Nota #2 [10/12/2013]

Essa sessão foi muito produtiva e dividiu-se em duas partes. Na primeira se discutiu alguns projetos do PSOL no plano nacional, regional e local, e para mim merece destaque a necessidade de se aproximar dos movimentos populares. A segunda parte tratou da introdução da obra de Alain Badiou, “O Ser e o Evento”. O que me chamou a atenção foi a diferença de Badiou e Lacan sobre o campo do Real, em que Lacan o localiza na impossibilidade de formulação, onde não há ontologia – ser, mas apenas sujeito, e portanto o campo do Real é o campo do sujeito, enquanto Badiou quer trazer para a ontologia essa noção de Real da psicanálise, que pressupõe como dado o sujeito, e articulá-la com a subjetivação. Assim, Badiou vai mostrar como o sujeito é possível, numa ontologia especifica –onde a matemática vai tratar e formular a impossibilidade no campo do ser, e pronunciar o que é dizível do ser.
Também, foi ressaltado a distinção entre essa formulação de Badiou e a do velho marxismo (relação dialética da natureza e história). Deste modo, o pensamento de Badiou  se apresenta como uma terceira via nessa questão da articulação entre ontologia e subjetivação. Nesse rumo, outro ponto que se articula a essa questão, é sobre a diferença da metaontologia de Badiou em relação a ontologia poética de Heidegger, onde Badiou defende uma posição radicalmente subtrativa do ser, excluído de toda representação e apresentação poética, e que se localiza numa sutura no vazio, sem aura. Neste rumo, o discurso do ser enquanto ser, não tem objeto, nao é refém de nenhum objeto, é antireferencialista e desobjetificante. Assim, a verdade vem do próprio ser e não de um fundamento metafisico (região do ser) ou epistemológico (maneira de pensar)”

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