NOTA #1 (25/01/17) PR

Camaradas, transcrevo um pequeno texto de Rodrigo Petronio sobre a conjuntura global:

Narendra Modi na Índia, Recep Tayyip Erdogan na Turquia, Putin na Rússia, Xi Jinping na China, desintegração da União Europeia, Brexit e agora Trump nos EUA. Desde que me conheço por gente, ouço discursos de crítica ao capitalismo e propostas de alternativas ao capitalismo.

Finalmente, a alternativa ao capitalismo chegou. E essa alternativa ao capitalismo não é uma comunidade autogestionada de hipster de bigode e suspensórios, que andam de bike e coordenam plantações orgânicas sustentáveis. A alternativa ao capitalismo se chama: nacionalismo.

Em 1945, o nacionalismo foi jogado na lata de lixo da história. Sobreviveu como uma espécie de resíduo anacrônico em algumas partes do mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Contudo o conflito decisivo da segunda metade do século XX foi entre duas potências internacionalistas: o liberalismo e o comunismo.

Com a vitória do liberalismo, vivemos entorpecidos uma alegre orgia liberal e os gozos globalizados do capital flutuante. E fazia sentido. O liberalismo de fato empreendeu incríveis progressos em todo mundo. Suspeito que a grande parte dos críticos do liberalismo não tenham a menor ideia do que seria o mundo caso os comunista ou os nazifascistas, ou seja, os internacionalistas de esquerda e os nacionalistas de direita tivessem ganhado a guerra.

Se olharmos deste ponto de vista, a confusão mental da esquerda liberal e dos neoconservadores, no Brasil e no mundo, pode ser compreendida com mais facilidade. Deve-se ao fato óbvio de que a censura ideológica que inaugura o século XXI não é mais entre esquerda e direita. É entre os diversos neonacionalismos e o colapso do internacionalismo liberal.

O sintoma desse colapso é evidente pelo recrudescimento dos discursos de extrema direita e se extrema esquerda. E também fica muito visível pelo silêncio complacente ou com a clara adesão da esquerda à eleição de Trump, por exemplo. O fato do palhaço dos conservadores ter um discurso beirando o fascismo pouco importa. À medida que Trump representa o terremoto nacionalista que está enterrando os liberais, Trump se torna automaticamente interessante para o cinismo da esquerda revolucionária.

Eu, como liberal, tenho ojeriza desse movimento. Entretanto, olhando de modo estratégico e frio, sinto cada vez mais que o nacionalismo tem se tornado a peça-chave do xadrez político do século XXI. Quem conseguir compreendê-lo e usá-lo em seu favor, estará um passo à frente em todos os sentidos.

Os conservadores já deram a largada. Resta saber se esse movimento mundial é apenas um momento negativo na dialética do capitalismo liberal. Se assim for, não vai durar muito. E a queda será um colapso econômico e social monumental. Caso não seja, passaremos por um mudança estrutural da ordem global em poucas décadas.

De qualquer forma, esse movimento não deve arrefecer tão cedo. E o Brasil precisará se alinhar a ele para reverter a crise e voltar a crescer. Resta saber se a esquerda vai continuar surfando na marola cor-de-rosa do bem-estar social e da social-democracia liberal. Ou se terá fôlego para criar a curto prazo uma narrativa forte, nacionalista e convincente.”

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