Nota #1 [28/05/2013]

Althusser foi o primeiro a realizar, dentro do marxismo, o deslocamento da crítica da ideologia que Zizek, me parece, defende – isto é, a retira do domínio da consciência e a aloca no terreno da prática; a retira do saber e a põe no fazer. O que, inclusive, obedece as indicações de Marx acerca do tema, sobretudo se considerarmos o tema da alienação em suas obras maduras. Entendo que Zizek o faz também em coerência com as proposições da psicanálise freudiana e, sobretudo, a lacaniana – onde, pelo que tenho acompanhado, a riqueza de nossa “vida psicológica” é posta não por nossa interioridade, mas por nossa relação com a “realidade”.

Quando Althusser produz o conceito de “Aparelhos Ideológicos”, informa a prevalência das Ideias sobre os indivíduos. No caso, a ideologia teria um papel prático e material no sentido de que organiza imediatamente a existência dos indivíduos e, portanto, dão a estes, materialmente, o status de indivíduo.

“(…) A ideologia representa a relação imaginária dos indivíduos com suas condições reais de existência (…)” [p.85]

Sua posição é de que se a “ideologia” deveria ser tomada como uma expressão ilusória da realidade, isto implicaria que por meio da crítica dela, da ideologia, acessa-se a realidade sem ilusões. Do que devem dois pontos: [1] de onde emerge a necessidade da “distorção”? e [2] há um acesso então “não distorcido” do mundo?

Zizek parece, assumindo a tese marxiana, resgatada por Althusser, da alienação como atributo da prática, dizer outra coisa: a própria dimensão do fazer contém um “saber” que não está contido no agente da prática ou ainda em qualquer outra agente material. Como foi dito, é uma espécie de Pensamento sem pensador. De uma qualidade de reflexo da realidade que dá consistência a própria realidade, por assim dizer. Como uma espécie de condição para que a realidade seja real. Zizek chama isto de “fantasia ideológica”. Esta distância mínima e, me parece, insuprimível em qualquer formação social, entre “o homem” e “a realidade”, produzida por esta fantasia sem qualquer agente pessoal, que põe a relação de ambos [provê um “lugar” para que este seja possível]e dão a eles, no interior desta articulação mediada/ externa, seus atributos internos singulares, digamos – ou seja, a possibilidade de ser possível dizer “o homem” ou “a realidade”.

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