Nota #1 [21/01/2014]

De uma rápida leitura do programa do Partido fica a impressão que, por uma questão de orientação, dirigir um processo político não está em suas intenções. Não ter essa pretensão tem lá seu sentido na medida em que, sob tal perspectiva, não se peca por petulância por exemplo – além de se estar em sintonia com alguns enunciados elementares do marxismo [como, entre outros, que as ações dos indivíduos sempre estão determinadas pela História e não o contrário].

Porém, a posição no programa parece se dirigir as experiências socialistas do século XX. Que poderiam ser divididas em ‘totalitárias’  [do socialismo realmente existente do Leste Europeu e similares] ou ‘conciliatórias’  [de toda social-democracia e suas variações]. A intenção, penso, é diagnosticar a cisão ocorrida entre ‘democracia e socialismo’ na prática política de ambas modalidades da esquerda de até então – ou, melhor dizendo, ‘socialismo e democracia’ [compasso que varia conforme qual fracasso concreto está em jogo na análise]. Frisado isso, demarca-se no interior dos ‘novos caminhos para discussão de um projeto socialista’, o princípio estratégico: ‘socialismo com liberdade’.

Tal orientação se estabelece quando o partido fala em ‘impulsionar a construção’, de organismos de ‘autoorganização’ e de ‘contrapoder’, entre outros. O saldo, me parece, é certa distância desse processo ou novos caminhos. Não a destacada teoricamente no materialismo marxiano [estrutural na relação entre os indivíduos e a História, em que não há uma coextensividade entre a vontade dos homens e o desenvolvimento histórico etc], mas a sustentada pelo [fantasma] totalitário. Construir a autoorganização para o poder, ou coisa do tipo, sob o socialismo, parece uma ideia impossível seguindo a lógica do texto – menos pelas tarefas concretas exigidas sob a bandeira socialista e mais pelo ‘tom da frase’.

É preciso pensar se essa posição contribui mais ou menos para a conservação do mundo.

Isto  é, considerado o atual estado da ideologia na sociedade burguesa, horizontalizar as relações entre os indivíduos, digamos assim, produz [ideologicamente] algum discernimento em relação ao mundo de hoje?

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