NOTA #2 [06/02/2018] (RJ I)

Como assim a ser trabalhador não é uma identidade como ser Vasco, mulher, negre? Reconheço que há uma diferença entre esses predicados, mas não me parece tão evidente que ela se resolve no par identidade x não identidade. Me pareceria mais evidente fazer a diferença entre uma identidade hegemônica e identidades subordinadas: a identidade que conta do ponto de vista capitalista é o ser trabalhador, para ser isso é indiferente ser Vasco, mulher, negre etc. É economicamente indiferente do ponto de vista da produção ter esses últimos predicados, desde que a pessoa retenha, na prática, o primeiro (porque se o cara entrar na fábrica e não trabalhar não adianta nada também, né?). Pois os trabalhadores “batem no peito” sim para dizer “sou trabalhador”. Isso inclusive é muitas vezes decisivo do ponto de vista do modo que a pessoa se identifica e do modo como ela vai se apresentar aos outros (ao policial na entrada da favela, por exemplo). Por outro lado, caso se mantenha a tese de que “trabalhador” não é um predicado que define identidade, não seria um dos problemas históricos da esquerda o forçar uma identidade de “trabalhador”? Ou ainda: mesmo que se reconheça que “trabalhador” é um predicado, mas um predicado hegemônico, não se teria considerado o suficiente ou de maneira adequada a diferença de natureza por ventura presente no predicado, produzida por seu papel hegemônico no mercado dos predicados?

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