NOTA #1 [21/06/2016] (RJ I)

Nota_CEII_20/06/16-RJ-I-CIP-DF

 

 

Marques Neto (1996), ao mencionar a possibilidade de articular os campos teóricos, psicanálise e direito, afirma que eles por si mesmos não comportam qualquer espécie articulação prévia, e, pressupõe uma insistência mais na aposta da indagação do que a dimensão do que pode vir como resposta (momento da pergunta que não a resolve nem a esgota, mas a ela se acrescenta).

Para ele, relacionar entre si disciplinas teóricas supõe que se defina a partir de onde, de que recorte e visada epistemológica tal relação se estabelecerá. Assim, as particularidades dos estatutos da psicanálise e do direito tendem a promover deslocamentos de sentido na noção de epistemologia, apontando para um além (ou aquém) de sua acepção habitual de crítica do conhecimento cientifico (princípios, métodos, hipóteses, resultados).

Nesse rumo, para Marques Neto, a psicanálise e o direito não são ciências (acepção neopositivista), mas discursos teóricos rigorosos, pois uma ciência não existe por si mesma, mas dentro de uma comunidade de saber, da qual depende, e a interdisciplinaridade só existe na medida em que é construída. Portanto, não é uma panacéia científica que pudesse de antemão garantir resultados, e, do êxito de um empreendimento interdisciplinar, somente a posteriori se pode falar.

Assim, uma articulação interdisciplinar se faz mediante recortes, e cada recorte abre a possibilidade de campos epistêmicos novos e imprevistos. A noção de interdisciplinaridade comporta o que o discurso e o campo de uma disciplina teórica podem afetar pelo discurso de outras disciplinas, mas essa relação não deve ser entendida como sendo recíproca e simétrica.

A atitude fundamental de investigação consiste em indagar da possibilidade de discursos, questões, enfoques, perspectivas oriundos do campo de uma dessas disciplinas, afetarem o campo da outra. E, isso pode ser feito de várias maneiras.

Por trás do cogito ergo sum [penso, logo existo], qual o núcleo subversivo capaz de fornecer um ponto de apoio indispensável para um novo projeto de esquerda que o próprio sujeito cartesiano guarda como o grau zero radical da política emancipatória?

 

NETO, Agostinho Ramalho Marques Neto. Et ali Direito e Neoliberalismo – elementos para uma leitura interdisciplinar, Curitiba: EDIBEJ, 1996

 

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