NOTA #1 [19/09/2017] (RJ I)

Kant: Por uma arte militante – o estético como veículo como do comum

Philippe Augusto Carvalho Campos – Mestrando em Teoria Psicanalítica pela UFRJ

Pretende-se estabelecer um paralelo entre a progressão da arte moderna (desde o fim do século XIX até pouco mais da metade do século XX) em seu aspecto formal e o que Kant designa por juízos sintéticos a priori – a tese é de que a arte moderna apresenta um modo lógico e intrínseco de desenvolvimento, tal como a matemática. Feita essa comparação, pretendemos contrapô-la à noção propriamente estética em Kant, a qual pretendemos associar ao tipo de arte definida por Frederic Jameson como pós-moderna. A arte pós-moderna tende a se aproximar, novamente – tal como o romantismo, pré-modernista –, da esfera mundana. Para essa arte mundana, o que vale, segundo Kant, é a possibilidade de comunicar um novo modo subjetivo, uma maneira de enriquecer ou modificar universalmente as relações humanas – “produzir novas representações”, como fiz Kant –; como a necessidade de comunicar é fundamental para a estética kantiana, a arte também tem uma vertente comunal, visto somente podermos nos comunicar e, ainda por cima, comunicar algo novo se contarmos com alguma complacência do interlocutor. Coisa que parece faltar a Kant é o fato de que a comunicação não se realiza somente no nível da complacência, mas também num nível agressivo ou violento, opositivo, vertical (no sentido de poder) – vide a dialética do Senhor e do Escravo em Hegel. Assim, chegamos à peculiaridade da arte pós-moderna, ela nos parece se estabelecer numa esfera mundana, porém, sem o apelo comunal ou universal inscrito na estética kantiana, ou melhor, mesmo que aja esse apelo, o resultado dessa arte é, por vezes, referenciador da ordem de oposições estabelecida (lembremos aqui da, já banal, noção de sociedade do espetáculo de Debord). Por fim, intenta-se propor o que seria, para esses nossos tempos, uma arte militante, que preserva o apelo à ordem do comum na estética kantiana, ao mesmo tempo em que nega a comunicação do choque, da denúncia, do corpo supliciado, da ironia ou do pastiche, presentes na arte pós-moderna, e, negando a denúncia, o escárnio ou a ironia, promove o ameno ou singelo encontro dos diferentes.

Palavras-chave: Kant, estética, comum, pós-moderno, militância

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