NOTA #11 [05/06/2018] (RJ I)

Há alguns meses atrás o Senhor Marcelo Madureira, que fora integrante do moribundo programa de comédia Caceta & Planeta publicou um vídeo fazendo comentário sobre um estudo do Banco Mundial sobre a geração nem-nem.

O primeiro estudo sobre o tema foi feito na Espanha, onde a crise econômica arrastara o país para a cifra extraordinária de 50% de taxa de desemprego. Desta população os mais atingidos são jovens entre 15 e 25 ou 30 anos que se veem forçados a abandonar os estudos para procurar um trabalho e assim complementar a renda familiar. O destaque vai para as mulheres que são as mais atingidas. Neste caso um fenômeno que também se repete em outros países europeus e no resto do mundo. Outro fator importante é o fato de que a população de jovens com 19 anos segue em ritmo de crescimento, diferente das taxas de geração de emprego, que cada vez se tornam mais baixas. O desequilíbrio é flagrante, em geral após um ou dois anos de busca por um emprego, esses jovens simplesmente deixam de estudar e de procurar um trabalho por falta de perspectivas futuras. No Brasil ainda há o problema do ensino público de base que deixa o jovem sem condições de concorrer a uma vaga no ensino público superior. Deste modo, qual é a perspectiva que um jovem do ensino público tem. Assim de que adianta frequentar a escola se esta nada pode oferecer ao jovem?

Há no próprio Youtube um conjunto diversificado de análises sérias sobre o fenômeno da geração nem-nem, mas o Senhor Caceta em um vídeo de dois minutos e pouco, afirma que este é um sintoma de uma geração que viveu às custas de programas sociais sem sofrer nenhum tipo de cobrança associado a uma sociedade que não valoriza o estudo e que só preza pelo “baile funk”. Ao fim de sua análise, a cereja do bolo vem na forma de seu jargão “E tenho dito”.

Ora, mais do que denunciar o diletantismo intelecto-intestinal do senhor caceta —que não pensa com a cabeça errada, mas sim de forma errada — a ausência da análise material do problema evidência , o que a camarada Sabrina Fernandes chama de “espantalho ideológico”. Adotando este “espantalho” o seu caceta fecha os olhos para o fato conhecido de que é denominador comum entre as famílias mover esforços para manter seus filhos na escola por mais difícil que isso seja. Mas como se sabe estes “espantalhos” são lugar comum de uma intelectualidade pequeno burguesa que se diz pós-ideológica. É diante destes “espantalhos” que precisamos sempre recordar daquilo que se aprende com a crítica contemporânea da ideologia. Como diz Zizek, “é justamente quando achamos ter rompido o véu da ideologia, que nos achamos em seu cerne”

 

E tenho dito!

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