NOTA #12 [30/05/2017] (RJ I)

Durante muito tempo, uma certeza dominou o campo da Educação e da Pedagogia, a certeza de que só é possível tornar um homem emancipado através do conhecimento. Buscando a origem destas certezas é possível inclusive estabelecer uma genealogia na história do desenvolvimento do saber nas sociedades ocidentais. No entanto não é preciso ir muito longe para compreender aonde esta certeza se ratifica, afinal pode se encontrar o germe desta certeza nas luzes do período iluminista, onde a razão toma o lugar de protagonismo do mito na explicação do real. Em um segundo momento, podemos identificar o mesmo movimento ratificando o do primeiro através da revolução científica, onde a sistematização do conhecimento no estabelecimento do método empírico confirma- se como elementos que libertam o saber humano de qualquer narrativa dogmática na explicação dos fenômenos do mundo. Poderia decorrer daí a ideia de que só o saber é capaz de emancipar o homem. No entanto podemos colocar como pergunta: emancipar de quê? Ou de quem? Estas são questões que para tentar compreendê-las faz se necessário olhar para a estrutura do modelo educacional estabelecido pela prática Pedagógica uma prática que coloca em cena dois personagens quando assunto é educação, a figura no Mestre e do Aluno.

A própria palavra “aluno”, no entanto, se analisada remete a dimensão desta relação a medida em que aluno seria aquele que tem ausência de luz. O professor é aquele intermediário que detém o conhecimento e atua sobre a inteligência deste aluno trazendo a luz da razão, o que denotaria uma desigualdade a ser corrigida pelo método Pedagógico, assim o aluno precisaria do professor para que este o guie pelo caminho do conhecimento.

No século XIX um professor francês chamado Joseph Jacotot desenvolveu um método pedagógico que se não invertia, pelo menos equalizava as relações entre mestre e aluno. Como efeito o aluno passa a aprender sozinho e assim torna se emancipado intelectualmente em face do embrutecimento causado pela dependência de um intermediário – o professor – o saber e o aluno. Nesse sentido o presente trabalho visa pensar nas consequências do método Jacotot e sua relação com uma possível emancipação social e política à partir da lógica do ignorante. Portanto apresentaremos primeiramente uma descrição do método Jacotot em face da figura tradicional da relação entre professor e aluno estabelecida pela Pedagogia tradicional. Em seguida tentaremos compreender a função que sobra para o professor e na última parte, pensar em uma possível função social da emancipação contextualizando a Democracia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *