NOTA #1 [25/09/2015] (RJ II)

Algo que talvez me incomode nas páginas iniciais do Ranciére é a necessidade de precisar o que ele entende por igualdade. Me parece, na verdade, que a desigualdade é que é algo “natural”, ou ao menos estrutural. Esperar que uma sociedade seja absolutamente “igual” me parece um pouco ingênuo, mesmo que seja uma igualdade de condições, pois ainda que as condições objetivas sejam igualmente distribuídas não há como se esperar que as condições subjetivas de um indivíduo possam ser iguais a de todos os outros.
Não se pode afirmar a igualdade como pressuposto inicial, ou seja, partir dela como dado ontológico transhistórico, mas segundo Ranciére também não se pode postá-la objetivo, ou seja, partir da desigualdade como ponto de partida e alçar a igualdade como condição à ser alcançada.
O que fazer então? Conciliar as desigualdade? Escamoteá-las como se tenta fazer através dos discursos jurídico-ideológico e moral?
Me indago se não é necessário reconhecer e aceitar a desigualdade; operar com o que se tem e buscar a conciliação entre os sujeitos desiguais. Não sei, sinceramente.
A igualdade me soa como um valor totalmente burguês, na linha daquilo que Marx, Paschukanis, eno Brasil, Márcio Bilharinho Naves, já disseram, onde seu único objetivo é equiparar todos os sujeitos enquanto sujeitos de direito, ou seja, sujeitos que representam mercadorias. Os reais contornos da igualdade somente podem ser vistos como fetichismo?
Essas colocações na verdade não expressam exatamente uma opinião, mas talvez vacilantes dúvidas retóricas.

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