Nota #1 (23/06/2015) (RJ)

O destino da palavra

A palavra comunidade emerge em momento de transformação social profunda ou de um grande abalo incluindo a destruição da Ordem Social.

Ums desconstrução torna claro ou explicita o que estava oculto sob ou dentro da estrutura destruída.

O estar juntos das pessoas vêm antes da organização temporal em que se encontram ( momento grego, momento cristão…) chamamos isso de sociedade holística

Ao todo nós opomos as parte, as partes retiradas de seu todo, ou o estar juntos de muitos todos, quer dizer, indivíduos

Traz-se a questão: o que torna o estar junto quando o todo não é dado e talvez não é sequer capaz de ser dado em momento algum?

Surge a koinonia, ou seja o impulso em direção a esse todo inacabado, o impulso à comunidade.

Muitos aspectos da vida em comum já são dados com o primeiro tipo de humanidade, o estar junto de muitas partes, mas essa parte não é individual, ela está dentro de um grupo, é uma reunião de muitos.

A sociedade pode ser entendida como uma comunidade sem esses aspectos da vida comum dados na humanização, no sentido de totalidade (mas não, totalitarismo)

Comunismo tem a ver com integração, como no caso da família, da tribo, do clã

Sociedade é aquilo que seus membros tem de aceitar e justificar

Comunismo é inventado como ideia daquilo que justifica por si mesmo a presença e existência de seus membros

Sociedade implica acordo, associação, ligação(inessencial) entre indivíduos que são em última instância, separados

Comunismo está compreendido como pertencendo à existência dos indivíduos, em sentido existencial, na sua essência.

Socialismo tem a ver com linha política e partido, uma escolha

Propriedade – ela está além e/ou por trás de qualquer assunção jurídica de posse.

Propriedade – tem a ver com a expressão de um Sujeito = sou eu.

Com – Não é uma ligação externa, nem sequer uma ligação. tem a ver com reação, compartilhamento, troca, mediação e imediação, significação e sentimento; Estar junto pois o eu nunca existe sozinho

Com – não tem a ver com coletivismo ou coleção, que é um mero externo “um do lado do outro” que não implica relação entre os lados ou entre as partes

Com – categórico versus existencial

Com existencial implica que o Com pertence à própria constituição ou disposição, é relativo ao ser

o Nós, possível apenas enquanto ato de fala no sentido existencial, apenas nesse caso pode performatizar a sua significância, essa parte não senti que foi retomada ao longo do texto, no âmbito da performatividade.

justaposição é já uma relação

posso dizer que comunismo é o ato de fala da existência tal como ela é ontologicamente ser em comum. Este ato de fala assevera pela verdade ontológica do comum, que é a relação, que no fim das contas não é nada mais do que sentido

a verdade do comum é propriedade mas não nos sentido de posse ou pertencimento

[identidade do sentido e da relação

identidade da verdade e do existencial -co] não percebi esses dois pontos sendo retomados

privado e coletivo se referem ambos apenas ao reino e categorias da lei, ela conhece apenas relações formais e externas

propriedade individual, por outro lado, é relativa ao Sujeito /pessoal/individual

=>Sujeito está para propriedade assim como comunismo está para?

Eu sou próprio na medida em que me comprometo, tanto quanto comunico, quando estou em comum. Properness designa a maneira de entrar numa relação ou de se engajar num vínculo, num intercâmbio, numa comunicação. Não tem nada a ver com posse de algo.

Eu estou no comum, sou feito disso, sou feito Para isso.

O ego é praticamente um ponto que emerge da totalidade do isso, que é a totalidade do que poderia ser do mundo. Eu sou feito da totalidade do mundo tal como ela se dá para mim, enquanto um ponto de sensibilidade singular.

