nunca ouviu falar.” (pág. 59)

A autora segue defendendo a perspectiva de que a consciência é determinada diretamente pelas condições materiais de produção(incluídas as relações em geral de intercâmbio e cooperação entre os homens). Essas condições determinarão a experiência mais imediata da realidade e as representações sociais predominantes. Porém vai além, antes de passar por um crivo intelectual, esses esquemas de apreensão da experiência já constituem a própria noção de sujeito no seu mais íntimo: no seu corpo e na sua identidade. É nessa zona de indeterminação, zona de constituição social do sujeito que se dão os mais significativos embates entre uma realização individual e transformação social.

Seguindo esses princípios de reflexão, surge uma dúvida: como Badiou concilia o materialismo de Marx com o platonismo??

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