Nota #1 [28/02/2013]

Como pode uma criação humana exercer grande poder sobre o próprio homem? Esta é uma pergunta pertinente sugerida pela força que a relação de poder existente entre Deus e o homem exerce sobre o próprio homem. Como pode a cisão entre homem e Deus, ter feito a criatura mais forte que o criador? O discurso teológico nos leva a crer que o homem é criação de Deus, já o discurso racional assinala “Deus como criação do homem” (FEUERBACH, 2007) Se Deus é criação do homem como pode este ser mais poderoso do que o próprio homem? Quem é criador, e que é criatura?

É interessante notar em Feuerbach, a relação existente entre Deus e Razão no momento em que o autor coloca Deus como entidade da razão. O que existe em uma entidade abstrata como Deus que faz com que este exerça tanta força sobre o homem. E se estamos falando aqui de entidades abstratas que exercem poder sobre o homem, que dizer do poder público? Do Estado, de uma organização social de uma determinada comunidade, ou de uma tribo no Curdistão.

Ao que parece toda grande idéia exerce essa força sobre um indivíduo, quando compartilhada por vários indivíduos, e talvez o fato de ser compartilhada por vários indivíduos, que assim legitimam essa força justamente pela unidade destes indivíduos é que a torna abstrata e poderosa. É o algo extraído década individuo que é comum aos indivíduos estando assim para além dos mesmos indivíduos. Logo o individuo é abstrato em si mesmo.

[…] Somente atravéz da razão e na razão tem o homem a capacidade de se   abstrair de si mesmo, isto é, de sua essência subjetiva, pessoal, de se elevar a conceitos […] (FEUERBACH, 2007)
Seria este o homem abstrato de si mesmo, seria este o mecanismo da abstração de um corpo particular que se põe a trabalhar animadamente gerando e exercendo tal força sobre o individuo sob a qual este apesar de ser criador, sucumbe diante de tal poder. Talvez nem os contratualistas haviam imaginado tal força que um elemento abstrato como o Estado poderia exercer a força por meio de suas instituições repressivas.

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