NOTA #2 [09/12/2014] (SP)

Por que Lacan?

Nas últimas reuniões do CEII São Paulo, uma parte considerável das reuniões vem sendo destinada ao debate de conceitos lacanianos, a reunião de terça foi um exemplo disto. É certo que em diversos momentos do texto Zizek faz referência, direta ou indireta, à Lacan, mas o interesse do grupo por sua teoria, ao que parece, extrapola os conceitos que apresentados no texto; existe um interesse em Lacan que está para além de compreender o Lacan de Zizek, é preciso estudar Lacan pelo próprio Lacan.

É sabido que a psicanálise ronda os debates travados no círculo, dos quatro autores que nos circundam, pelo menos dois – Zizek e Badiou – tem um diálogo explicito e direto com a psicanálise francesa. Também não é nova a demanda por um Grupo de Estudo de Lacan no CEII – o qual foi iniciado de maneira provisória, quase como uma bengala durante o recesso da célula paulistana, com tempo determinado de início e fim e assim se deu e se encerrou.

Ainda assim, sabendo que Lacan é um autor presente no imaginário do Círculo, a questão permanece: por que Lacan? Diversos autores aprecem no texto que estamos trabalhando, alguns foram alvos de debates e discussões mais prolongadas, tais como: Althusser e Marx – ao qual dedicamos alguns encontros ao estudo do Capital. Mas em nenhum deles tivemos um interesse tão contínuo e prolongado e que estivesse para além dos conceitos apresentados no texto ou que surgiram esporadicamente nas reuniões.

Em conversa prévia com um dos participantes este me disse “tentei fazer meu dever de casa, estudei um pouco de Lacan esta semana” eu, quase de maneira automática, respondi “fique tranquilo, o enfoque da reunião não é discutir Lacan, é algo esporádico”. Quase como um capricho do “destino”, a reunião praticamente inteira se deu na discussão da psicanálise – psicanálise pura e simplesmente, não pensamos como esta nos serve para entender fenômenos sociais, ficamos na psicanálise pela psicanálise. E o mais intrigante foi que ninguém na reunião esboçou qualquer resistência a isto, todos pareciam satisfeitos com o rumo que a discussão levou.

Desde o fim da reunião esse questionamento ficou em minha cabeça – quase como depois de uma sessão de análise – por que dessa digressão rumo à Lacan, ou devo dizer, por que desse desejo dos membros de SP de utilizar o espaço da reunião para discutir psicanálise? Será que um grupo de estudos “daria conta” desta demanda? Não sei, tenho minhas dúvidas, a questão – e é de fato um questionamento – é que a pergunta perdura: por que Lacan?

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