NOTA #1 [23/05/2019] (RJ I)

Acho que o exercício de sustentar ironicamente certos símbolos do socialismo realmente existente não era tanto uma estratégia de sedução com os setores da militância com os quais o CEII construiu uma aproximação. Não faria sentido fazê-lo, pois ninguém mais guarda identificação com aquelas experiências.
Acredito que havia ali um componente tático, por assim dizer. Ao modo tradicional do balanço crítico daquelas experiências, o pensamento cedia ao mais fácil: falar mal do que é ruim (“o horror totalitário stalinista”), falar bem do que é bom (“o sonho de uma sociedade igualitária”).  No final das contas, nenhuma autocrítica é possível nessas coordenadas, certo?

Eu diria que a percepção prática do CEII era que o progresso de certas ideias, importantes à esquerda, dependiam desse gesto – lembro de momentos (quase) ridículos em reuniões com o PSOL, onde os que mais falavam também encenavam que estavam ali sob vigilância de outro membro do CEII (sem que fosse totalmente mentira…), cujo silêncio absoluto na reunião causava o efeito buscado pelo coletivo diante de “militantes libertários do partido”.

Seria preciso sustentar uma certa desinibição diante do mal-estar ideológico causado pelo comunismo do século passado para dominar certas ideias. Penso que a maneira mais evidente de refletir sobre essa aposta é considerando as infinitas (e nervosas) discussões militantes sobre o lugar da organização para uma política de esquerda, socialista, comunista, anticapitalista etc, que testemunhamos de modo privilegiados junto ao PSOL.

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