NOTA #10 [08/04/2019] (RJ I)

Sem estudar, acho curioso o uso do Agamben na esquerda. Pelo menos no meu contexto, a esquerda carioca parece vê-lo como um autor que auxilia à denúncia da violação do direito. Ao mesmo tempo, permitindo uma defesa do direito. Apontando essa “contradição”, no essencial, fica sugerida (e às vezes explicitada) uma discussão sobre democracia e ditadura. Nessas coordenadas, à discussão não envolve nem segue para nenhuma reflexão. Afinal, entre nós, quem poderia ser a favor da ditadura?
Mas, minha dúvida, é se esse é o sentido da reflexão do Agamben. Tenho certeza que não, mas a companhia da esquerda carioca me desencoraja.
Basicamente, acho, o que fica indicado na abordagem do Agamben sobre “Estado de exceção” é que, no essencial, ele é indistinto do “Estado de direito”. Além do plano político de análise, onde podemos observar como historicamente certos dispositivos legais são utilizados à perseguição destes ou daqueles grupos ou segmentos sociais, minha sensação é que o autor procura sinalizar como o ordenamento democrático inclui seu inverso. Um é o avesso do outro.
Nada a ver?

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