NOTA #10 [19/06/2018] (RJ I)

Assistindo uma exposição de um economista marxista, que procurava apresentar o sentido marxiano das leis tendenciais do capital, quando ele tratava de responder uma pergunta sobre o lugar da luta de classes nos movimentos de acumulação e crise capitalista, lembrei de uma asserção muito distinta do Marx.

Não posso dizer a partir de qual texto, nem reproduzi-la literalmente, mas seu argumento central poderia ser descrito mais ou menos assim “a sociedade capitalista é a primeira forma de vida em sociedade”. Creio ser claro que a assertiva não é para elogiar o grau de civilização alcançado nesta forma de vida sociedade, mas que busca enfatizar a ideia de que nesta época, nesta sociedade, pela primeira vez na história da humanidade, surgiu ante e entre às pessoas uma coisa que merece, por assim dizer, o nome de “social” – no sentido de que é na sociedade capitalista que surgiu em jeito de relacionar as pessoas que não depende das disposições pessoais delas.

Eu assumo que este argumento, dado o modo como sintetizei, é correto. Ao mesmo tempo, com respeito à pergunta que respondia o professor, que sinalizava para a importância da política como ato de agir com vistas a uma finalidade almejada, me ocorreu que parece haver um descompasso entre a sociedade capitalista com a luta contra ela – ou o modo como se luta contra ela, enfim. Chamo de descompasso a ideia de que a sociedade capitalista, enquanto sociedade, a rigor, não depende das pessoas, mas a luta contra ela sim. Sem contar que para estar a altura da luta contra ela, seria preciso criar uma forma de vida em sociedade que, sendo “social”, sobreviva às pessoas .

Tem política para isso, gente?

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