Nota #1 [21/03/2013]

No último encontro, trabalhamos de uma maneira a expor sobre a forma mercadoria: seu valor de uso e o valor de troca. E assim, a partir do que Marx propõe, vimos o processo de que a partir da forma mercadoria, podemos ver que o que incide em todas as mercadorias é o trabalho. Trabalho este que é o trabalho enquanto fato, posto que não há como se comparar diante das técnicas e do dispêndio de “músculos, nervos” (trabalho privado). Assim tira-se um conceito de “trabalho abstrato” (trabalho público, social). Para tentar achar alguma mensuração para o trabalho, posto que eles sejam muito diferentes, Marx “soluciona” a contradição dizendo de um “trabalho socialmente necessário”. O tempo socialmente necessário é absorvido pela mercadoria, pois não se importa de quanto tempo se demore a fazê-la (trabalho individual variável), pois existe um certo tempo quase intuitivo que diz de seu tempo de feitura. Pode-se dizer que existiria, então, uma determinação de fora pra dentro para a questão do tempo e do valor das mercadorias, quase que como se elas “pensassem” e se “comunicassem” enquanto mercadorias.

O encontro de hoje é fazer um salto de como o valor transmuta em dinheiro.

Para resolver a contradição da ordem do infinito das comparações entre as mercadorias, há que se cunhar uma mercadoria única, um equivalente geral para todas as outras mercadorias e que para isso representam seu valor, que comporta todas as propriedades inerentes à mercadoria (matérias sublimes), que é o dinheiro. “O progresso consiste simplesmente em que a forma de permutabilidade imediata e universal, ou a forma de equivalente geral, se incorporou definitivamente [por força da prática social] na forma natural e específica do ouro” (Marx, O Capital, vol. 1 in http://www.marxists.org). O dinheiro, na sua forma inicialmente em ouro,  então vira um hábito social, e comporta uma abstração real em sua forma. E como se comparar agora, salvando a sua magnitude, as mercadorias? Marx nos diz que isso quem resolve é o preço. Agora o preço é uma quantidade desta matéria de dinheiro que representa o valor de todas as mercadorias intercambiáveis.

E como se define o preço? Quem quantifica? As relações sociais e o fetichismo da mercadoria podem responder a essas perguntas. As mercadorias estão envoltas em alguma “aura quase mágica.” Essa magia diz que uma relação entre as pessoas e os objetos é mediada por relações sociais, que numa primeira medida, parece ser ilusória, mas por mais que realmente assim seja ainda incide e determina a relação inicial.

Assim, as mercadorias são dotadas de preços. Preços estes que obnubilam o fetichismo que recobre todas as mercadorias, e como diz Marx: “Este caráter fetiche do mundo das mercadorias decorre, como mostrou a análise precedente, do caráter social próprio do trabalho que produz mercadorias”. Na medida em que o fetichismo está ali turvo na mercadoria seria análogo ao sintoma, posto que, para toda mercadoria existir é necessário um fetiche sobre ela, da mesma forma que um sintoma, já que ele não estava ali antes de existir? Ou seja, para  dizer de um sintoma, diz-se que algo se deslocou, e exatamente porque ele se manifesta é que cria um lugar de não inscrição, estaria o fetiche da mercadoria neste lugar de que não teria como um retorno possível a sua condição de mercadoria sem fetiche?

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