NOTA #13 [23/05/2017] (RJ I)

7. “Ter sido arrancado de uma porção de coisas sem sair do lugar: eis uma descrição precisa e pungente do estado psíquico do enlutado. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Se estes se escondem e tentam fazer calar sua culpa e seu crime, os melancólicos parecem sentir necessidade de alardear suas baixezas e sua indignidade. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Debatem-se em autoacusações delirantes sem saber que os insultos furiosos voltados contra si próprios em verdade correspondem às características de alguma outra pessoa – daí a força da expressão encontrada por Marilene Carone: “para eles, queixar-se é dar queixa”. Se “a sombra do objeto” encobre o ego, isso indica a base narcísica do investimento (forte fixação; baixa resistência) e a” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Mas a identificação narcísica ainda não é suficiente para explicar o furor das autoacusações melancólicas que podem atingir o paroxismo quando o sujeito, ao tentar destruir o objeto odiado de sua identificação inconsciente, pode chegar a destruir a própria vida” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Ambivalência, sadismo do superego, identificação narcísica inconsciente com o objeto odiado ainda não são suficientes para caracterizar o complexo melancólico. E” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “A mania não determina o fim da melancolia; ela é apenas o outro polo dessa “loucura cíclica” a que hoje a psiquiatria chama de depressão bipolar. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “O montante de energia disponível, somado ao alívio de ter se livrado (temporariamente) da identificação com o objeto odiado, explicam a alegria exacerbada, a excitação, o excesso de autoconfiança e a hiperatividade irrefletida a que o melancólico se entrega nos períodos de mania. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Mas é justamente por essa via, a da sublimação do excesso pulsional disponível nos episódios de mania, que se poderia conciliar a teoria freudiana da melancolia com a antiga tradição que relaciona o melancólico ao “homem de gênio”. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Doença e verdade: eis um tema da modernidade” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Se houver alguma correspondência aqui com a melancolia freudiana, só podemos encontrá-la na descrição da fase maníaca, não na do delírio de indignidade e na apatia melancólica” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Galeno escreveu sobre a melancolia: “As potências da alma são consequência das misturas do corpo”” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Os humores seriam também regidos por planetas, sendo Saturno, o último planeta visível a olho nu – o mais distante e isolado que os antigos conheciam –, aquele que rege a Melancolia.” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “mas como consequência do acaso, explicável pela posição dos astros no momento de seu nascimento” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “O desequilíbrio causado pelo excesso da bile negra torna o melancólico propenso a ser, “quase no mesmo instante muito quente e muito frio”.” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Vem daí a importância do papel representado pelo melancólico, como um sujeito que teria perdido seu lugar no laço social e sente necessidade de reinventar-se, no campo da linguagem” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “melancolia, o autor expõe com detalhes a crise que o tornou inapetente para o exercício do poder e para encabeçar as lutas e conquistas empreendidas por seu pai: o receio constante da morte o levara a refletir com tristeza sobre a brevidade da vida presente.” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “pseudônimo adotado por Burton, Demócrito Junior, faz homenagem a Demócrito, o melancólico celebrizado na Antiguidade em uma das Cartas atribuídas a Hipócrates,” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Um melancólico que ri de tudo não é tão contraditório quanto parece: o riso de Demócrito indicava sua descrença, seu desapego em relação a tudo que seus semelhantes valorizavam.” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) “Seu belo Luto e melancolia representou, por um lado, um avanço em relação à compreensão médica da psicose maníaco-depressiva; por outro, uma ruptura com a longa tradição que associava a melancolia à criação artística, às personalidades de exceção e, no polo oposto/complementar a esse, às expressões do sintoma social. ” (Capítulo:MeLancolia E Criação / Maria Rita Kehl) ” O luto, via de regra, é a reação à perda de uma pessoa querida ou de uma abstração que esteja no lugar dela, como pátria, liberdade, ideal etc.” (Capítulo:Luto e melancolia) “A melancolia se caracteriza por um desânimo profundamente doloroso, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar, inibição de toda atividade e um rebaixamento do sentimento de autoestima,{3} que se expressa em autorrecriminações e autoinsultos, chegando até a expectativa delirante de punição.” (Capítulo:Luto e melancolia)

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