NOTA #2 [07/08/2018] (RJ I)

Ideal do Eu e o fim de expectativa de futuro

 

Tendo em vista o Inconsciente, que não reconhece o tempo, como o fim da expectativa de futuro no campo social o afetaria?

 

Quando Freud caracteriza o Inconsciente como não reconhecendo o tempo ele se refere à atualidade do passado em nossos pensamentos inconscientes. Essa atualidade do passado é expressa também na formulação canônica de que as histéricas sofrem de reminiscências. Ou seja, o passado acossa nossos pensamentos atuais. O problema seria esse não reconhecimento de que algo do passado insiste no presente, sob a forma de angústia, inibição e sintoma. A solução: rememorar o passado de modo a situar cada coisa no seu tempo.

 

Mas Freud vai além, o Ideal de Eu também é Inconsciente, e sua relação temporal é com o futuro: o que devo ser e ainda não sou, nem fui. Portanto, se o fim de expectativa de futuro afeta o Inconsciente ele afetaria o Ideal de Eu. E se o Ideal de Eu provém justamente dos traços com os quais nos identificamos no social, Freud conferia a esse social a função de espelho do por vir. Por exemplo, quero ser corajoso como o meu pai ou quero ser carinhosa como a minha mãe. Mas se esse pai e essa mãe não servem mais de espelho, se o espelho quebrou? Quebrou por quê? Eles não têm mais a autoridade de antigamente ou a expectativa de futuro não existe mais de modo a impedir nossas identificações mais fundamentais?

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