Comunismo, consequentemente significa a condição comum de todas as singularidades dos sujeitos(exceções – pontos incomuns cuja rede faz um mundo, uma possibilidade de sentido)

=>O comunismo não pertence ao político, ele surge antes de qualquer política, é um princípio de ativação e limitação da política

Questão do –ismo:

Qualquer ismo implica um sistema de representação

Ele que tratar do impulso original ao comunismo e não do comunismo histórico, chamado de real(estranhamente)

A palavra deve perder seu ismo para não correr o risco de se tornar uma ideologia, não deve ser tomada como uma forma, estrutura, representação. Apenas Com

Por isso estamos no campo da metafísica/ontologia e não política

Questão: Como pensar acerca da sociedade, governo, lei, etc, sem a meta de realizar o CUM mas com a meta de deixar que ele venha, abrir o campo para sua possibilidade de fazer sentido? 

 

Riqueza significa possuir mais do que se precisa na vida comum, e pobreza, possuir menos. Essa vida comum que é dada pela propriedade comum individual, mas que vem antes da propriedade coletiva e privada.

Dar ao comum aquilo que precisa pode parecer óbvio, de fato os direitos humanos já prescrevem essas necessidades, entretanto ela contém também uma obscuridade: entre necessidade e o desejo ou a vontade, não há uma diferenciação simples nem clara.

Para conceituar a necessidade ou satisfação não podemos parar na elementarização ou contabilização desses impulsos mas devemos incluir o que constitui elas enquanto comum a todos, universal, ou sua parte infinita.

Nesse ponto nos aproximamos do capitalismo, enquanto acumulação sem fim de coisas, sendo todas equivalentes, medidas pela própria capacidade de acumulação. Ele abarca a infinidade mas não necessariamente o infinito, pois ele se perpetua em direção da acumulação sem limites, o que reina é o capital enquanto processo e não o infinito dado em cada existência. Poderíamos dizer que as necessidades são distribuídas em função do sistema e não o inverso?

Essa distinção tem relação com a transformação lenta ao longo dos séculos e para escapar das interpretações acerca do controle e regulação do mercado, o autor escolhe demonstrar essa mudança em torno da significação de riqueza. Mas dentro da oposição entre riqueza e pobreza podemos encontrar, para além da diferença de quantidade, uma qualificação de valoração, onde se opõe glória à humildade, um ligado à riqueza e o outro à pobreza, sendo que o segundo seria uma virtude mas que no nosso tempo se opõe à riqueza na posição de subjugação. O pobre deseja se tornar rico, ele não quer ser pobre mas sim rico, logo ele está numa posição que pode ser equiparada à admiração, à relação que um monge mantêm com o altar.

Seguindo essa linha, escapamos ao escopo capitalista e chegamos a uma crítica moral e religiosa da riqueza que teve seu período de efervescência de Platão passando pelos sofistas e Jesus Cristo, com a rejeição fundamental da riqueza. Essa teria sido a época mais radical na crítica à riqueza, onde ela não estaria associada com a glória e sim o seu contrário.

Nossa civilização enquanto isso é esquizofrênica, ela “pensa” que seu valor próprio está estritamente atado a um valor ilusório (dinheiro). A riqueza própria, ou glória e mais importante, o sentido próprio, não é comum, mas privado. Pois sentido para um só não faz sentido nenhum. Levando esses termos no sentido de coletivo também não há efeito porque ele opera como uma unidade, mecânica e simples, sem Espaço para a pluralidade.

Comum é a palavra adequada para a propriedade do ser quando ele significa ontologicamente “ser em comum”.

Ser não designa nenhum tipo de coisa ou ente, mas pode significar o caráter comum de todos os seres porque eles são, no nada. Logo, o sentido procurado de comum não tem a ver com comunidade pois essa seria o atributo ou qualidade de seres. Comum significa abertura do espaço entre seres (coisas) e a possibilidade indefinida, talvez infinita, de desenvolvimento desse espaço.

A essa altura é permitido dizer que comunismo não tem significação.

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