NOTA #1 [27/10/2015] (RJ I)

E não deixa de ser curioso um maoista rejeitar a possibilidade criativa da guerra desta forma. Volta um pouco a questão abordada sobre o filosofo brasileiro que prega uma teoria publica mas como se estivesse na academia, será que o Badiou acha que para mudar realmente algo do capitalismo não haverá um conflito sangrento de proporções catastróficas? Uma destruição criativa? Me parece um pouco ingênuo…

Ao mesmo tempo esse século se inicia com uma guerra, mas o anterior também, a mais importante guerra civil: Revolução Francesa. E se seguirmos as periodizações anteriores (numa divisão mais clássica) vamos ver que a idade moderna se inicia com a guerra de descobrimento das América e invasão de Istambul. O período anterior com a guerra que destrói Roma, etc e etc… Então não é exclusividade do século XX. Ao mesmo tempo ele sugere que se a França antes da 2a guerra tivesse sido agressiva – recorrer a uma “boa guerra” – poderia ter mudado o curso dos eventos.

A versão do petantismo que ele vai desenvolver em seguida no “De quoi Sarkozy est-il le nom?” – onde ele apresenta pela primeira vez o comunismo como Ideia e lá a compara a uma ideia kantiana – tem um detalhe importante que ele não havia colocado nesse livro: além de capitulação é de perseguição de um inimigo interno. Desta forma a capitulação em 41 pode ser entendida como parte de uma guerra maior: contra o comunismo. É mais complexo que uma mera capitulação e adesão ao nazismo. A adesão da população é total (como Zizek sempre lembra em seus conferências), não é uma mera capitulação, era uma visão de que ali o principal inimigo eram os comunistas franceses que são selecionadamente massacrados (como na ditadura brasileira mas em maiores proporções). Essa “paz a todo preço” era externa, internamente a “luta de classes” era explicita, mas como Badiou tem uma querela com o PCF (não sem razão se tomarmos em conta a posterioridade do partido) ele não vai admitir isso.

Além disso há uma contradição evidente. O Badiou rejeita a criatividade da negatividade mas o gesto fundamental da sua filosofia é uma negação: “Não existe 1” (Il n’y a las de 1/There is no 1). Então no caso dele, há uma negatividade criativa exatamente na origem da coisa toda. Ela se inicia com o “sacrifício inaugural” do número um.

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